Sedentarismo atinge adolescentes e preocupa pesquisadores
Estudo internacional revela que um em cada quatro adolescentes não pratica atividade física durante a semana e aponta desigualdade entre meninas e meninos, com o Brasil entre os países mais afetados.

Estudo internacional aponta baixos níveis de exercícios entre jovens de 11 a 17 anos. No Brasil, a diferença entre meninas e meninos está entre as maiores do mundo.
Um em cada quatro adolescentes no mundo não pratica pelo menos 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana. O cenário preocupa porque o sedentarismo nessa fase da vida pode comprometer a saúde física e mental, além de favorecer problemas na idade adulta.
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O alerta vem de um estudo publicado na revista científica The Lancet Global Health. A pesquisa analisou dados de aproximadamente 3,2 milhões de adolescentes, entre 11 e 17 anos, em 140 países.
Os resultados mostram que a atividade física permanece em níveis baixos. Além disso, as meninas apresentam menos oportunidades ou condições para se exercitar do que os meninos. O Brasil aparece entre os países com as maiores diferenças entre os sexos.
Em 2025, os adolescentes registraram, em média, apenas 2,7 dias por semana com pelo menos uma hora de atividade física moderada a vigorosa. Somente 13,9% alcançaram esse tempo nos sete dias.
Meninas praticam menos atividade física do que meninos
A desigualdade entre os sexos aparece em todas as regiões analisadas. Em 2025, 28,4% das meninas não registraram nenhum dia com pelo menos 60 minutos de atividade física. Entre os meninos, o índice ficou em 21,7%.
A diferença também aparece na frequência semanal dos exercícios. Enquanto as meninas acumularam, em média, 2,4 dias ativos por semana, os meninos chegaram a três dias.
Entre os adolescentes que praticaram atividades físicas diariamente, os percentuais também foram diferentes:
- Meninas: 11% alcançaram pelo menos 60 minutos nos sete dias.
- Meninos: 16,7% atingiram essa frequência.
Fatores sociais e culturais ajudam a explicar essa desigualdade. Restrições de gênero, preocupações com segurança e falta de atividades adequadas às preferências das meninas podem dificultar a participação.
Por isso, ampliar a prática de exercícios exige mais do que incentivar mudanças individuais. Também depende de ambientes seguros e oportunidades acessíveis.
Brasil está entre os países com maior desigualdade
O levantamento identificou diferenças expressivas entre adolescentes brasileiros. O país aparece entre os quatro em que a proporção de meninas sem nenhum dia ativo supera a dos meninos em pelo menos 15 pontos percentuais.
Brasil, Egito, Quênia e Coreia do Sul apresentam esse padrão.
A diferença também aparece na quantidade de dias ativos. No Brasil, assim como na Argélia, no Egito, na Coreia do Sul, em Israel e no Líbano, os meninos registraram, em média, de 1,1 a 1,2 dia ativo a mais por semana.
Os resultados reforçam a necessidade de ampliar o acesso das meninas a atividades físicas nas escolas, nos bairros e nos espaços comunitários.
Atividade física diminui conforme as meninas envelhecem
Outro resultado chama a atenção para a relação entre idade e movimento. A frequência das atividades físicas diminui conforme as meninas avançam na adolescência.
Aos 11 anos, elas registraram uma média de 2,6 dias ativos por semana. Aos 17 anos, o número caiu para 2,2 dias.
Entre os meninos, a frequência permaneceu praticamente estável durante esse período, entre 2,9 e três dias semanais.
Em algumas regiões, a diferença foi ainda maior. As meninas de 17 anos apresentaram até 1,4 dia ativo a menos por semana em comparação com aquelas de 11 anos.
Países mais ricos apresentam melhores resultados
As condições econômicas também influenciam os níveis de atividade física entre adolescentes.
Regiões com maior renda registraram médias de 3,8 a 4,1 dias ativos por semana. Já outras localidades apresentaram médias entre 2,2 e 2,7 dias.
No Sul e Sudeste Asiático, por exemplo, 33,1% dos adolescentes não praticaram pelo menos uma hora de atividade física em nenhum dia da semana.
Na América Latina e no Caribe, esse percentual chegou a 22,7%.
O acesso a espaços públicos, programas comunitários, infraestrutura para caminhadas e ciclovias pode favorecer a prática de exercícios. Entretanto, a falta dessas condições limita as oportunidades de movimento.
Mundo está longe de cumprir a meta de atividade física para 2030
Os indicadores praticamente não mudaram entre 2010 e 2025. Apesar das iniciativas internacionais, os adolescentes continuam apresentando níveis baixos de atividade física.
A meta estabelecida pelos países integrantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê reduzir em 15%, até 2030, a proporção de jovens que não praticam pelo menos 60 minutos de exercícios nos sete dias da semana.
Entretanto, as projeções indicam que o percentual de adolescentes com menos de sete dias ativos permanecerá em 86,1% em 2030. A meta global seria alcançar 73,1%.
Segundo o levantamento, nenhum país ou região analisado está no caminho para atingir esse objetivo.
Quanto tempo os adolescentes devem se exercitar?
A OMS recomenda que crianças e adolescentes pratiquem, em média, 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana.
Essa orientação considera atividades que elevam a frequência cardíaca e respiratória. Caminhadas rápidas, ciclismo, esportes, brincadeiras e outras práticas podem contribuir para alcançar esse volume.
A atividade física regular favorece a saúde cardiovascular, fortalece os músculos e os ossos e contribui para o bem-estar mental. Além disso, ajuda a prevenir doenças crônicas, como diabetes e problemas cardíacos.
É importante diferenciar a recomendação atual do indicador utilizado na pesquisa. Desde 2020, a OMS considera a média de 60 minutos diários ao longo da semana. Portanto, não exige necessariamente uma hora de exercícios em todos os sete dias.
O estudo utilizou um indicador anterior, baseado na prática de pelo menos 60 minutos em cada dia da semana. Por isso, não permite identificar com precisão quantos adolescentes cumprem a recomendação atual.
Escolas e espaços públicos podem ampliar a prática de exercícios
A pesquisa destaca a importância de políticas públicas que facilitem o acesso dos adolescentes à atividade física.
As escolas podem contribuir com aulas, esportes e iniciativas que estimulem a participação. Entretanto, as ações precisam considerar as necessidades de diferentes grupos.
No caso das meninas, ambientes seguros e atividades compatíveis com suas preferências podem ajudar a reduzir as desigualdades.
A ampliação de espaços públicos, programas comunitários e oportunidades de deslocamento ativo também favorece a prática regular.
Além disso, envolver os próprios adolescentes na criação dessas iniciativas pode aumentar o interesse e a participação.
O levantamento reuniu 389 pesquisas realizadas em 140 países, com estimativas para 195 países e territórios. Os dados abrangem cerca de 59% da população adolescente mundial em 2025.
Embora existam limitações, como a ausência de informações diretamente coletadas em alguns países, os resultados mostram um desafio persistente: transformar o incentivo à atividade física em oportunidades reais para todos os adolescentes.
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