Descubra quem foi ‘Caramba’: a história do homem que desbravou o morro
Sebastião Venceslau, o ‘Caramba’, veio sozinho de Matias Barbosa, em Minas Gerais, para Cachoeiro de Itapemirim, aos 12 anos

Mas, afinal, quem foi o ‘Caramba’? Filho de escravos, Sebastião Venceslau, o ‘Caramba’, veio sozinho de Matias Barbosa, em Minas Gerais, para Cachoeiro de Itapemirim, aos 12 anos, logo após a abolição da escravidão no Brasil.
Já no município, se instalou no ponto mais alto do morro do bairro Alto São Geraldo. Lá, constituiu sua família. “Quando ele chegou, começou a trabalhar para a família Speroto. Nessa época, ele gostava de caçar e ia até o alto do morro. Foi lá que encontrou essa área e decidiu morar”, conta o neto, Geraldo Correia, conhecido como ‘Tibino’, de 71 anos.

‘Caramba’ se casou duas vezes. No primeiro casamento, teve três filhos: Colodino, Maria Rosa e Luzia. Essa última foi criada por outra família. Todos já faleceram. No segundo casamento, com Filisminda, teve uma única filha: Antônia, mãe de ‘Tibino’, que faleceu um ano após a morte do pai. Filisminda morreu cega aos 85 anos, em 1981.
Incêndio
“Meu avô construiu uma casa simples, com três cômodos e chão de terra batida. Como lá fazia muito frio, ele tinha o costume e acender uma fogueira no meio da sala para aquecer o imóvel. Um dia, ele precisou de mais lenha para manter o fogo aceso e saiu na mata para buscar. Quando voltou, o fogo tinha tomado toda a casa, que foi completamente destruída. Ele perdeu tudo. O que chamou a atenção na ocasião foi a imagem de Nossa Senhora da Penha que ele tinha em casa e permaneceu intacta na chama”, relembra ‘Tibino’.
Geraldo explica que o avô perdeu tudo no incêndio, mas com a ajuda de amigos e pessoas, que já visitam o local naquela época, a casa foi reconstruída e ‘Caramba’ retornou para o local, onde permaneceu até mais de 100 anos. “Por conta do difícil acesso, não tínhamos mais como deixá-lo lá em cima, e o trouxemos para nossa casa, onde ele viveu seus últimos anos”, detalhe. Sebastião Venceslau morreu aos 115 anos, em 1978.
Segundo Geraldo, após a morte de ‘Caramba’, a família não retornou mais ao imóvel, que foi destruído pela ação do tempo. Atualmente, o mato tomou conta das ruínas, mas é possível encontrar a localização e uma nascente, que permanece intacta na região e abastecia a casa.
“Até meus sete anos, morei com meu avô. Depois, tive que descer para a cidade, por conta dos estudos. Tenho orgulho das lembranças que tenho e sinto saudades. Aprendi muito com ele e sei que está feliz com essas visitas que os turistas fazem ao local diariamente. Ele deixou um legado: desbravou o morro que hoje leva seu nome. Ele merece essa homenagem”, completa Geraldo.
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