Saúde e Bem-estar

Polilaminina: perguntas e respostas sobre eficácia

Saiba o que já se sabe — e o que ainda falta comprovar — sobre a polilaminina no tratamento de lesões medulares.

A foto mostra coluna vertebral alude à polilaminina
Fonte: Freepik

1- O que é a polilaminina e por que ela gera tanta repercussão?

A polilaminina ganhou destaque nas redes sociais e, por isso, despertou esperança em pacientes com lesão medular. No entanto, especialistas alertam que os dados ainda permanecem limitados. Embora relatos circulem com frequência, pesquisadores ainda não concluíram as fases formais de testes clínicos.

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Além disso, a autorização recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para a fase 1 ampliou o debate público. Consequentemente, pacientes passaram a buscar a substância por vias judiciais. Entretanto, a ciência exige etapas rigorosas antes de confirmar eficácia e segurança.

Leia também – Polilaminina e lesão medular: estudo gera debate científico

A molécula deriva da laminina, proteína natural presente no corpo humano. A laminina organiza tecidos e sustenta células. No sistema nervoso, ela orienta neurônios e estimula o crescimento dos axônios. Portanto, pesquisadores investigaram seu potencial regenerativo.

A equipe liderada por Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, modificou a proteína por polimerização. Assim surgiu a polilaminina. Em estudos com ratos, cientistas observaram melhora motora após lesão medular. Contudo, resultados em animais não garantem efeito idêntico em humanos.

2- A polilaminina já foi testada em humanos?

Sim, pesquisadores realizaram um estudo piloto entre 2016 e 2021. Eles aplicaram a substância em 10 pacientes com lesão medular aguda. No entanto, o teste teve caráter experimental e amostra reduzida.

Dos participantes, cinco apresentaram alguma melhora. Um voltou a andar. Entretanto, outros morreram por causas não relacionadas à molécula, segundo avaliadores externos. Ainda assim, o estudo não passou por revisão por pares. Portanto, a comunidade científica aguarda publicação formal para validar métodos e conclusões.

3- Existem estudos para lesão medular crônica?

Pesquisadores testaram a polilaminina apenas em um estudo pequeno com cães. O trabalho saiu na Frontiers in Veterinary Science. Os cientistas aplicaram a substância junto com fisioterapia.

Embora tenham observado discreta melhora, o estudo não incluiu grupo controle. Além disso, a amostra foi pequena. Dessa forma, não é possível afirmar se a melhora ocorreu pela molécula, pela reabilitação ou por ambos.

4- Os testes clínicos oficiais já começaram?

Ainda não. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou apenas a fase 1. Essa etapa avaliará segurança em cinco pacientes com lesão medular aguda recente.

A farmacêutica Cristália patrocina o estudo. Além disso, hospitais como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo participarão da aplicação. Para reabilitação, pacientes contarão com apoio da AACD.

5- O que é uso compassivo e por que ele preocupa?

Após a autorização da fase 1, pacientes recorreram à Justiça para solicitar a substância. Esse mecanismo configura uso compassivo. Ele permite acesso a tratamentos ainda não registrados.

Segundo a Anvisa, essa modalidade atende casos graves sem alternativa terapêutica. Contudo, especialistas alertam que o uso antes da conclusão da fase 1 envolve riscos. Sem protocolo padronizado, resultados variam e dificultam conclusões confiáveis.

6- Relatos nas redes sociais provam que funciona?

Não. Pacientes em uso compassivo não seguem critérios uniformes. Além disso, parte das lesões pode melhorar espontaneamente. Estudos indicam recuperação parcial em 10% a 30% dos casos.

Portanto, apenas ensaios clínicos controlados conseguem comprovar segurança e eficácia. A própria Anvisa reforça que todas as fases precisam ocorrer antes de qualquer conclusão definitiva.

7- O que falta para saber se a polilaminina funciona?

A ciência precisa concluir as fases 1, 2 e 3. Em seguida, pesquisadores independentes devem revisar os dados. Só então a comunidade científica poderá validar resultados.

Sem revisão por pares, o público depende apenas do relato dos autores. Por isso, embora a esperança exista, a confirmação científica ainda aguarda evidências robustas.

Com base em informações do portal Terra.

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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.