Layandra enfrenta câncer e muda a visão de todos; leia entrevista

O melanoma de coroide é um câncer ocular raro, silencioso e perigoso. Ele nasce na coroide, uma camada vascular do olho. Esse tipo de tumor é o maligno intraocular mais comum em adultos, mas ainda assim é extremamente raro. Muitas vezes, em seus estágios iniciais, não provoca sintomas visíveis. Por isso, exames de rotina com oftalmologista são essenciais.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiNo caso da bióloga Layandra Santana, de Cachoeiro de Itapemirim, os primeiros sinais foram sutis, mas não passaram despercebidos. Ela percebeu algo errado e fez o que todos deveriam fazer: procurou um médico. O diagnóstico foi rápido, porém devastador — melanoma de coroide no olho direito.
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O tratamento indicado é uma cirurgia complexa e urgente que custa cerca de R$ 70 mil, o que motivou uma campanha solidária para arrecadar fundos. Em tempo, ela expressa imensa gratidão a todos e afirma que fechará, de forma ética, a “vaquinha”, pois praticamente, o valor necessário foi atingido. Confira entrevista de Layandra ao Viva Vida:
1. Como foi o impacto da descoberta da doença em sua rotina e em sua concepção de vida?
Eu nunca fui uma pessoa de ficar parada… Estava vivendo uma fase de crescimento pessoal e profissional. Então, de repente, a vida me forçou a parar. Minha rotina foi de 100 a 0 em muito pouco tempo. Mesmo assim, sempre que posso, tento ajudar o salão a distância. Tudo isso mudou completamente a minha concepção de vida. Aprendi que precisamos desacelerar, olhar para nós mesmos e nos colocar como prioridade.
2. Quais fases você tem vivido nessa luta e quais serão as próximas?
Tenho vivido fases intensas: dúvida, investigação, diagnóstico, cirurgia e agora recuperação. Cada etapa trouxe desafios físicos e emocionais. Hoje vivo a fase do cuidado diário. Tenho fé e certeza de que vou vencer. Nos próximos anos, voltarei com frequência à clínica para acompanhamento. Quero retomar a academia, cursos e meus projeto
3. Como foi a decisão de pedir ajuda e iniciar essa mobilização solidária?
Eu nunca fui de me expor nas redes. Pedir ajuda publicamente só aconteceu porque eu precisava. Foi difícil, mas necessário. Ver tantas pessoas ajudando e orando foi indescritível — uma demonstração enorme de solidariedade e amor ao próximo.
4. O que os médicos explicaram sobre a cirurgia e as chances de recuperação?
Os médicos disseram que as chances são muito positivas: cerca de 98% de cura, ainda mais por o diagnóstico ter sido precoce. A cirurgia é delicada porque o olho é um órgão sensível. Foi implantada uma placa que libera radiação para o tratamento. No pós-operatório, vou todos os dias à clínica para curativos, usar pomadas e colírios. Preciso manter isolamento para reduzir riscos.
5. Que mensagem você gostaria de deixar?
Cuidem de vocês. Não deixem que a correria e a rotina intensa façam vocês se colocarem em segundo plano. Façam exames de rotina, observem os sinais do corpo e consultem um oftalmologista ao menos uma vez por ano. E, acima de tudo, deixo minha eterna gratidão a todos que ajudaram, oraram e estenderam a mão.
Diagnósticos não definem pessoas
Layandra enfrenta um diagnóstico que não a define, mas a abala intensamente. A notícia interrompe planos, muda rotinas e impõe pausas. Ainda assim, ela segue em frente, mesmo com medo. Reconhece os limites do corpo, aprende a desacelerar e ressignifica prioridades. Entre incertezas e esperança, transforma a dor em força. O diagnóstico não apaga quem ela é, apenas revela coragem diante do inesperado.