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Nacional

Chuva deixa 7 mortos e causa falta de luz por mais de 48 horas em São Paulo

As rajadas de vento derrubaram 346 árvores dentro de parques da cidade

Por Estadão

em 06 de nov de 2023, às 08h09

4 mins de leitura

Foto: Divulgação

Moradores da capital paulista ainda enfrentaram transtornos neste domingo, 5, com a falta de energia ocasionada após as fortes chuvas que atingiram a capital paulista na tarde de sexta-feira, 3. Segundo a Enel Distribuição São Paulo, as regiões mais afetadas foram as zonas sul e oeste, embora também existam relatos do problema nas zonas leste e norte.

O temporal, que também atingiu outras cidades do Estado e causou sete mortes, fez com que cerca de 700 mil endereços permanecessem sem luz na cidade até o início da noite de ontem. A previsão é que o serviço seja totalmente restabelecido até amanhã.

Ao todo, 2,1 milhões de clientes foram impactados desde sexta-feira. A Enel SP afirma que já normalizou o serviço para cerca de 1 milhão de endereços. “A companhia está restabelecendo de forma gradual o serviço, dando prioridade aos casos mais críticos, como serviços essenciais”, disse a Enel.

No Paraíso, na zona sul, moradores estavam havia 48 horas sem luz. Segundo Kátia Oliveira, também havia dificuldade para obter previsão da Enel. “Muitas árvores caíram na região. Mas é muito tempo sem energia. A empresa deu prazo inicial para meia-noite de sábado. Já é domingo, e nada de retorno. Creio que somente na terça mesmo”, disse ontem.

Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), os ventos superiores a 100 km/h chegaram à maior velocidade já registrada pelo Centro de Gerenciamento da Metrópole (CGE), desde 1995, quando os dados começaram a ser computados. “Foi uma situação excepcional. Muito fora do contexto.” Nunes disse ainda que quedas de árvore também exigem desligamentos temporários da rede.

A Enel afirma que “essa foi a ventania mais forte dos últimos anos em São Paulo, que atingiu de forma mais severa a rede de distribuição.”

Mudanças climáticas

Temporais como o de sexta-feira estão associados às mudanças climáticas e demandam adaptação de instalações urbanas, alerta o professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) Pedro Luis Côrtes. “Para se adaptar a essas novas condições impostas, uma das questões básicas é cuidar intensamente da manutenção das áreas verdes, verificando se as árvores estão saudáveis, a necessidade de podas corretivas para que elas possam resistir a eventos climáticos mais extremos”, diz.

Ele recomenda que seja feito um mapeamento de áreas mais vulneráveis às chuvas. Nesses locais, diz, seria necessário transferir a fiação aérea para debaixo do solo. Assim, eventuais quedas de árvores e postes não causariam a falta de luz. “Não é um empreendimento fácil nem barato. Há inclusive uma discussão de quem arcaria com esses custos. Mas isso precisa ser feito, porque o que temos visto é uma repercussão muito ruim, com regiões há mais de 24 horas sem energia.”

Vento derrubou 346 árvores em parques

As fortes chuvas e rajadas de vento que atingiram grande parte de São Paulo na sexta-feira, 3, derrubaram 346 árvores dentro dos parques da cidade, segundo a Prefeitura de São Paulo. Os parques onde mais caíram árvores estão na zona sul: o Ibirapuera, com 128 quedas, o Santo Dias, com 61, e o Nabuco, com 26 quedas.

Ao todo, mais de 40 municípios, incluindo a capital paulista, tiveram ocorrências por queda de árvores. Foram mais de 2 mil chamados para ocorrências desse tipo de acordo com as defesas civis e o Corpo de Bombeiros em todo o Estado, conforme informou a Defesa Civil estadual.

As rajadas de vento chegaram a 104 km/h em alguns pontos da cidade. Especialistas apontam que ventos acima de 80 km/h podem arrancar até mesmo árvores sadias. O impacto das rajadas, porém, poderia ser reduzido com massa arbórea mais densa, já que, ao entrar pela rua, o vento pode até aumentar sua velocidade.

Recuperação de áreas

Em razão da intensidade do temporal, desde o início da chuva e ao longo da noite, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) acompanhou os trabalhos dos agentes da Prefeitura em vários pontos da cidade para recuperação de áreas afetadas.

“Equipes das subprefeituras, da Defesa Civil e agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), em conjunto com a Enel, passaram a noite, a madrugada e estão nas ruas de todos os bairros da cidade para recuperação de áreas afetadas”, disse a Prefeitura.

Poucas vias da cidade têm fios enterrados, a exemplo do que ocorre na Avenida Paulista. O mais comum é um emaranhado de cabos, alguns deles entrelaçados a galhos de árvores.

A proximidade do verão, época do ano em que a ocorrência de chuvas fortes é mais recorrente, exige ações de zeladoria emergenciais para evitar a repetição destes acidentes. Em 2024, há um agravante: o El Niño, fenômeno climático que acentua as precipitações. (COLABOROU GUSTAVO CÔRTES)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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