Ocitocina: o que a ciência realmente sabe sobre o “hormônio do amor”
A ocitocina fortalece vínculos, mas também pode intensificar emoções negativas.

A ocitocina ganhou fama como “hormônio do amor”. No entanto, a ciência atual apresenta um cenário mais complexo. Embora ela participe de vínculos afetivos, ela não atua como poção romântica. Além disso, pesquisadores identificam efeitos ambivalentes. Portanto, o debate científico evolui rapidamente.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO corpo produz ocitocina no hipotálamo e a libera pela hipófise. Ela atua no trabalho de parto e estimula contrações uterinas. Além disso, ela se associa a sensações de bem-estar. Durante paixão, excitação sexual ou contato físico, o organismo aumenta sua liberação. Contudo, especialistas alertam que sua função vai além do romantismo.
Por que chamaram a ocitocina de hormônio do amor?
Nos anos 1990, pesquisadores da Universidade Emory estudaram arganazes-da-pradaria, roedores monogâmicos. Eles observaram papel central da ocitocina na formação de pares. Assim, a substância ganhou destaque no comportamento social.
Em 2005, outro estudo ampliou o interesse. Pesquisadores aplicaram ocitocina sintética em voluntários por spray nasal. Em um “jogo da confiança”, participantes sob efeito do hormônio confiaram mais. Consequentemente, a mídia passou a chamá-la de “molécula da confiança”.
O entusiasmo cresceu rapidamente. Entre 2004 e 2011, buscas por spray nasal de ocitocina dispararam. Empresas passaram a vender versões sintéticas com promessa de melhorar relacionamentos. Entretanto, a ciência exigiu cautela.
O que estudos recentes revelam?
A partir de 2020, pesquisadores começaram a revisar resultados antigos. Uma cientista belga demonstrou dificuldade de replicar diversos estudos. Quando equipes repetiram experimentos clássicos, muitos efeitos desapareceram.
O famoso estudo da confiança de 2005 perdeu força ao ser replicado. Na nova análise, participantes que receberam ocitocina não agiram diferente do grupo placebo. Portanto, a hipótese de “poção do amor” perdeu sustentação científica.
Além disso, estudos com arganazes mostraram surpresa. Mesmo sem receptores de ocitocina, animais continuaram formando vínculos. Esse resultado indicou que o comportamento social depende de múltiplos fatores biológicos.
A ocitocina pode aumentar agressividade?
Sim, pesquisas apontam efeitos menos conhecidos. A ocitocina pode intensificar emoções já presentes. Assim, ela fortalece vínculos dentro do grupo social. Porém, também pode aumentar agressividade contra quem está fora dele.
Estudos identificaram aumento de inveja e até “schadenfreude”. Esse termo descreve prazer diante do infortúnio alheio. Portanto, o hormônio não produz apenas empatia. Ele amplifica relevâncias emocionais do contexto.
Segundo análises da Harvard Health Publishing, a ocitocina fortalece conexões afetivas. Toque, música e exercício estimulam sua liberação natural. Contudo, especialistas reforçam que uso sintético não garante amor ou harmonia.
Existem riscos associados?
Como outros hormônios, a ocitocina exige equilíbrio. Em homens, níveis elevados podem se associar à hiperplasia prostática benigna. Essa condição provoca aumento da próstata e dificuldades urinárias. Portanto, intervenções hormonais exigem avaliação médica rigorosa.
Além disso, a ocitocina interage com diversos sistemas cerebrais. Ela modula ansiedade, confiança e percepção social. Contudo, ela não age isoladamente. Dopamina, serotonina e endorfinas também participam do chamado “coquetel químico” do amor.
O que a ciência conclui até agora?
Atualmente, pesquisadores descrevem a ocitocina como modulador social complexo. Ela não cria sentimentos do zero. Em vez disso, ela intensifica experiências relevantes para cada indivíduo. Portanto, seu papel depende do contexto emocional.
Em síntese, a ocitocina mantém importância biológica inegável. Ela participa do parto, da amamentação e de vínculos afetivos. Entretanto, a ciência descarta a ideia simplista de hormônio mágico do amor. Assim, o conhecimento evolui e substitui mitos por evidências.
Com base em informações do portal Globo.
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