Saúde e Bem-estar

El Niño pode aumentar casos de dengue e chikungunya; entenda

A foto alude à relação entre El Niño e arboviroses
Fonte: Magnific

O Brasil registrou queda expressiva nos casos de dengue e chikungunya em 2026. Mesmo assim, especialistas alertam que esse cenário pode mudar nos próximos meses. A chegada do fenômeno El Niño pode criar condições favoráveis para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana.

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Por isso, o Ministério da Saúde emitiu um alerta para estados e municípios reforçarem as ações de vigilância e controle das arboviroses. A preocupação se baseia em projeções climáticas que indicam aumento das temperaturas e mudanças no regime de chuvas a partir do segundo semestre deste ano.

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Por que o El Niño pode aumentar os casos de dengue?

O El Niño altera o clima em diferentes regiões do país. Em algumas áreas, provoca chuvas mais intensas. Em outras, favorece períodos prolongados de seca. Essas mudanças criam condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti.

Durante as estiagens, muitas famílias armazenam água em recipientes, que podem se transformar em criadouros do mosquito quando permanecem descobertos. Já nas regiões com mais chuvas, o acúmulo de água em vasos, pneus, calhas e outros objetos também favorece a proliferação do vetor.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno pode ocorrer com intensidade moderada a forte nos próximos meses.

O que dizem as projeções para os próximos anos?

Modelos desenvolvidos pelo “InfoDengue”, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estimam que o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que essa projeção considera cenários climáticos e pode sofrer alterações conforme novas informações forem incorporadas aos modelos epidemiológicos.

Mesmo assim, o levantamento reforça a necessidade de antecipar medidas de prevenção antes do aumento da circulação do mosquito.

O país vive uma redução dos casos

Apesar do alerta, os números atuais mostram um cenário mais favorável. Dados do Ministério da Saúde apontam que, até 20 de junho de 2026, o Brasil registrou cerca de 392,8 mil casos de dengue, uma redução de 73% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os casos de chikungunya também diminuíram 46% no mesmo intervalo. Especialistas alertam que essa queda não elimina o risco de novas epidemias, principalmente diante das mudanças climáticas.

Como estados e municípios devem se preparar?

O Ministério da Saúde orienta os gestores locais a intensificarem as ações de vigilância epidemiológica e controle do mosquito. Entre as principais recomendações estão:

  • identificar rapidamente os primeiros casos;
  • realizar bloqueios para interromper a transmissão;
  • reorganizar o trabalho dos Agentes de Combate às Endemias;
  • ampliar o uso das tecnologias recomendadas para controle do vetor;
  • fortalecer campanhas educativas junto à população.

Essas medidas ajudam a reduzir a circulação do mosquito antes que ocorram surtos de maior intensidade.

O que cada pessoa pode fazer para evitar a dengue?

A prevenção continua sendo a principal arma contra as arboviroses. Alguns cuidados simples fazem diferença:

  • eliminar recipientes que acumulem água parada;
  • manter caixas-d’água e tonéis bem tampados;
  • limpar calhas e ralos regularmente;
  • trocar diariamente a água dos animais;
  • colocar areia nos pratos de vasos de plantas;
  • procurar atendimento médico ao surgirem sintomas como febre alta, dores no corpo, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas ou dor intensa nas articulações.

A participação da população permanece essencial para impedir a proliferação do Aedes aegypti. Quanto mais cedo os focos do mosquito forem eliminados, menores serão as chances de aumento dos casos nos próximos meses.

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