Pesquisa indica que esquizofrenia pode começar ainda na gestação, durante a formação do cérebro
Pesquisa da Unicamp observou que a baixa atividade da enzima PHGDH afetou o desenvolvimento de neurônios em laboratório e pode ajudar a explicar mecanismos ligados ao transtorno.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outras instituições brasileiras encontraram uma nova pista para entender a esquizofrenia.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO estudo mostrou que a baixa atividade de uma enzima chamada fosfoglicerato desidrogenase (PHGDH) pode interferir no desenvolvimento de células do cérebro.
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A pesquisa foi realizada em laboratório e não envolveu gestantes nem fetos. Por isso, os resultados ainda não comprovam que a redução da enzima cause esquizofrenia.
Redução da enzima afetou neurônios
A PHGDH participa da produção de serina, substância importante para o crescimento, a comunicação e a formação de conexões entre neurônios.
Durante os testes, os cientistas reduziram a atividade da enzima enquanto células-tronco se transformavam em neurônios e astrócitos.
A mudança provocou queda na produção de serina, alterações no uso de energia pelas células e maior morte de neurônios.
Os pesquisadores também observaram menor crescimento das estruturas responsáveis pela conexão entre as células.
Após 21 dias, cerca de 30% dos neurônios haviam morrido.
Alterações podem começar durante formação do cérebro
A esquizofrenia costuma apresentar sintomas na adolescência ou no início da vida adulta. Os pesquisadores, porém, trabalham com a hipótese de que algumas alterações possam começar ainda durante o desenvolvimento cerebral.
A equipe já havia encontrado níveis alterados da PHGDH em tecidos cerebrais de pessoas com esquizofrenia.
A partir disso, os cientistas passaram a investigar como a enzima participa da formação do cérebro.
Os resultados também mostraram que a PHGDH está presente nos neurônios em desenvolvimento. Antes, parte da literatura científica concentrava a atuação dessa enzima principalmente nos astrócitos.
Pesquisa ainda precisa avançar
Os cientistas destacam que a esquizofrenia envolve diferentes fatores e não depende de uma única proteína ou alteração genética.
O estudo mostra uma possível relação entre a PHGDH, o desenvolvimento cerebral e o transtorno, mas ainda não estabelece uma ligação direta de causa e efeito.
Como os experimentos ocorreram com células cultivadas em laboratório, novas pesquisas serão necessárias para entender como esse processo acontece no organismo humano.
No futuro, os pesquisadores também pretendem investigar se alterações relacionadas à enzima podem ser identificadas no sangue.
Caso essa possibilidade se confirme, a descoberta poderá contribuir para novos estudos sobre diagnóstico e tratamentos mais específicos para a esquizofrenia.
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