Câncer na terceira idade: por que o cuidado integrado muda o tratamento
Equipes especializadas adotam abordagens integradas que consideram não apenas a sobrevida, mas também o bem-estar físico, emocional e social do paciente.

“Decidi que o câncer não ia me parar.” A frase resume a postura adotada por Iracema Bassani Barbosa, de 66 anos, desde que recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Mesmo após enfrentar uma recidiva com metástase óssea, a paciente passou a reorganizar a rotina, investir em atividade física, rever a alimentação e manter o tratamento médico, mostrando que o enfrentamento do câncer na terceira idade pode priorizar qualidade de vida e autonomia.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiEssa experiência individual reflete uma mudança mais ampla no cuidado oncológico de idosos. Com os avanços da medicina e a consolidação da oncogeriatria, o diagnóstico deixou de significar, automaticamente, fragilidade extrema ou tratamentos limitados. Hoje, equipes especializadas adotam abordagens integradas que consideram não apenas a sobrevida, mas também o bem-estar físico, emocional e social do paciente.
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Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que cerca de 70% dos diagnósticos de câncer ocorrem em pessoas com mais de 60 anos. Diante desse cenário, cresce a necessidade de estratégias específicas para essa faixa etária.
Segundo o oncologista da MedSênior, André Luiz Pedrini Tófoli, o idoso com câncer exige um acompanhamento ampliado. Ele explica que a presença de comorbidades, como hipertensão, diabetes e limitações funcionais, torna essencial a atuação integrada de diferentes profissionais para garantir segurança, adesão ao tratamento e melhores resultados ao longo do processo.
Câncer na terceira idade e os cuidados
Além disso, evidências científicas reforçam os benefícios desse modelo. Um estudo brasileiro apresentado no Encontro Anual da American Society of Clinical Oncology acompanhou 41 pacientes idosos com câncer em estágio avançado que realizaram exercícios aeróbicos e de resistência por 12 semanas. A pesquisa apontou redução de ansiedade e depressão, além de melhora do condicionamento físico e diminuição de dor, fadiga e náusea.
O médico destaca que esses dados ajudam a romper a ideia de que o paciente oncológico deve apenas repousar. Segundo ele, a atividade física orientada e monitorada pode reduzir efeitos adversos do tratamento, independentemente da idade ou do estágio da doença.
Outro ponto relevante envolve a socialização. De acordo com o especialista, o isolamento é comum entre idosos em tratamento oncológico. Por isso, a participação em atividades sociais, o estímulo ao convívio familiar e o incentivo a práticas cognitivas, como leitura e jogos, contribuem para a saúde mental e emocional.
Nutrição adequada
Inclusive, o cuidado integrado também inclui atenção à nutrição. A nutricionista da MedSênior, Giselli Prucoli, explica que uma terapia nutricional adequada ajuda a prevenir perda de peso, fortalece o sistema imunológico e auxilia no controle dos efeitos colaterais, reduzindo interrupções no tratamento.
No caso de Iracema, a adoção de hábitos mais saudáveis marcou uma virada no enfrentamento da doença. Após concluir as quimioterapias e manter o uso de medicamentos de rotina, ela intensificou os exercícios físicos e reorganizou a alimentação. Hoje, relata que a mudança de estilo de vida trouxe mais disposição, liberdade e a percepção de que é possível viver bem, mesmo diante de um diagnóstico oncológico.
Com informações da assessoria de imprensa.