Burnout: aprenda estratégias para aliviar o estresse e evitar o esgotamento
Os afastamentos por burnout cresceram 296% entre 2023 e 2025, segundo os dados citados na pauta. Veja sinais de alerta e estratégias para lidar com o estresse.

Cansaço constante, dificuldade para se concentrar e sensação de não conseguir dar conta das tarefas podem indicar que a rotina de trabalho ultrapassou os limites do corpo e da mente. Por isso, é fundamental conhecer estratégias para prevenir o burnout. Quando o estresse profissional se prolonga, o descanso deixa de trazer alívio suficiente e a saúde pode sofrer consequências.
No Brasil, os afastamentos do trabalho relacionados à síndrome de burnout aumentaram 296% entre 2023 e 2025, passando de 1.760 para 6.985 casos, segundo os dados citados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) e pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
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O levantamento considera afastamentos superiores a 15 dias. Portanto, não abrange todos os episódios de esgotamento relacionados ao trabalho.
Diante desse cenário, pequenas mudanças na rotina podem ajudar a lidar com o estresse. No entanto, essas medidas não substituem o acompanhamento profissional nem resolvem, sozinhas, condições de trabalho que favorecem o adoecimento.
O que é burnout e como reconhecer os sinais?
A síndrome de burnout, também chamada de síndrome do esgotamento profissional, resulta do estresse crônico no trabalho que a pessoa não conseguiu administrar adequadamente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o burnout como um fenômeno ocupacional, relacionado especificamente ao contexto profissional.
A condição envolve três características principais: exaustão, distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.
Na prática, alguns sinais merecem atenção:
- Cansaço físico e mental persistente.
- Dificuldade para se concentrar e concluir tarefas.
- Irritabilidade e perda de motivação.
- Sensação de incapacidade diante das demandas profissionais.
- Distanciamento emocional do trabalho.
- Alterações no sono e dificuldade para se recuperar após o expediente.
Esses sintomas também podem aparecer em outras condições de saúde. Por isso, a avaliação profissional ajuda a identificar a causa e orientar os cuidados necessários.
Como a neurociência ajuda a lidar com o estresse?
O estresse é uma resposta natural do organismo diante de desafios. Entretanto, quando a tensão permanece por muito tempo, pode prejudicar o sono, a atenção, a memória e a regulação emocional.
Algumas práticas ajudam a reduzir a tensão cotidiana e organizar melhor as demandas. Veja cinco estratégias que podem contribuir para o bem-estar.
1. Faça pausas para respirar conscientemente
Em momentos de tensão, interrompa a atividade por alguns instantes e concentre-se na respiração. Inspire e expire lentamente, sem forçar o ritmo.
Uma opção é inspirar por quatro segundos e soltar o ar por seis, repetindo o ciclo confortavelmente. Essa prática pode ajudar a diminuir a agitação e favorecer o relaxamento.
A técnica respiratória, porém, não trata o burnout. Se provocar tontura ou desconforto, retome a respiração habitual.
2. Reavalie a maneira de encarar os desafios
Pensamentos como “não vou conseguir terminar nada” podem aumentar a sensação de sobrecarga. Em vez disso, tente identificar o que precisa de atenção imediata e o que pode esperar.
Essa mudança não significa ignorar dificuldades reais. O objetivo é distinguir o que está sob seu controle e reconhecer quando você precisa negociar prazos, pedir ajuda ou rever prioridades.
3. Proteja o sono e os períodos de descanso
O sono participa da recuperação física e mental. Por isso, procure manter horários regulares para dormir e acordar, sempre que a rotina permitir.
Também reserve pausas durante o expediente e momentos de descanso fora do trabalho. Reduzir o uso de telas antes de dormir pode ajudar algumas pessoas a relaxar.
Ainda assim, dificuldades persistentes para dormir merecem atenção, especialmente quando afetam a disposição e o funcionamento diário.
4. Divida tarefas grandes em etapas menores
Listas extensas podem aumentar a impressão de que o trabalho nunca termina. Para tornar as demandas mais administráveis, transforme objetivos amplos em pequenas tarefas, com prioridades e prazos realistas.
Concluir uma etapa permite visualizar o progresso e reorganizar o restante do trabalho. No entanto, a estratégia precisa vir acompanhada de uma carga de atividades compatível com o tempo disponível.
Organização pessoal não substitui condições adequadas de trabalho. Excesso de demandas, jornadas prolongadas e falta de autonomia também precisam de soluções coletivas.
5. Fortaleça as relações de apoio
Conversar com pessoas de confiança pode ajudar a enfrentar períodos difíceis. No ambiente profissional, relações respeitosas e lideranças abertas ao diálogo favorecem a identificação de problemas antes que se agravem.
Se estiver sobrecarregado, procure compartilhar as dificuldades com alguém de confiança e avaliar possibilidades de mudança na rotina.
Empresas também têm responsabilidade nesse processo. Distribuir tarefas de maneira equilibrada, prevenir situações de assédio e respeitar os períodos de descanso são medidas importantes para reduzir riscos ocupacionais.
Quando procurar ajuda para o burnout?
Se o cansaço persiste, o trabalho provoca sofrimento intenso ou os sintomas prejudicam a vida cotidiana, procure atendimento de saúde. Psicólogos e médicos podem avaliar o quadro e indicar o tratamento adequado.
Não espere chegar ao limite para pedir ajuda. Em alguns casos, o tratamento inclui psicoterapia, acompanhamento médico e mudanças nas condições profissionais.
As cinco estratégias podem ajudar no manejo do estresse diário, mas não eliminam as causas do esgotamento quando o ambiente de trabalho permanece prejudicial.
Prevenir o burnout exige atenção aos próprios limites, apoio profissional quando necessário e condições de trabalho que permitam conciliar responsabilidades, descanso e saúde.
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