Saúde mental no SUS: empresa capixaba propõe virada digital
Modelo capixaba propõe reorganizar a Atenção Primária do SUS com triagem estruturada e tratamento digital escalonado em saúde mental.

A saúde mental no Brasil enfrenta um paradoxo evidente. Nunca debatemos tanto o enfrentamento de ansiedade, estresse e depressão. No entanto, o sistema público continua sobrecarregado. Além disso, filas crescem e encaminhamentos perdem organização. Consequentemente, casos leves e moderados não chegam ao sistema para impedir seu agravamento. Quando chegam, ocupam tempo e espaço que deveriam atender quadros graves.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiDiante desse cenário, surge uma pergunta direta: O SUS pode organizar melhor a base do cuidado? Uma empresa capixaba, a Cognera Saúde Mental Digital, nas figuras do Dr. Elizeu Borloti – PhD em Psicologia, com estágio acadêmico nos EUA (WVU e Harvard) e professor titular da UFES há três décadas – e Ricardo Busato – formado em Ciência da Computação pela UFES, com mais de 20 anos em desenvolvimento de sistemas e aplicativos em variados setores – acredita que sim. Por isso, apresentou, via edital, ao SUS Digital, modelo estruturado de uma solução.
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A proposta objetiva reorganizar a saúde mental na Atenção Primária. Assim, busca transformar um sistema reativo em preventivo.
O foco é a criação de um ecossistema integrado. O modelo combina tecnologia, protocolo clínico e governança assistencial. Além disso, prioriza intervenção precoce e cuidado escalonado. O ecossistema oferece abordagens informatizadas validadas para sintomas leves a moderados e pode complementar ou anteceder terapias presenciais. Em casos mais complexos, o encaminhamento adequado é indicado.
O sistema reúne três pilares centrais:
- Triagem psicológica e psicossocial estruturada
- Tratamento digital personalizado de automudança
- Rede nacional de psicólogos especializados em protocolo breve-focal
1 – Um sistema de automudança estruturado — não autoajuda
Primeiramente, o modelo organiza a entrada do paciente. Quando a triagem identifica quadros leves ou moderados, a terapia guiada pelo sistema é indicada por critérios clínicos. O usuário inicia um percurso terapêutico digital estruturado em saúde. Não recebe orientação genérica de autocuidado.
A partir da estratificação funcional realizada pelo TRIA-BF®, o sistema define um plano personalizado. Dessa forma, oferece ferramentas práticas e baseadas em evidências:
- Ativação comportamental
- Treino de enfrentamento ao estresse
- Regulação emocional
- Treino de assertividade
- Estratégias de solução de problemas
- Organização de rotina e adesão ao tratamento
Importante destacar: o sistema não utiliza chatbot. Também não entrega vídeos motivacionais soltos. E não é guiado por algoritmos de inteligência artificial. Além disso, não aplica conteúdo padronizado para todos.
O modelo aplica um percurso personalizado para cada pessoa a partir de regras clínicas parametrizáveis. Consequentemente, estimula mudança concreta de emoções, pensamentos e ações. Assim, o paciente assume papel ativo no processo. Ao mesmo tempo, recebe método, estrutura e monitoramento contínuo.
2 – Rede de psicólogos especializados em protocolo breve-focal
Quando a triagem aponta maior complexidade do caso e identifica baixa resposta às intervenções digitais, o paciente acessa a Rede Cognera TBF Online.
A rede reúne psicólogos certificados em protocolo breve-focal de direito autoral da Empresa. O modelo organiza ciclos de 8 a 16 sessões com metas clínicas definidas. Portanto, oferece telepsicoterapia estruturada, não apenas prontoatendimento remoto.
A rede opera com:
- Supervisão clínica contínua
- Monitoramento estruturado de desfechos
- Governança assistencial
- Redução de variabilidade técnica
Consequentemente, amplia cobertura territorial. Além disso, absorve demanda reprimida. Dessa forma, promove prevenção de agravos e reduz filas com organização técnica e padronização.
3 – A possível “virada de jogo” no SUS
A proposta não substitui CAPS nem ambulatórios. Pelo contrário, reorganiza fluxos. Atualmente, casos leves e moderados, quando chegam ao SUS, sobrecarregam a sua base – a Atenção Primária. Enquanto isso, quadros graves aguardam atendimento especializado.
O modelo propõe:
- Triagem estruturada na Atenção Primária
- Tratamento digital imediato quando indicado
- Encaminhamento racional de casos complexos
- Monitoramento de indicadores assistenciais
- Integração com e-SUS APS (sistema de registro eletrônico da unidade de saúde) e preparação para RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde)
Se validado em projeto-piloto, o sistema pode:
- Reduzir filas
- Fortalecer a APS como coordenadora do cuidado
- Diminuir agravamentos evitáveis
- Gerar dados epidemiológicos organizados
- Ampliar acesso com baixo custo marginal
Assim, o SUS pode migrar de modelo reativo para gestão preventiva e inteligente.
4 – Ciência, inovação e parceria público-privada
A proposta nasce de articulação institucional robusta. O projeto integra a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) e o FINDESLAB.
Além disso, combina engenharia tecnológica especializada e pesquisa em psicologia aplicada em larga escala. Portanto, une ciência, inovação digital e política pública. Dessa forma, posiciona-se como infraestrutura estratégica para o SUS Digital.
5 – A pergunta que fica
O Brasil enfrenta explosão de sofrimento emocional. Ao mesmo tempo, recursos permanecem limitados. Diante disso, o SUS deve manter modelo de cuidado em saúde mental tradicional fragmentado? Ou deve estruturar uma base digital inteligente com foco na prevenção?
A Cognera aposta na reorganização da Atenção Primária em Saúde Mental. Consequentemente, propõe cuidado escalonado, monitorado e orientado por dados. Agora, o debate segue aberto.
Com base em informações cedidas pelo Dr. Elizeu Borloti.
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