Quem cuida de quem cuida? Marina Balarini fala sobre a sobrecarga feminina
A sobrecarga feminina revela impactos profundos na saúde mental e exige atenção social e políticas públicas, defende a psicóloga Marina Balarini.

Em entrevista com a psicóloga Dra. Marina Balarini, sobre o tema Quem cuida de quem, a especialsita focou que a sociedade ensina papéis de gênero desde a infância. Logo cedo, crianças aprendem comportamentos considerados de menina ou de menino. Por exemplo, adultos incentivam meninas a brincar de boneca. Enquanto isso, meninos recebem carrinhos ou jogos de ação. Assim, muitas famílias associam o cuidado a algo feminino. Consequentemente, meninas crescem acreditando que devem cuidar, organizar e acolher.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiAlém disso, a cultura reforça esse papel ao longo da vida. Mulheres assumem responsabilidades domésticas e emocionais dentro da família. Ao mesmo tempo, a sociedade incentiva homens a ocupar espaços públicos e profissionais. Portanto, o cuidado coletivo torna-se uma expectativa feminina. Entretanto, esse padrão cria sobrecarga silenciosa e pouco debatida.
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O cuidado como construção social
Especialistas destacam que o cuidado não nasce com o gênero feminino. Pelo contrário, a sociedade constrói essa expectativa ao longo das gerações.
A psicóloga Dra. Marina Balarini explica que esse processo ocorre de forma naturalizada:
“A sociedade ensina mulheres a cuidar desde cedo. No entanto, raramente pergunta quem cuida delas.”
Consequentemente, muitas mulheres assumem múltiplos papéis sem questionar a distribuição dessas tarefas. Assim, acumulam responsabilidades emocionais e domésticas.
Nem todas as mulheres viveram a mesma realidade
Embora o cuidado recaia sobre as mulheres, essa experiência nunca foi igual para todas. Mulheres negras e periféricas sempre trabalharam fora de casa para sobreviver.
Além disso, muitas exerceram trabalho doméstico em outras residências. Portanto, cuidaram dos filhos de outras famílias. Ao mesmo tempo, continuaram responsáveis por seus próprios lares.
Consequentemente, questões de raça e classe ampliam desigualdades. Mulheres pobres enfrentam cobranças sociais mais duras. Em muitos casos, o próprio Estado responsabiliza essas mães por condições de vulnerabilidade.
Assim, em vez de fortalecer políticas públicas, parte da sociedade reforça a culpabilização feminina.
A idealização da maternidade
A cultura também constrói uma imagem idealizada da maternidade. Frequentemente, discursos sociais retratam a experiência como sagrada e naturalmente feliz. Entretanto, a realidade pode ser muito mais complexa.
Quando a vivência materna se distancia desse ideal, muitas mulheres enfrentam julgamento. Em vez de acolhimento, recebem críticas sobre sua capacidade de ser uma “boa mãe”.
Segundo a Dra. Marina Balarini, essa cobrança gera sofrimento silencioso:
“A maternidade provoca transformações físicas e subjetivas profundas. Entretanto, a sociedade costuma ignorar o impacto emocional dessa mudança.”
A sobrecarga invisível do cotidiano
Além da maternidade, mulheres assumem grande parte dos cuidados familiares. Elas cuidam de filhos, pais idosos e da organização doméstica.
Ao mesmo tempo, muitas trabalham fora de casa. Portanto, enfrentam uma dupla ou até tripla jornada. Além disso, grande parte desse trabalho permanece invisível.
Veja algumas tarefas frequentemente atribuídas às mulheres:
- organização da rotina familiar
- cuidado com crianças e idosos
- planejamento doméstico
- gestão emocional da família
- trabalho doméstico não remunerado
Consequentemente, essa carga constante pode gerar desgaste psicológico.
Quando o corpo pede ajuda
Diante dessa pressão contínua, muitas mulheres deixam de olhar para si mesmas. Elas priorizam o cuidado com outras pessoas.
Entretanto, o corpo frequentemente sinaliza quando a sobrecarga ultrapassa limites. Sintomas comuns incluem:
- ansiedade persistente
- tristeza ou desânimo
- dores de cabeça
- dores estomacais
- exaustão emocional
De acordo com a Dra. Marina Balarini, esses sinais merecem atenção.
“O sofrimento feminino muitas vezes aparece no corpo. Por isso, precisamos escutar essas manifestações com cuidado.”
Depressão pós-parto e silêncio social
Um exemplo frequente envolve a depressão pós-parto. Muitas vezes, familiares perguntam apenas sobre o bebê. Enquanto isso, ignoram o estado emocional da mãe. Consequentemente, o sofrimento passa despercebido.
Em alguns casos, profissionais adotam respostas rápidas. Diagnósticos apressados e excesso de medicação podem silenciar experiências que exigem escuta. Segundo especialistas, processos terapêuticos ajudam mulheres a elaborar essas transformações.
Quem cuida de quem cuida?
A pergunta central permanece urgente. Afinal, a sobrecarga feminina revela impactos coletivos. Além disso, o tema ultrapassa debates individuais. Ele envolve políticas públicas, saúde mental e organização social. Portanto, especialistas defendem ações em diferentes níveis:
- fortalecimento de políticas de apoio às famílias
- ampliação de serviços de saúde mental
- divisão mais justa do trabalho doméstico
- reconhecimento social do trabalho de cuidado
Assim, a pergunta “quem cuida de quem cuida?” deixa de ser apenas reflexão. Ela se transforma em questão de saúde pública.
Contatos com a Dra. Marina Balarini:
Instagram: @psi.marinabalarini
E-mail: [email protected]
Celular: 28999719404
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