Silicone em alerta: quando inchaço tardio pode indicar risco à saúde
O caso chama a atenção para a importância de observar sinais do corpo e buscar avaliação médica diante de alterações inesperadas, mesmo anos após o procedimento.

O diagnóstico divulgado por uma influenciadora nesta semana reacendeu o debate sobre cuidados contínuos com a saúde após cirurgias estéticas. O caso chama a atenção para a importância de observar sinais do corpo e buscar avaliação médica diante de alterações inesperadas, mesmo anos após o procedimento.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA comediante Evelin Camargo usou as redes sociais para relatar que recebeu o diagnóstico de um tumor raro associado ao implante de silicone. Segundo ela, a decisão de tornar o caso público tem caráter informativo e busca alertar outras pessoas, sem provocar medo ou desinformação.
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“Há uma semana fui diagnosticada com linfoma anaplásico de grandes células causado pelo implante de silicone”, afirmou. De acordo com o relato, o seio esquerdo apresentou aumento repentino de volume. Diante da mudança, ela procurou atendimento hospitalar imediatamente. Inicialmente, a equipe médica suspeitou de ruptura da prótese.
Linfoma no implante de mama
Evelin explicou que realizou uma cirurgia de redução de mama em dezembro de 2019 e optou por próteses pequenas, com finalidade estética e de modelagem. No entanto, seis anos depois, em dezembro de 2025, percebeu o inchaço súbito, o que motivou a investigação clínica.
A ressonância magnética indicou que a prótese permanecia intacta. Contudo, os exames identificaram a presença de um líquido ao redor do implante, conhecido como seroma tardio. Posteriormente, exames complementares confirmaram o diagnóstico de linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, o BIA-ALCL.
Embora a alteração ocorra na região das mamas, médicos esclarecem que não se trata de câncer de mama. O BIA-ALCL é um tipo de linfoma, ou seja, um câncer que se desenvolve no sistema linfático e pode surgir no tecido ao redor da prótese.
Tratamento e o que é o BIA-ALCL?
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde em 2016, a doença é considerada rara. Além disso, os estudos apontam maior associação com implantes de superfície texturizada. O risco estimado varia de um caso a cada 2.200 até um a cada 86 mil mulheres com esse tipo de prótese.
Até 2020, a agência reguladora dos Estados Unidos, FDA, registrou 773 casos e 36 mortes no mundo, em sua maioria relacionadas a diagnósticos tardios. Em geral, os sintomas surgem entre oito e dez anos após a cirurgia, embora possam aparecer antes.
Alerta e prevenção
Ao comentar o caso, a influenciadora reforçou que não pretende desencorajar o uso de implantes mamários. No entanto, ela defende a vigilância constante. Segundo Evelin, sinais como inchaço repentino, dor, endurecimento ou mudanças no formato da mama devem motivar a procura imediata por um médico.
“Tenho certeza de que só conseguimos identificar rápido porque, no primeiro dia em que o seio inchou, fui ao hospital”, relatou.
Especialistas reforçam que o acompanhamento médico periódico e a atenção aos sinais do corpo são medidas fundamentais para a detecção precoce de alterações e para a preservação da saúde a longo prazo.