Amamentar pode reduzir risco de infarto e AVC nas mulheres
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, mulheres que amamentam apresentam menor risco de doenças cardiovasculares, infarto e acidente vascular cerebral.

A amamentação oferece benefícios importantes para o bebê, mas também contribui para a saúde da mãe. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mulheres que amamentam apresentam cerca de 11% menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação às que não amamentam.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO período de aleitamento influencia essa proteção. Estudos analisados pela entidade consideram, principalmente, mulheres que amamentaram por aproximadamente 18 meses ao longo da vida.
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De acordo com a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita, a amamentação mais prolongada está associada à redução de 12% no risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de 14% na possibilidade de infarto.
A cardiologista ressalta, porém, que os dados não significam que mulheres que não amamentaram tenham automaticamente maior risco de desenvolver essas doenças.
Lactação ajuda o organismo após a gravidez
Durante a gestação, o corpo feminino passa por diversas alterações hormonais e metabólicas. Entre elas estão o aumento da resistência à insulina e a elevação dos níveis de lipídios e colesterol, principalmente o LDL, conhecido como colesterol ruim.
Na fase de lactação, o organismo passa por uma espécie de reorganização metabólica. A produção de leite utiliza glicose e reservas de gordura acumuladas durante a gravidez.
Esse processo melhora a sensibilidade à insulina, ajuda a regular o açúcar no sangue e pode reduzir o risco de diabetes.
A amamentação também pode contribuir para a diminuição da pressão arterial e da frequência cardíaca. Dessa forma, o coração trabalha com menos esforço para bombear o sangue.
Hormônios ajudam a proteger o coração
Durante a lactação, o organismo libera hormônios como ocitocina, prolactina, glicocorticoides, grelina e hormônio do crescimento.
Essas substâncias participam de processos que ajudam a proteger o músculo cardíaco contra possíveis lesões.
A ocitocina, conhecida popularmente como “hormônio do amor”, também favorece a dilatação dos vasos sanguíneos. O efeito melhora a circulação e contribui para o funcionamento da parede interna das artérias.
Segundo a especialista, a lactação ajuda a reorganizar parte das alterações metabólicas produzidas durante a gravidez. Esse mecanismo está relacionado à redução dos fatores de risco cardiovascular.
Doenças cardiovasculares afetam mulheres
As doenças cardiovasculares respondem por 33% das mortes entre mulheres, conforme os dados apresentados pela SBC.
Alexandra Mesquita destaca que problemas cardiovasculares provocam mais mortes femininas do que o câncer de mama.
Diabetes, pressão alta e sedentarismo aparecem entre os principais fatores de risco para homens e mulheres. Entretanto, algumas condições específicas do organismo feminino também exigem atenção.
Entre elas estão menstruação muito precoce ou tardia, menopausa antes dos 45 anos, endometriose, síndrome dos ovários policísticos e uso de anticoncepcionais orais.
Alterações durante a gravidez, como hipertensão gestacional, diabetes gestacional e nascimento de bebê com baixo peso, também podem aumentar o risco cardiovascular ao longo da vida.
Agosto Dourado reforça importância da amamentação
O Dia Internacional da Amamentação foi celebrado no sábado (1º). A data integra a campanha Agosto Dourado, dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno.
Em 2026, a Semana Mundial do Aleitamento Materno apresenta o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”.
A campanha global é coordenada pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA). A iniciativa busca promover, proteger e apoiar a amamentação como parte da construção de um futuro mais saudável para crianças, famílias e comunidades.
Benefícios para mães e crianças
A pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica, destaca diferentes benefícios da amamentação.
Entre eles estão a proteção contra doenças, a recuperação pós-parto, o desenvolvimento infantil, o fortalecimento do vínculo afetivo e a formação adequada dos dentes.
O aleitamento também contribui para a adaptação alimentar, a prevenção de alguns tumores, o planejamento familiar e a construção de hábitos alimentares.
Outro benefício está na redução de gastos, já que diminui a necessidade de comprar fórmulas e outros produtos para alimentação infantil.
Com informações: Agência Brasil
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