Saúde e Bem-estar

Psicólogo alerta: em Setembro, a escuta ativa salva vidas

Setembro Amarelo 2026 destaca a escuta acolhedora como ferramenta de cuidado e reforça a importância de falar sobre saúde mental durante todo o ano.

A foto mostra o psicólogo Daniel Borges
Fonte: Acervo Pessoal

Em setembro, amplia-se uma conversa que precisa continuar durante todo o ano: como reconhecer o sofrimento emocional e oferecer apoio. A campanha “Setembro Amarelo”, de 2026, traz o tema “Escutar é estar presente”. O objetivo do Centro de Valorização da Vida (CVV) é estimular uma escuta acolhedora como primeiro passo para aproximar quem sofre de uma rede de apoio.

O tema alcança famílias, escolas, empresas e comunidades. Afinal, qualquer pessoa pode atravessar períodos de solidão, perdas, pressão ou sofrimento emocional. Por isso, saber ouvir pode fortalecer vínculos e facilitar a busca por ajuda.

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Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. A entidade destaca que diferentes fatores sociais, psicológicos, biológicos e ambientais podem participar desse processo.

Como a escuta pode ajudar quem enfrenta sofrimento emocional?

Escutar não significa encontrar uma solução imediata para o problema de alguém. Significa oferecer atenção, respeito e espaço para que a pessoa fale sobre o que sente.

O psicólogo Dr. Daniel Borges explica que a pressão por produtividade pode aumentar o isolamento. Algumas pessoas tentam dar conta de tudo para evitar contato com sentimentos difíceis. Outras se afastam porque passam a acreditar que não conseguem corresponder às expectativas.

Segundo ele, essa dinâmica pode dificultar o pedido de ajuda. Por isso, uma conversa sem cobranças pode abrir espaço para novas perspectivas.

“Quem sofre pode enxergar apenas uma possibilidade para sua situação”, explica Borges. A escuta acolhedora ajuda a ampliar essa visão, sem impor decisões ou respostas prontas.

Quais sinais merecem atenção?

Mudanças persistentes no comportamento podem indicar que alguém precisa de apoio. Entre elas, aparecem:

  • isolamento repentino;
  • alterações importantes na rotina;
  • desesperança ou culpa intensa;
  • perda de interesse por atividades habituais;
  • mudanças persistentes no sono ou no apetite;
  • falas que indiquem sofrimento profundo ou falta de perspectiva.

Esses sinais não permitem, sozinhos, identificar uma situação de risco. Porém, justificam uma conversa cuidadosa e, quando necessário, uma avaliação profissional.

Por que falar sobre saúde mental durante todo o ano?

O “Setembro Amarelo” ajuda a reduzir o silêncio e o estigma. Entretanto, o cuidado não deve terminar quando setembro acaba.

Borges defende conversas frequentes dentro das famílias, entre amigos, nas escolas e nas comunidades. Para ele, as pessoas precisam encontrar espaços seguros para falar sobre emoções durante todo o ano.

O psicólogo também chama atenção para os homens. Dados do Ministério da Saúde mostram maior mortalidade por suicídio entre homens. Em 2013, eles representaram 78,9% dos óbitos registrados no país.

Esse cenário reforça a importância de questionar ideias que associam vulnerabilidade à fraqueza. Pedir ajuda representa uma atitude de cuidado, não uma falha pessoal.

Como conversar com alguém que demonstra sofrimento?

Comece pela presença. Escolha um momento tranquilo e pergunte como a pessoa está. Depois, escute sem interromper ou diminuir aquilo que ela sente.

Evite frases como “isso passa”, “você precisa ser forte” ou “há pessoas com problemas maiores”. Essas respostas podem aumentar o sentimento de incompreensão.

Em vez disso, demonstre disponibilidade. Pergunte se a pessoa deseja conversar e incentive a procura por ajuda profissional quando necessário.

A OMS recomenda identificar precocemente pessoas afetadas pelo sofrimento e ampliar o acesso ao cuidado. A organização também orienta a mídia a abordar o tema com responsabilidade.

Setembro Amarelo exige informação e responsabilidade

Borges também alerta para a forma como veículos de comunicação abordam o suicídio. A OMS recomenda evitar descrições de métodos, simplificações e abordagens que apresentem o suicídio como solução.

Por outro lado, reportagens que valorizam prevenção, recuperação, apoio e acesso ao cuidado podem contribuir para uma conversa mais segura.

Em 2026, o CVV reforça justamente essa perspectiva com a campanha “Escutar é estar presente”. O serviço oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, durante 24 horas, além de canais digitais.

O “Setembro Amarelo”, portanto, pode funcionar como um ponto de partida. A mudança mais importante acontece quando a escuta deixa de ser uma ação de setembro e passa a fazer parte das relações cotidianas.

Fonte: Centro de Valorização da Vida l Acervo Institucional
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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.