Câncer de mama: 29% das brasileiras desconhecem prevenção
Pesquisa aponta aumento no número de brasileiras que desconhecem formas de prevenção do câncer de mama e mostra diferenças por renda e acesso à saúde.

Quase três em cada dez brasileiras não sabem como prevenir o câncer de mama. Pesquisa revela lacunas na prevenção do câncer de mama no país, e o dado aparece em uma pesquisa divulgada em 2 de outubro de 2026.
O levantamento ouviu 2.015 pessoas, incluindo 1.038 mulheres, e comparou os resultados com uma pesquisa semelhante realizada em 2024.
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O percentual de mulheres que afirmam desconhecer formas de prevenção subiu de 25% para 29% no período.
Os dados também mostram diferenças relacionadas à renda e ao tipo de atendimento de saúde utilizado.
Como prevenir o câncer de mama?
A prevenção do câncer de mama envolve principalmente hábitos que ajudam a reduzir fatores de risco modificáveis.
Entre eles estão manter um peso saudável, praticar atividade física, evitar o tabaco e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. A amamentação também apresenta efeito protetor.
Além disso, o acompanhamento da saúde das mamas permite identificar alterações e investigar sinais suspeitos.
É importante, porém, separar prevenção de diagnóstico precoce. A prevenção busca reduzir o risco da doença. Já a detecção precoce procura identificar o câncer em uma fase inicial.
Conhecimento sobre prevenção caiu entre as mulheres
Segundo a pesquisa, 58% das entrevistadas disseram conhecer os métodos preventivos do câncer de mama.
Em 2024, esse percentual chegou a 59%, portanto permaneceu praticamente estável.
Por outro lado, aumentou o grupo que declarou não conhecer as formas de prevenção. O índice passou de 25% para 29%.
Enquanto isso, as respostas intermediárias caíram de 16% para 11%. O resultado indica que parte das mulheres deixou de demonstrar dúvida e passou a declarar desconhecimento.
Renda influencia o acesso à informação
A pesquisa também encontrou diferenças importantes de acordo com a renda familiar.
Entre mulheres com renda de até um salário mínimo, 51% disseram realizar o autoexame.
Esse percentual chegou a 88% entre aquelas com renda superior a cinco salários mínimos.
O conhecimento sobre prevenção também variou. O índice ficou em 49% entre as mulheres de menor renda e alcançou 79% entre as de maior renda.
Assim, a diferença chegou a 30 pontos percentuais no conhecimento sobre prevenção.
SUS e rede privada apresentam diferenças
O tipo de atendimento de saúde também apareceu associado ao nível de conhecimento.
Entre as mulheres que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS), 56% afirmaram conhecer as formas de prevenção. Na rede privada, esse percentual chegou a 69%.
O levantamento associa essas diferenças às desigualdades de acesso à informação e aos serviços de diagnóstico.
Por isso, ampliar o acesso à informação pode ajudar mulheres de diferentes condições sociais a reconhecer os cuidados disponíveis.
Autoexame não substitui a mamografia
A pesquisa mostrou uma diferença importante entre mulheres que conhecem os métodos preventivos e aquelas que desconhecem essas medidas.
Entre as mulheres que afirmaram conhecer as formas de prevenção, 80% disseram realizar o autoexame.
Entre aquelas que declararam não conhecer os métodos, esse percentual caiu para 30%.
A mamografia também apresentou diferença: 65% contra 35%, respectivamente.
Apesar disso, o autoexame não substitui a mamografia nem o acompanhamento de saúde. Ele pode ajudar a mulher a conhecer o próprio corpo e perceber alterações.
Quais sinais devem chamar atenção?
Alterações persistentes nas mamas merecem avaliação profissional. Entre os sinais estão caroço endurecido, mudança na pele, alteração no mamilo e saída espontânea de líquido.
Também podem ocorrer mudanças no formato ou no tamanho da mama e alterações na região das axilas.
Nem toda alteração indica câncer. Mesmo assim, diante de uma mudança persistente ou incomum, a orientação é procurar um serviço de saúde.
Por que o diagnóstico precoce importa?
O câncer de mama reúne diferentes tipos de tumores, que podem apresentar comportamentos distintos.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o diagnóstico em fases iniciais aumenta as possibilidades de tratamento.
Por isso, conhecer os fatores de risco, adotar hábitos saudáveis e seguir as orientações de rastreamento ajudam a cuidar da saúde das mamas.
A pesquisa reforça, ainda, que informação e acesso aos serviços precisam caminhar juntos. Quanto maior a dificuldade para obter orientação e exames, maior pode ser a barreira para o cuidado.
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