Saúde e Bem-estar

Exercício melhora memória após uma noite sem dormir, diz estudo

Estudo mostra que 20 minutos de exercício melhoraram a memória após 30 horas sem dormir, mas não substituíram os efeitos do sono.

A foto alude à noite sem sono e à prática de exercício
Fonte: Magnific

Uma noite sem dormir compromete atenção, memória e tempo de reação. Um estudo recente, porém, encontrou um efeito interessante: exercício melhora memória após noite sem dormir, especialmente após 20 minutos de exercício aeróbico.

A pesquisa avaliou adultos jovens que ficaram 30 horas acordados. Depois desse período, uma sessão de atividade física melhorou o desempenho em um teste de memória.

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O resultado chamou atenção porque o efeito se aproximou do observado entre participantes que dormiram por 90 minutos. Entretanto, exercício e sono produziram benefícios por mecanismos cerebrais diferentes.

Na prática, isso não significa que atividade física possa substituir uma noite de sono. O cérebro continua privado de descanso e mantém a necessidade biológica de dormir.

Exercício melhora a memória depois de dormir pouco?

Sim, o estudo mostrou melhora em uma tarefa específica de memória após 20 minutos de exercício aeróbico.

Os pesquisadores dividiram 53 adultos jovens e saudáveis em três grupos. Um grupo fez exercício, outro dormiu por 90 minutos e o terceiro não recebeu nenhuma intervenção. Depois, os participantes realizaram testes para avaliar a capacidade de reconhecer imagens vistas anteriormente.

O grupo que não fez exercício nem dormiu reconheceu cerca de 46% das imagens. Já os outros grupos alcançaram aproximadamente 56% a 57%.

Assim, o exercício produziu uma melhora semelhante à observada após 90 minutos de sono naquele teste.

Porém, os pesquisadores não consideram os resultados equivalentes. O sono reduziu a pressão biológica para dormir, enquanto o exercício não produziu esse efeito.

O que acontece com o cérebro depois de uma noite sem dormir?

Quanto mais tempo uma pessoa permanece acordada, maior fica a necessidade de sono.

A privação também reduz o estado de alerta e dificulta o processamento de informações. Como consequência, a pessoa pode apresentar problemas de atenção, memória e tomada de decisões.

O cérebro também acumula adenosina durante a vigília. Essa substância participa da regulação do sono e contribui para a sensação de sonolência. Além disso, exames como o eletroencefalograma mostram alterações na atividade cerebral durante a privação de sono.

Por isso, uma pessoa pode até conseguir realizar determinada tarefa após uma noite em claro. Isso não significa que seu cérebro tenha recuperado o funcionamento normal.

Como o exercício ajudou a memória?

Os pesquisadores observaram que o exercício não eliminou os sinais associados à necessidade de dormir. Mesmo assim, os participantes conseguiram melhorar o desempenho no teste de memória.

Os resultados sugerem que a atividade física aumentou a eficiência de mecanismos cerebrais relacionados à atenção e ao processamento das informações. Esse efeito ajuda a explicar por que uma pessoa pode apresentar algum ganho de desempenho depois de se exercitar, mesmo quando continua cansada.

Exercício e sono produzem efeitos diferentes

O grupo que dormiu apresentou sinais de redução da pressão do sono no eletroencefalograma. Já o grupo que se exercitou manteve esses sinais, apesar da melhora na memória.

Essa diferença representa um dos principais achados da pesquisa. O exercício pode melhorar temporariamente determinada função cognitiva, mas não elimina a necessidade de descanso.

Posso trocar o sono por exercício?

Não. O estudo não sustenta essa conclusão. O sono exerce diversas funções no organismo. Ele participa da recuperação física, da regulação de processos cerebrais e da consolidação de memórias. Além disso, a pesquisa avaliou uma situação específica. Os participantes eram jovens, saudáveis e enfrentaram uma única privação total de sono.

O trabalho não avaliou pessoas que dormem poucas horas repetidamente, idosos ou indivíduos com distúrbios do sono. Portanto, não podemos aplicar os resultados diretamente a quem enfrenta privação crônica de sono.

Fazer exercício depois de virar a noite é seguro?

O estudo também não autoriza essa interpretação. A atividade física pode melhorar o desempenho em uma tarefa específica. Entretanto, ela não devolve ao organismo o estado de alerta produzido pelo sono. Por isso, uma pessoa que passou a noite acordada não deve usar exercício como justificativa para dirigir ou realizar atividades que exigem atenção constante. O mesmo vale para trabalhos com máquinas, altura, veículos ou outras situações que envolvam riscos.

O que fazer depois de uma noite sem dormir?

Quando possível, priorize o sono e evite atividades de risco. Se a privação aconteceu de forma excepcional, uma atividade física adequada pode produzir algum benefício cognitivo. Ainda assim, ela não substitui o descanso.

Além disso, mantenha uma rotina regular de sono nos dias seguintes. Se a dificuldade para dormir ou a sonolência excessiva se repetirem, procure avaliação profissional.

O principal recado do estudo é simples: 20 minutos de exercício podem ajudar o cérebro a lidar melhor com uma situação de privação de sono. Porém, somente o sono reduz a pressão biológica acumulada durante horas de vigília.

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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.