Saúde e Bem-estar

Hashimoto: sabe o que é? Leia e veja como pode afetar seu corpo

Estudo com 106 mulheres identificou associações entre tireoidite de Hashimoto, cronotipo, anticorpos tireoidianos e sonolência diurna.

A foto alude ao exame de tireoide
Fonte: Magnific

Sentir sono durante o dia, mesmo depois de uma noite de descanso, pode ter diferentes explicações. Entre elas, estão alterações hormonais e condições que afetam o funcionamento da tireoide.

Um estudo realizado na Croácia investigou essa relação em mulheres com tireoidite de Hashimoto. A pesquisa avaliou 106 participantes e identificou associações entre indicadores da atividade autoimune, padrões biológicos de sono e níveis de hormônios tireoidianos.

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Os resultados chamam atenção porque aproximadamente um terço das participantes apresentou sonolência diurna aumentada. Além disso, a maioria demonstrou preferência por horários intermediários ou vespertinos.

O que a tireoidite de Hashimoto tem a ver com o sono?

A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca a própria glândula tireoide. Com o tempo, esse processo pode comprometer a produção dos hormônios responsáveis por regular diversas funções do organismo.

Entre essas funções estão o metabolismo, a temperatura corporal e os níveis de energia. Por isso, algumas pessoas apresentam cansaço, lentidão, dificuldade de concentração e alterações no sono.

A doença também pode provocar hipotireoidismo, condição caracterizada pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos.

Segundo o estudo croata, a relação entre Hashimoto e sono merece atenção. Entretanto, os pesquisadores investigaram especificamente como os indicadores da função tireoidiana se relacionam com o cronotipo e a sonolência durante o dia.

O que é cronotipo e como ele influencia a rotina?

O cronotipo representa a preferência natural de uma pessoa por determinados horários para dormir, acordar e realizar atividades.

Esse padrão está relacionado ao relógio biológico, sistema interno que organiza o ciclo de sono e vigília.

Existem três classificações principais:

  • Matutino: pessoas que apresentam maior disposição nas primeiras horas do dia e preferem dormir mais cedo.
  • Intermediário: pessoas que não demonstram preferência acentuada pela manhã ou pela noite.
  • Vespertino: pessoas que apresentam maior disposição no período da tarde ou da noite.

Essas características variam entre indivíduos e também podem sofrer influência da idade e de fatores ambientais.

O que a pesquisa identificou entre as mulheres?

Das 106 participantes, com idade média de 43 anos, 61,3% apresentaram cronotipo intermediário.

Aproximadamente um terço demonstrou preferência vespertina. Já o perfil claramente matutino apareceu em apenas uma participante, equivalente a 0,9%.

A pesquisa também identificou uma tendência maior ao cronotipo vespertino entre as mulheres mais jovens.

Outro resultado chamou atenção: cerca de um terço das participantes apresentou sonolência diurna aumentada.

Para avaliar esse aspecto, os pesquisadores utilizaram a Escala de Sonolência de Epworth, instrumento que identifica a tendência de uma pessoa sentir sono em diferentes situações cotidianas.

Anticorpos da tireoide podem ter relação com o relógio biológico?

Os pesquisadores encontraram uma associação significativa entre os níveis de anticorpos antitireoglobulina e o cronotipo.

Esses anticorpos fazem parte da resposta autoimune relacionada à tireoidite de Hashimoto. Sua presença pode ajudar na investigação da atividade imunológica contra a tireoide.

Além disso, as participantes com perfil vespertino apresentaram níveis mais elevados de T3 livre em comparação com aquelas de cronotipo intermediário.

O T3 livre é um hormônio tireoidiano que participa da regulação do metabolismo e de diferentes atividades do organismo.

Esses resultados sugerem uma possível conexão entre a atividade autoimune da tireoide e o funcionamento do relógio biológico.

Entretanto, a pesquisa não demonstrou uma relação de causa e efeito. Portanto, ainda não é possível afirmar que a doença provoque mudanças no cronotipo ou explique, sozinha, a sonolência diurna.

Quando a sonolência durante o dia merece investigação?

Sentir sono frequentemente durante o dia pode prejudicar a concentração, a produtividade e as atividades cotidianas.

Em mulheres com Hashimoto, esse sintoma merece atenção, principalmente quando aparece junto de cansaço persistente e outras alterações.

Nessas situações, a avaliação médica pode incluir exames como TSH, T3 livre e T4 livre, conforme a necessidade individual.

Também é importante investigar outras possíveis causas, como sono insuficiente, distúrbios do sono e alterações metabólicas.

A pesquisa croata amplia o conhecimento sobre a relação entre tireoide e ritmo biológico. Contudo, estudos maiores ainda precisam confirmar essas associações e esclarecer seus mecanismos.

Enquanto isso, acompanhar a função tireoidiana e observar mudanças persistentes no sono ajuda a orientar os cuidados com a saúde.

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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.