Saúde e Bem-estar

Brasil tem quase 50 mil pessoas na fila por transplante de órgãos

Brasil tem 49.695 pessoas à espera de transplantes, e os rins concentram mais de 46 mil pacientes na fila nacional.

A foto alude a transplante de órgãos
Fonte: Magnific

A doação de órgãos pode transformar a perda de uma vida em uma oportunidade para outras pessoas. A decisão da família de um goleiro de 14 anos, que morreu após um acidente de trânsito, ilustra esse impacto. A doação do coração, fígado, rins e córneas poderá beneficiar pelo menos seis pessoas.

Enquanto isso, milhares de brasileiros aguardam um transplante para continuar vivendo ou recuperar a qualidade de vida. Segundo dados do Ministério da Saúde, o país registra 49.695 pessoas na fila por um órgão.

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O rim concentra a maior demanda, com 46.132 pacientes à espera. Além disso, homens representam 58% da lista, e São Paulo reúne quase metade dos pacientes cadastrados.

Os números reforçam a importância da conscientização sobre a doação de órgãos e, principalmente, do diálogo familiar sobre essa decisão.

Quantas pessoas aguardam um transplante no Brasil?

O Brasil tem 49.695 pessoas cadastradas na lista nacional de espera por transplantes. Desde o início de 2026, o país realizou aproximadamente 7,4 mil procedimentos.

Esse volume representa quase 15% do total de pessoas que aguardam um órgão. Portanto, a quantidade de transplantes ainda não acompanha a necessidade dos pacientes.

Veja como a fila se divide por órgão:

  • Rim: 46.132 pessoas;
  • Fígado: 2.377;
  • Coração: 516;
  • Pâncreas e rim: 372;
  • Pulmão: 265;
  • Pâncreas: 29;
  • Multivisceral: 4.

O transplante multivisceral envolve a substituição de vários órgãos abdominais, como estômago, intestino, fígado e pâncreas.

Por que o rim concentra a maior fila de transplantes?

O rim filtra o sangue, elimina resíduos e ajuda a controlar o equilíbrio de líquidos no organismo. Entretanto, algumas doenças crônicas podem comprometer progressivamente seu funcionamento.

Entre as principais causas de problemas renais estão o diabetes e a hipertensão arterial. Essas condições podem danificar os rins ao longo dos anos e provocar insuficiência renal.

Quando os órgãos perdem a capacidade de filtrar o sangue adequadamente, o paciente pode precisar de hemodiálise.

Nesse tratamento, uma máquina realiza parte do trabalho dos rins. Assim, a pessoa consegue manter algumas funções do organismo enquanto aguarda um transplante.

Essa possibilidade ajuda a explicar por que pacientes renais podem permanecer mais tempo na fila. Já quem precisa de coração ou pulmão pode enfrentar uma situação clínica mais urgente.

Quais estados têm mais pessoas esperando por órgãos?

São Paulo concentra a maior fila do país, com 23.700 pessoas. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 4.424 pacientes.

Confira os números dos estados:

EstadoPessoas na fila
São Paulo23.700
Minas Gerais4.424
Bahia2.792
Paraná2.751
Rio de Janeiro2.690
Pernambuco2.251
Ceará2.090
Rio Grande do Sul1.754
Espírito Santo1.170
Distrito Federal1.072

Os demais estados também apresentam pacientes à espera de transplantes. Rondônia registra três pessoas, enquanto Sergipe contabiliza 40.

Quem pode receber um transplante?

A lista nacional reúne pacientes de diferentes idades e perfis. Os homens representam 58% dos inscritos, com 29.015 pessoas. Já as mulheres correspondem a 42%, com 20.680 pacientes.

A faixa etária de 50 a 64 anos concentra o maior número de pessoas na fila. São 11.506 homens e 7.593 mulheres.

Entretanto, crianças e adolescentes também aguardam órgãos. Entre 11 e 17 anos, existem 149 meninos e 157 meninas cadastrados.

Como funciona a ordem da fila?

O Sistema Único de Saúde (SUS) administra uma lista única para pacientes da rede pública e dos planos de saúde.

A ordem considera fatores como tempo de inscrição, gravidade clínica e compatibilidade entre doador e receptor.

Por isso, um paciente em estado mais grave pode receber prioridade sobre outra pessoa que entrou antes na lista.

A compatibilidade também envolve características físicas. No caso de coração e pulmão, por exemplo, o tamanho do órgão precisa ser adequado ao corpo do receptor.

Quem pode doar órgãos e como manifestar essa vontade?

A doação de órgãos sólidos, como coração, fígado e rins, ocorre após a confirmação da morte encefálica.

A córnea também pode ser doada após a morte por parada cardíaca. Além disso, pessoas vivas podem doar um dos rins ou parte do fígado, conforme critérios médicos.

Ter diabetes, hipertensão, doença de Chagas ou hepatites B e C não impede automaticamente a doação. A equipe de saúde avalia cada órgão para verificar sua condição e segurança.

Entre as situações que podem impedir a doação estão determinadas infecções graves, HIV e alguns tipos de câncer.

Como declarar o desejo de ser doador?

A pessoa pode registrar sua intenção na carteira de identidade ou emitir a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO).

Esse documento permite registrar formalmente a vontade de doar. Entretanto, a declaração não substitui a autorização familiar.

Por isso, conversar com os parentes continua sendo fundamental. No Brasil, a família precisa autorizar a doação após a morte.

A decisão pode fazer diferença para quem espera por um transplante. Afinal, cada doador pode beneficiar várias pessoas e oferecer novas possibilidades de vida a quem enfrenta uma doença grave.

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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.