Canetas emagrecedoras e pancreatite: alertas reacendem debate
Autoridades investigam possível associação entre GLP-1 e pancreatite, mas risco segue considerado raro.

O uso de canetas emagrecedoras cresceu rapidamente no Brasil e no exterior. Esses medicamentos, que imitam o hormônio GLP-1, tratam obesidade e diabetes tipo 2. Além disso, eles ajudam no controle do apetite e da glicemia. No entanto, novos alertas reacenderam preocupações. Autoridades passaram a investigar possível ligação com pancreatite aguda.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiNos últimos dias, órgãos reguladores do Reino Unido e do Brasil intensificaram a vigilância. Eles analisam notificações de inflamação no pâncreas em usuários desses fármacos. Entretanto, especialistas ainda não confirmam relação causal direta. Portanto, o debate exige cautela, dados robustos e análise técnica detalhada.
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O que motivou os alertas internacionais?
O Reino Unido reforçou o monitoramento de medicamentos análogos de GLP-1. Desde 2007, autoridades britânicas registraram 19 mortes por pancreatite em usuários. Além disso, quase 1,3 mil casos de inflamação foram notificados no período.
No Brasil, registros oficiais apontaram seis mortes entre 2020 e 2025. Também surgiram 145 notificações de pancreatite associadas ao uso desses medicamentos. Contudo, agências sanitárias destacam que notificação não comprova causa direta. Ou seja, o evento pode ter ocorrido por outros fatores clínicos.
Risco é considerado raro, dizem especialistas
Apesar dos números chamarem atenção, o total de usuários supera amplamente os casos notificados. Somente na Grã-Bretanha, cerca de 1,6 milhão de adultos usaram medicamentos com GLP-1 entre 2024 e 2025. Portanto, proporcionalmente, o risco permanece baixo.
Além disso, obesidade e diabetes tipo 2 já aumentam o risco de pancreatite. Assim, muitos pacientes tratados apresentam fatores predisponentes independentes do medicamento. Consequentemente, diferenciar coincidência de efeito adverso exige estudos mais detalhados.
Outro ponto relevante envolve o sistema de farmacovigilância. Ele recebe notificações voluntárias. Por isso, nem sempre estabelece relação direta entre causa e efeito. Ainda assim, autoridades mantêm monitoramento rigoroso.
O que dizem os estudos científicos?
Pesquisas apresentam resultados variados. Uma metanálise publicada em 2025 reuniu 62 ensaios clínicos randomizados. O estudo indicou pequeno aumento no risco de pancreatite entre usuários de GLP-1.
Por outro lado, outras revisões não encontraram associação significativa. Um estudo amplo com quase 164 mil pessoas com diabetes tipo 2 não identificou diferença nas taxas de pancreatite. Portanto, as evidências permanecem mistas.
Especialistas consideram o conjunto de dados, até agora, tranquilizador. Contudo, recomendam acompanhamento contínuo. Afinal, o uso desses medicamentos expandiu rapidamente nos últimos anos.
Possíveis explicações para os casos
Pesquisadores avaliam hipóteses adicionais. A perda de peso acelerada pode favorecer formação de cálculos biliares. Esses cálculos representam causa frequente de pancreatite aguda. Assim, o efeito pode ocorrer de forma indireta.
Além disso, autoridades britânicas investigam fatores genéticos. Alguns pacientes podem apresentar maior suscetibilidade à inflamação pancreática. Se confirmarem essa hipótese, médicos poderão identificar grupos de risco antes da prescrição.
Como pacientes devem agir?
Especialistas orientam que pacientes não interrompam o tratamento sem avaliação médica. Primeiramente, é essencial discutir riscos individuais. Além disso, sintomas como dor abdominal intensa e persistente exigem atenção imediata.
Em síntese, o debate sobre canetas emagrecedoras e pancreatite continua aberto. Embora o risco pareça raro, autoridades mantêm vigilância ativa. Portanto, decisões devem equilibrar benefícios comprovados e possíveis eventos adversos.
Com base em informações do portal Metrópoles.
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