Pílula contra câncer de pâncreas é aprovada; veja como vai funcionar
Daraxonrasib quase dobrou a sobrevida mediana em estudo com pacientes com câncer de pâncreas metastático e reduziu em 60% o risco de morte.

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou nesta quarta-feira (26) o daraxonrasib, medicamento oral destinado a determinados adultos com câncer de pâncreas metastático.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO remédio, comercializado nos Estados Unidos com o nome Rasonque, chamou atenção da comunidade médica após apresentar resultados expressivos em um estudo de fase 3. Os dados chegaram a provocar uma ovação durante o congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO), realizado em junho, em Chicago.
Leia também: Creutzfeldt-Jakob: entenda a doença rara e fatal diagnosticada em Lito Souza
A autorização vale para adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já passaram por pelo menos um tratamento sistêmico ou que não podem receber uma combinação de terapias sistêmicas.
Segundo a FDA, a análise terminou cerca de seis meses e meio antes do prazo inicialmente previsto.
O estudo RASolute 302 avaliou 500 pacientes e comparou o daraxonrasib com a quimioterapia convencional.
Entre os participantes com a mutação RAS G12, uma das mais frequentes nesse tipo de tumor, a sobrevida mediana chegou a 13,2 meses entre aqueles que receberam o comprimido. No grupo tratado com quimioterapia, o índice ficou em 6,6 meses.
Os resultados também apontaram redução de 60% no risco de morte. O período mediano até uma nova progressão da doença passou de 3,5 meses, com a quimioterapia, para 7,3 meses entre os pacientes que receberam o novo tratamento.
Além disso, mais de 31% dos pacientes tratados com daraxonrasib apresentaram redução mensurável do tumor, enquanto o índice no grupo da quimioterapia ficou em 11,2%.
Menos pacientes interromperam tratamento
Outro dado destacado pelos pesquisadores envolve os efeitos adversos. Apenas 1,2% dos pacientes que receberam daraxonrasib interromperam o tratamento por efeitos colaterais. Entre aqueles submetidos à quimioterapia, a taxa chegou a 11,2%.
Os pesquisadores concluíram que os resultados podem colocar o medicamento como uma nova alternativa para pacientes com câncer de pâncreas metastático que já receberam tratamento anterior.
Como funciona o daraxonrasib
O paciente toma o medicamento uma vez por dia. A substância atua sobre diferentes formas da proteína RAS, relacionada ao crescimento dos tumores e frequentemente alterada em casos de adenocarcinoma pancreático.
Durante décadas, pesquisadores encontraram dificuldades para desenvolver medicamentos capazes de atingir essa proteína de maneira eficaz.
O daraxonrasib atua sobre diferentes variantes da RAS, característica que ajudou a colocar o medicamento no centro das atenções durante a apresentação dos resultados clínicos.
Por que o câncer de pâncreas preocupa
O câncer de pâncreas costuma representar um grande desafio para o tratamento porque pode avançar sem provocar sintomas claros nas fases iniciais.
Quando os médicos identificam a doença em estágio metastático, o tumor já se espalhou para outros órgãos, o que restringe as possibilidades terapêuticas.
A proteína RAS apresenta alterações em mais de 90% dos tumores pancreáticos, segundo as informações apresentadas no estudo. Por isso, encontrar uma forma de bloqueá-la representa uma frente importante na pesquisa contra a doença.
A aprovação nos Estados Unidos transforma o daraxonrasib, até então utilizado em estudos clínicos, em uma nova opção terapêutica para o grupo de pacientes contemplado pela autorização da FDA.
Você no aquinoticias.com
Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726