Saúde e Bem-estar

Obesidade pode alterar resposta do organismo às vacinas, mostra estudo

Estudo com camundongos mostra que a obesidade alterou a produção de anticorpos após uma vacina experimental, mas ativou células de defesa nos pulmões.

A foto mostra pessoa idosa
Foto: Magnific

A obesidade pode influenciar a forma como o sistema imunológico responde a algumas vacinas. Um novo estudo encontrou alterações na produção de anticorpos e na memória imunológica em animais com obesidade.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, avaliou uma vacina experimental contra a bactéria Pseudomonas aeruginosa.

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Conforme a pesquisa, observou-se uma resposta menor de anticorpos nos animais com dieta rica em gordura. Ao mesmo tempo, o organismo ativou células de defesa que permanecem no tecido pulmonar.

O resultado ajuda a entender como a obesidade pode modificar a resposta imunológica. Porém, os pesquisadores ainda precisam confirmar se o mesmo mecanismo ocorre em pessoas.

A obesidade faz a vacina funcionar menos?

O estudo sugere que a obesidade pode prejudicar parte da resposta gerada por uma vacina. No entanto, não permite concluir que todas as vacinas funcionem pior em pessoas com obesidade.

Os pesquisadores estudaram camundongos submetidos a uma dieta rica em gordura. Eles receberam, desse modo, uma vacina experimental desenvolvida contra Pseudomonas aeruginosa.

Os animais com obesidade apresentaram níveis menores de alguns anticorpos. Entre eles estavam imunoglobulinas como IgA, IgG1 e IgG3.

Essas proteínas ajudam o organismo a reconhecer e combater agentes infecciosos. A redução indica uma resposta imunológica diferente após a vacinação. O estudo foi publicado no Journal of Immunology.

Por que a obesidade pode mudar a resposta imunológica?

A pesquisa aponta alterações nos chamados centros germinativos. Essas estruturas aparecem temporariamente nos órgãos do sistema imunológico após uma infecção ou vacinação.

Nesses locais, células B passam por processos que ajudam o organismo a produzir anticorpos mais eficientes. Elas também contribuem para a formação da memória imunológica.

Nos animais com dieta rica em gordura, os pesquisadores encontraram alterações nesse processo. O estudo associou essas mudanças a uma menor resposta de células B e de células T auxiliares. Essas células T ajudam outras células de defesa durante a resposta imunológica.

Os resultados sugerem que a inflamação associada à obesidade pode interferir nesse ambiente de defesa.

O que são células de memória?

Depois de uma vacinação, o sistema imunológico pode criar células capazes de reconhecer novamente determinado agente.

Algumas células de memória permanecem nos tecidos. Os pesquisadores observaram uma quantidade maior de células T de memória residentes nos pulmões dos animais imunizados.

Essas células ficam no tecido e podem responder rapidamente quando encontram novamente o agente infeccioso.

O pulmão encontrou outra forma de defesa

Apesar da menor resposta de anticorpos, os animais com obesidade apresentaram aumento de células T residentes nos pulmões.

Os pesquisadores também observaram proteção contra a bactéria durante uma exposição posterior. Esse efeito permaneceu mesmo quando bloquearam a chegada de células T circulantes ao pulmão.

O resultado indica que as células residentes no tecido pulmonar participaram de forma importante da proteção inicial observada no experimento.

Assim, o organismo parece ter utilizado outro mecanismo de defesa diante da resposta menor de anticorpos.

Esse achado pode ajudar os cientistas a desenvolver vacinas capazes de estimular diretamente a imunidade nos tecidos.

O que o estudo muda para quem tem obesidade?

Por enquanto, o estudo não muda as recomendações de vacinação para pessoas com obesidade.

A pesquisa analisou animais e uma vacina experimental contra uma bactéria específica. Portanto, não podemos aplicar automaticamente os resultados às vacinas utilizadas atualmente em seres humanos.

Também não devemos interpretar a obesidade como motivo para deixar de tomar uma vacina recomendada.

A vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção de doenças infecciosas. Pessoas com dúvidas sobre alguma vacina devem conversar com um profissional de saúde.

O que os pesquisadores querem descobrir agora?

A equipe pretende identificar quais sinais moleculares permitem que as células T residentes dos pulmões mantenham sua atividade mesmo diante da inflamação associada à obesidade. Esse conhecimento pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de vacinação.

Uma possibilidade seria criar imunizantes que estimulem uma resposta mais forte diretamente nos tecidos onde determinados agentes infecciosos entram no organismo. Por enquanto, essa possibilidade permanece no campo da pesquisa.

O estudo mostra que a relação entre metabolismo e imunidade merece atenção. Também reforça que uma resposta vacinal envolve vários mecanismos, e não apenas a quantidade de anticorpos no sangue.

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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.