Saúde e Bem-estar

Polilaminina: Espírito Santo vira referência mundial em estudo

O Espírito Santo se destaca como suporte aos estudos da polilaminina, substância promissora da medicina regenerativa. Saiba como.

A foto mostra os doutores parceiros no estudo da polilaminina
Fonte: Acervo pessoal l Dr. Mitter Mayer

A polilaminina desponta como uma das apostas mais promissoras da medicina regenerativa. A substância segue em fase experimental, com foco em lesões traumáticas e neurológicas. Atualmente, a Anvisa autorizou apenas o estudo clínico inicial. Esse estudo avalia a segurança da substância em número restrito de pacientes. Além disso, o protocolo ocorre em hospital previamente indicado, sob rígido controle regulatório.

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Nesse cenário, a polilaminina não representa apenas inovação terapêutica. Ela impõe, sobretudo, o desafio de integrar ciência, regulação sanitária e estrutura hospitalar. Ao mesmo tempo, exige políticas públicas voltadas ao cuidado com a vida. Portanto, cada avanço depende de articulação técnica e institucional consistente.

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Sintonizado com descobertas em saúde e bem-estar, o Viva Vida conversou com Mittter Mayer. Ele atua como assessor especial do Governo do Espírito Santo. A entrevista abordou, desse modo, o papel do Estado nos estudos da polilaminina.

1. Explique seu papel de articulador institucional para viabilizar estudo da polilaminina no Estado

Atuo na articulação entre ciência, poder público, Justiça, profissionais de saúde e famílias. Sempre priorizo o bem-estar dos pacientes. Nesse sentido, coordeno o Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) da polilaminina no Espírito Santo. Criamos esse grupo para estabelecer uma ponte técnica com os pesquisadores.

Quando surgiram demandas judiciais sobre uso compassivo (forma excepcional de acesso a medicamentos experimentais que ainda não têm registro nem aprovação comercial; ele existe justamente para oferecer uma opção a pacientes com doenças graves ou que ameaçam a vida, quando não há tratamentos registrados eficazes disponíveis no país e a substância é considerada promissora por profissionais de saúde ou pesquisadores), o Estado já possuía conhecimento regulatório. Além disso, contava com estrutura adequada. Por isso, o Espírito Santo lidera o atendimento de pacientes nessa modalidade. Ressalto que a Anvisa aprovou apenas o estudo clínico inicial. Esse estudo avalia segurança em cinco pacientes. O uso compassivo, por sua vez, segue legislação específica e excepcional.

2. Qual o papel do Governo do ES no acesso de pacientes capixabas à polilaminina?

O Governo iniciou a articulação após diálogo com a Tatiana Sampaio (bióloga e coordenadora da equipe de pequisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UERJ). Ela relatou décadas de dificuldades, sobretudo pela ausência de apoio institucional. O contato ocorreu por intermédio do Dr. Olavo Franco, membro da referida equipe, meu parente e conterrâneo de Jerônimo Monteiro.

A partir desse diálogo, construímos uma estratégia institucional antecipada. Isso ocorreu antes da visibilidade pública da polilaminina. Em seguida, estruturamos uma atuação governamental coordenada. Criamos uma comissão intersetorial, hoje sob minha coordenação. Essa comissão reúne secretarias e órgãos estratégicos. O objetivo envolve suporte técnico, regulatório e científico.

Embora não prevíssemos judicialização, o preparo permitiu resposta rápida. Assim, viabilizamos o primeiro uso compassivo do país. Luiz Fernando Moser, de Iconha, internado na Santa Casa de Cachoeiro, tornou-se o primeiro paciente no mundo a receber a substância de forma compassiva. Isso só ocorreu graças ao conhecimento técnico e à estrutura disponível.

3. Quantos pacientes atendidos e quais os critérios médicos adotados?

Até o momento, quatro pacientes receberam a polilaminina no Espírito Santo. Dois são de Cariacica. Um é de Afonso Cláudio. Outro é de Iconha. Todos apresentaram lesão completa de medula espinhal.

Além disso, os casos ocorreram dentro da janela terapêutica ideal. Essa janela corresponde a até 72 horas após o trauma. Todos receberam a substância dentro ou muito próximo desse período. Esse critério foi determinante para a inclusão.

4. Fale sobre a parceria entre o ES, a UFRJ e a indústria farmacêutica Cristália

O Estado se reuniu com pesquisadores da UFRJ e com a indústria farmacêutica Cristália. O objetivo foi avançar no desenvolvimento da tecnologia. Já existe carta assinada pelo vice-governador Ricardo Ferraço. Nela, o Estado se coloca à disposição do desenvolvimento científico.

Com isso, o Espírito Santo consolidou-se como referência para os pesquisadores. Uma das fases do estudo exige mais hospitais especializados em trauma. Diante disso, o Estado articulou cinco unidades hospitalares. Essa ampliação fortaleceu a pesquisa e viabilizou o uso compassivo.

5. Quais os próximos passos de apoio à pesquisa e a pacientes?

Diante dos resultados iniciais, o Espírito Santo pretende ampliar o suporte. O paciente precisa de abordagem ágil. Ele deve chegar rapidamente ao hospital de referência. Em seguida, passa por intervenção médica e recebe a medicação inovadora.

Além disso, o acompanhamento é longitudinal. A reabilitação ocorre a longo prazo. O Estado também estuda investimentos financeiros. A comissão avalia como integrar tecnologias ao fluxo do paciente. Isso inclui chegada em tempo hábil, aplicação da medicação e acompanhamento pós-intervenção.

Fomos além do previsto. Pretendemos potencializar os trabalhos. O objetivo envolve produção científica e bem-estar social. Nessa perspectiva, o Espírito Santo se consolida como grande laboratório de suporte ao avanço da polilaminina.

Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.