Esportes

Marcha atlética não é apenas "andar rápido": veja as diferenças para a corrida

A principal diferença técnica reside na forma como os pés interagem com o pavimento.

Marcha atlética
Foto: Freepik

Muitas pessoas acreditam que a velocidade define a fronteira entre a corrida e a marcha atlética. No entanto, a ciência do esporte revela que a distinção vai muito além do cronômetro. Embora ambos utilizem a locomoção sobre duas pernas, as “regras do jogo” e a biomecânica são mundos à parte.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aqui

Leia também: Você sabe quais as diferenças entre caminhada e corrida?

A regra de ouro: o contato com o solo

A principal diferença técnica reside na forma como os pés interagem com o pavimento. Na corrida, existe o chamado momento de suspensão. Nesse instante, o atleta perde o contato com o chão por milissegundos. É a famosa fase de voo que caracteriza o salto contínuo do corredor.

Em contrapartida, a marcha atlética exige o contato ininterrupto. As normas da modalidade determinam que, aos olhos humanos, um dos pés deve estar sempre tocando o solo. Consequentemente, se o marchador perder essa conexão, ele comete uma infração grave. Essa falha é conhecida tecnicamente como loss of contact.

O desafio da perna estendida

Além do contato constante, o posicionamento das articulações separa os dois esportes. Durante a corrida, o atleta geralmente mantém o joelho flexionado ao atingir o chão. Essa dobra natural ajuda a absorver o impacto constante contra o asfalto.

Por outro lado, o marchador enfrenta uma exigência rigorosa de extensão. A perna de apoio deve permanecer totalmente reta desde o primeiro toque no solo. Essa rigidez dura até que o membro passe pela linha vertical do corpo. Portanto, o movimento exige uma técnica apurada e muita disciplina muscular.

Dinâmica do quadril e eficiência energética

A estética da marcha atlética frequentemente chama a atenção pelo movimento acentuado do quadril. Essa rotação pélvica não é apenas visual. Ela serve para compensar a impossibilidade de dobrar o joelho ou saltar. Os marchadores giram o quadril para ganhar amplitude na passada de forma eficiente.

Ademais, o trabalho dos braços também se diferencia. Enquanto o corredor busca propulsão vertical, o marchador utiliza os braços em um ritmo mais baixo. Esse equilíbrio sustenta a rotação intensa do corpo.

Impacto e complexidade técnica

Sob a perspectiva da saúde, a corrida gera um impacto significativo. Cada passo pode representar até quatro vezes o peso do corpo do atleta. Já a marcha atlética reduz esse choque direto, pois não há a fase de salto. Todavia, o estresse nas articulações do tornozelo e quadril permanece elevado devido à repetição mecânica.

Em velocidades reduzidas, caminhar gasta menos energia. Contudo, em ritmos de elite, a marcha se torna extremamente exaustiva. Manter a técnica correta acima de 14 km/h exige um esforço cardiovascular e coordenativo superior ao da corrida convencional.

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726

Formada em Licenciatura Letras Português/Literatura. Experiência com assessoria pública e gestão administrativa. Atua na parte esportiva do Aqui Notícias e é cooperadora do podcast esportivo: Linha de Fundo, apresentado toda segunda, quarta e sexta.