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Internacional

Ganhadora do Nobel de 2013, escritora morre aos 92 anos

Na terça-feira (14), a editora de Munro confirmou a morte da escritora, aos 92 anos, sem especificar a causa da morte

Por Estadão

4 mins de leitura

em 15 de maio de 2024, às 09h12

Foto: Reprodução

Foi em 1968 que a escritora canadense Alice Munro publicou sua primeira obra de sucesso. Mas, em 2013, ela alcançou o raro feito de figurar no panteão dos ganhadores de um Prêmio Nobel de Literatura, aos 82 anos de idade. Logo depois da premiação, ela anunciou sua aposentadoria – ela já havia passado por uma cirurgia no coração e um tratamento contra o câncer. Na terça-feira (14), a editora de Munro confirmou a morte da escritora, aos 92 anos, sem especificar a causa da morte. Nos últimos anos, com a saúde cada vez mais fragilizada, a autora recebeu o diagnóstico de demência.

Nascida em 1931 em Wingham, na província de Ontário, Canadá, a obra de Munro narra a história de pessoas simples em pequenas cidades, fazendas, subúrbios, que carregam consigo descontentamentos e tragédias muitas vezes mantidos em segredo. Em boa parte, os contos são protagonizados por mulheres.

No Brasil, a obra de Munro foi traduzida em livros como As Luas de Júpiter, A Vista de Castle Rock e Falsos Segredos.

Na entrega do Nobel, ela foi celebrada como uma “mestre do conto contemporâneo” com a habilidade para “acomodar a complexidade épica de um romance em apenas algumas páginas”. A escritora, porém, não foi receber o prêmio. À época, aos 82 anos, dizia estar muito fraca para viajar até a Suécia.

Em vez do tradicional discurso, Munro gravou uma longa entrevista sobre sua obra na qual afirma que a literatura consumiu toda a sua vida. “Mas sabe como é, no fim das contas sempre colocou comida na mesa para meus filhos”, disse. Munro foi a 13.ª mulher a ganhar o Nobel de Literatura – o prêmio foi criado em 1901.

Obra

“As pessoas dizem que escrevo histórias pessimistas ou depressivas, mas sei que nunca fui uma pessoa pessimista em toda a minha vida. Deveriam me considerar como uma mãe animada, que oferece conselhos banais”, disse, em entrevista ao New York Times.

O professor de literatura inglesa Sherry Linkon, da Universidade de Georgetown, afirma que Munro revitalizou o gênero do conto com personagens femininas tão “complexas e contestáveis quanto os homens – além de sombrias. “Você sente que as pessoas podem ser tão cruéis tanto umas com as outras como consigo mesmas.”

A primeira obra de sucesso da escritora foi Dance of the Happy Shades (Dança das Sombras Alegres, em tradução livre), premiada com o equivalente ao Pulitzer canadense, o que a integrou a uma nova geração de escritores no Canadá, como Margaret Atwood (de O Conto da Aia).

Dez anos depois, passou a ter contos publicados pela revista americana The New Yorker. Em 2009, recebeu o prêmio Man Booker International. Na ocasião, o júri defendeu que a leitura de Munro é um aprendizado “de algo novo que nunca havia se pensado antes”.

“A marca da autora está nas reviravoltas provocadas pelas elipses e no desprezo pela sequência linear dos acontecimentos”, escreveu o jornalista Antonio Gonçalves Filho no Estadão em texto sobre o livro Vida Querida, de 2012.

Cinema

Em 2006, o filme Longe Dela adaptou um dos contos de Munro para o cinema. O longa narra a história de uma mulher com Alzheimer e a busca de seu marido para se reconectar às memórias da esposa.

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar inspirou-se em três de seus contos para escrever o roteiro de Julieta, de 2016. São os textos Ocasião, Daqui a Pouco e Silêncio, que figuram no livro Fugitiva.

À época de sua aposentadoria, Alice Munro disse que escrevia desde os 20 anos e que já estava satisfeita. “São muitos anos de trabalho e acho que agora é hora de pegar mais leve.” (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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