Saúde e Bem-estar

HIV: dois novos casos renovam esperança de cura

Dois novos casos de remissão do HIV representam um avanço científico, mas especialistas reforçam que ainda não existe cura acessível para a população.

A foto alude ao combate do HIV
Fonte: Magnific

Dois novos casos de remissão do HIV renovaram as expectativas da comunidade científica e de milhões de pessoas que vivem com o vírus. Os pacientes permanecem sem carga viral detectável mesmo após interromperem o uso dos medicamentos antirretrovirais. Apesar do avanço, especialistas alertam que esses resultados não representam uma cura disponível para a população nem justificam a interrupção do tratamento.

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Os casos serão apresentados na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro. Com eles, sobe para 13 o número de pessoas consideradas em remissão prolongada ou possível cura do HIV, segundo a “Sociedade Internacional de AIDS” (IAS).

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Esses novos casos significam que já existe cura para o HIV?

Ainda não. Os especialistas preferem usar o termo “remissão sustentada do HIV”. Isso significa que o vírus permanece indetectável mesmo sem o uso de antirretrovirais durante um período prolongado.

Os dois pacientes estão há 14 e 12 meses sem medicamentos. Embora os exames não detectem o vírus, os pesquisadores precisam acompanhar essas pessoas por mais tempo para confirmar se o HIV realmente não voltará.

Além disso, a ciência ainda não dispõe de um exame capaz de comprovar que o vírus desapareceu completamente de todos os tecidos do organismo.

Por que esses pacientes conseguiram interromper o tratamento?

Os dois receberam transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue, como leucemia. Esse procedimento não teve como objetivo tratar o HIV.

Os doadores possuíam uma rara mutação genética chamada CCR5-delta32. Essa alteração dificulta a entrada das formas mais comuns do HIV nas células de defesa do organismo.

Após o transplante, o sistema imunológico dos pacientes passou por uma profunda reconstrução. Como consequência, os pesquisadores observaram uma redução importante dos reservatórios do vírus, locais onde o HIV costuma permanecer escondido durante anos.

Por que esse transplante não serve como tratamento para quem vive com HIV?

O transplante de células-tronco apresenta riscos elevados. O procedimento pode provocar infecções graves, rejeição, danos a órgãos e outras complicações potencialmente fatais. Por isso, os médicos indicam esse tratamento apenas para pacientes que já precisam do transplante por causa de doenças hematológicas graves.

Para pessoas que controlam o HIV com antirretrovirais, os riscos superam amplamente os possíveis benefícios.

O que significa carga viral indetectável?

Carga viral corresponde à quantidade de vírus presente no sangue.

Quando os exames mostram carga viral indetectável, significa que o HIV permanece em níveis tão baixos que os testes não conseguem medi-lo. Pessoas que mantêm esse resultado com tratamento regular não transmitem o vírus por via sexual, princípio conhecido como “Indetectável = Intransmissível (I=I)”. No entanto, isso não significa que o vírus tenha sido eliminado do organismo.

O que são os controladores de elite?

Os chamados controladores de elite representam um grupo muito pequeno de pessoas que conseguem controlar naturalmente a multiplicação do HIV, mesmo sem medicamentos.

Nesse grupo, o sistema imunológico impede que o vírus se multiplique de forma significativa. Ainda assim, o HIV pode permanecer escondido em algumas células.

Esse mecanismo difere dos casos observados após transplantes, nos quais o sistema imunológico foi reconstruído com células de um doador.

Quando uma cura acessível poderá chegar?

A resposta ainda depende de novas pesquisas. Desse modo, cientistas estudam terapias genéticas, anticorpos monoclonais e tratamentos capazes de fortalecer a resposta imunológica sem recorrer ao transplante. Embora os resultados sejam promissores, essas estratégias permanecem em fase de pesquisa.

Até que novos tratamentos sejam comprovadamente seguros, os antirretrovirais continuam sendo a melhor forma de controlar o HIV, preservar a saúde, impedir a transmissão sexual e garantir qualidade de vida às pessoas que vivem com o vírus.

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