Saúde e Bem-estar

Ameba comedora de cérebros: não é filme B, é real. Veja sintomas e prevenção

A infecção pela "Naegleria fowleri" é rara, mas pode ser fatal. Saiba como ocorre a transmissão, quais são os sintomas e como prevenir.

A foto mostra uma das vítimas de maebas que atacam o cérebro
Fonte: Redes Sociais

Casos da rara infecção causada pela “Naegleria fowleri” chamam atenção em diferentes países. Apesar do risco muito baixo, conhecer as formas de prevenção pode salvar vidas.

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Brincar em lagos, rios e águas termais costuma fazer parte das férias de muitas famílias. No entanto, um organismo microscópico presente em algumas águas doces e quentes voltou a preocupar especialistas após o registro de novos casos em diferentes partes do mundo.

A “Naegleria fowleri”, conhecida popularmente como “ameba comedora de cérebros”, pode provocar uma infecção cerebral grave e de rápida evolução. Embora a doença seja extremamente rara, ela apresenta alta taxa de mortalidade. Por isso, médicos reforçam a importância da prevenção, principalmente durante atividades recreativas na água.

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O que é a ameba “comedora de cérebros”?

A “Naegleria fowleri” é um microrganismo que vive naturalmente em águas doces aquecidas, como lagos, lagoas, rios, fontes termais e piscinas sem tratamento adequado. Ao contrário do que muitos imaginam, a infecção não acontece ao beber água contaminada.

O problema surge quando a água entra com força pelas narinas durante mergulhos, saltos ou brincadeiras aquáticas. A ameba consegue alcançar o cérebro pelo nervo olfatório, onde provoca uma inflamação grave chamada meningoencefalite amebiana primária. Essa doença evolui rapidamente e exige atendimento médico imediato.

A ameba está se espalhando pelo mundo?

Especialistas observam o aumento de registros em regiões onde a infecção era considerada incomum. Isso pode ser epxlicado pelas mudanças geradas pelas crises climáticas.

Uma análise publicada em 2025 no periódico “Journal of Infection and Public Health” contabilizou 488 casos registrados no mundo entre 1962 e 2023. Historicamente, a maioria ocorreu nos Estados Unidos, Paquistão e Austrália.

Nos últimos anos, porém, países como Itália, Bélgica, Eslováquia e regiões mais frias dos Estados Unidos também notificaram casos. No Brasil, uma criança morreu em Rondônia, em abril deste ano, após contrair a infecção.

Pesquisadores acreditam que dois fatores explicam esse cenário:

  • o aumento da temperatura da água em razão das mudanças climáticas;
  • a melhoria dos métodos de diagnóstico, que facilita a identificação da doença.

Quais são os sintomas da infecção?

Os primeiros sinais costumam aparecer entre um e 12 dias após a exposição. Inicialmente, eles podem ser confundidos com meningite ou outras infecções. Os principais sintomas incluem:

  • dor de cabeça intensa;
  • febre;
  • náuseas e vômitos;
  • rigidez no pescoço;
  • sensibilidade à luz;
  • confusão mental;
  • alucinações;
  • convulsões;
  • sonolência.

Como a doença evolui rapidamente, qualquer pessoa que apresente esses sintomas após contato recente com água doce deve procurar atendimento médico imediatamente.

Crianças apresentam maior risco?

Sim. Especialistas explicam que crianças e adolescentes costumam brincar mais intensamente na água, mergulhar com frequência e realizar saltos que facilitam a entrada de água pelo nariz.

Além disso, alguns pesquisadores investigam se estruturas anatômicas mais jovens podem favorecer a passagem da ameba até o cérebro. Apesar disso, a infecção continua extremamente rara em qualquer faixa etária.

Existe tratamento?

Sim, mas o sucesso depende principalmente do diagnóstico precoce. Os médicos utilizam uma combinação de medicamentos para combater o parasita e controlar o inchaço cerebral. Historicamente, cerca de 97% dos casos evoluíram para óbito.

Entretanto, um estudo recente publicado na revista “Communications Medicine” trouxe uma notícia animadora. Durante um surto registrado no estado de Kerala, na Índia, mais da metade dos pacientes sobreviveu após receber diagnóstico rápido e tratamento precoce. Os pesquisadores acreditam que protocolos mais eficientes podem aumentar as chances de recuperação.

Como evitar a infecção pela “Naegleria fowleri”?

Embora o risco seja muito baixo, algumas medidas ajudam a reduzir ainda mais a possibilidade de contaminação:

1. Evite a entrada de água pelo nariz

Ao mergulhar em rios, lagos ou águas termais, procure usar um clipe nasal ou mantenha o nariz fechado durante o mergulho.

2. Tenha cuidado com águas doces aquecidas

O risco aumenta em locais de água parada, quente ou com pouca circulação, especialmente durante períodos de calor intenso.

3. Nunca utilize água da torneira na lavagem nasal

Os “Centros de Controle e Prevenção de Doenças” (CDC), dos Estados Unidos, recomendam utilizar apenas água destilada, esterilizada ou previamente fervida e resfriada para irrigação nasal.

A orientação vale para frascos usados no tratamento de sinusite, rinite e alergias.

4. Mantenha piscinas bem tratadas

Piscinas corretamente cloradas apresentam risco extremamente baixo de contaminação.

Quando procurar atendimento médico?

Procure um serviço de urgência se surgirem dor de cabeça intensa, febre, vômitos, rigidez na nuca ou alterações neurológicas após mergulhos em água doce. Embora a doença seja rara, o tempo faz diferença no tratamento.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de sobrevivência e permite o início rápido da terapia adequada.

A infecção continua rara, mas a prevenção é essencial

A “Naegleria fowleri” continua sendo uma das infecções mais raras do mundo. Mesmo assim, especialistas alertam que o aumento de registros reforça a necessidade de informação.

Adotar cuidados simples durante atividades aquáticas e utilizar água segura para a higiene nasal reduz ainda mais um risco que já é considerado muito baixo.

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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.