Doença de Raynaud: frio intenso pode revelar problema circulatório silencioso
Alteração na circulação sanguínea provoca mudança de cor nos dedos, dor e dormência, principalmente durante o inverno

Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitas pessoas percebem que os dedos das mãos e dos pés ficam mais frios que o normal. No entanto, quando essas extremidades mudam de cor, apresentam dormência, formigamento e dor, os sintomas podem indicar a Doença de Raynaud, um distúrbio circulatório que merece atenção médica.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiSegundo informações do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), a condição é caracterizada por espasmos temporários das pequenas artérias, reduzindo o fluxo de sangue principalmente para mãos e pés. Em algumas situações, nariz, lábios e orelhas também podem ser afetados.
De acordo com o angiologista e cirurgião vascular Jamil Jorge Abou Mourad, do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, as crises costumam ser desencadeadas pela exposição ao frio intenso ou por situações de estresse emocional.
“A Síndrome de Raynaud é uma condição caracterizada por espasmos nas artérias, que reduzem temporariamente o fluxo sanguíneo, principalmente nas mãos e nos pés”, explica o especialista, em informações divulgadas pelo Hospital de Caridade São Vicente de Paulo.
O que é a Doença de Raynaud?
A Doença de Raynaud, também conhecida como Fenômeno de Raynaud quando está relacionada a outras doenças, provoca um estreitamento exagerado dos vasos sanguíneos das extremidades do corpo.
Como consequência, o sangue chega em menor quantidade aos dedos, provocando alterações características na coloração da pele.
A sequência mais comum é:
- dedos ficam brancos;
- depois assumem coloração azulada;
- por fim, tornam-se avermelhados quando a circulação é restabelecida.
Esse processo pode durar alguns minutos ou persistir por horas, dependendo da intensidade da crise.
Principais sintomas
Conforme o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, os sintomas mais frequentes incluem:
- mudança na cor dos dedos das mãos e dos pés;
- sensação intensa de frio;
- dormência;
- formigamento;
- queimação;
- dor durante ou após as crises.
Nos casos mais graves, especialmente quando a doença está associada a enfermidades autoimunes, podem surgir úlceras dolorosas e feridas de difícil cicatrização.
Frio é o principal gatilho
O inverno representa o período de maior incidência das crises.
Segundo o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, o frio provoca contração dos vasos sanguíneos, aumentando a possibilidade de espasmos nas artérias em pessoas predispostas à doença. O estresse emocional também pode desencadear episódios semelhantes.
Quando a doença merece investigação
Ainda segundo o especialista ouvido pelo Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, a doença costuma surgir de forma isolada em pessoas jovens.
Entretanto, quando os sintomas aparecem após os 50 anos, é importante investigar possíveis doenças reumatológicas ou autoimunes, já que podem indicar o chamado Raynaud secundário.
Entre as doenças frequentemente associadas estão:
- lúpus;
- esclerodermia;
- artrite reumatoide.
Nesses casos, o acompanhamento médico torna-se ainda mais importante para evitar complicações.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico costuma ser clínico.
De acordo com o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, o médico avalia principalmente o histórico apresentado pelo paciente, a ocorrência das crises relacionadas ao frio e as alterações características na coloração da pele.
Quando necessário, exames complementares podem ser solicitados para identificar doenças associadas.
Existe tratamento?
Sim.
Segundo informações divulgadas pelo Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, os casos leves normalmente exigem apenas acompanhamento médico e mudanças de hábitos.
Já pacientes com sintomas persistentes ou doenças associadas podem precisar de medicamentos vasodilatadores para melhorar a circulação.
Como prevenir novas crises
Especialistas do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo orientam algumas medidas simples para reduzir a frequência das crises:
- evitar exposição prolongada ao frio;
- usar luvas, meias e roupas adequadas durante o inverno;
- manter mãos e pés aquecidos;
- evitar traumas repetitivos nas extremidades;
- procurar avaliação médica caso as crises sejam frequentes ou dolorosas.
Quando procurar atendimento médico
A recomendação é procurar um médico quando:
- os episódios se tornam frequentes;
- surgem feridas ou úlceras nos dedos;
- há dor intensa;
- apenas uma mão ou poucos dedos são afetados;
- os sintomas começam após os 50 anos.
O diagnóstico precoce pode ajudar a identificar doenças associadas e reduzir o risco de complicações circulatórias.
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