Saúde e Bem-estar

Bruxismo em crianças: por que os casos aumentaram?

Ansiedade, excesso de telas e alterações na rotina explicam o aumento do bruxismo entre crianças e adolescentes, segundo especialistas.

A foto alude ao bruxismo infantil
Fonte: Magnific

Ranger ou apertar os dentes durante o sono deixou de ser um comportamento considerado apenas um hábito infantil. Especialistas observam um aumento dos casos de bruxismo entre crianças e adolescentes, principalmente após a intensificação do uso de telas, do estresse e das mudanças na rotina. O problema pode causar dores, desgaste dos dentes e prejuízos à qualidade do sono, além de afetar o desenvolvimento da saúde bucal.

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Conforme estudos recentes, cerca de um terço das crianças apresenta bruxismo do sono. Diante desse cenário, profissionais de saúde defendem, assim, um olhar mais amplo sobre o problema. Em vez de focar apenas nos dentes, eles recomendam avaliar também fatores emocionais, comportamentais e hábitos diários.

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O que está por trás do aumento do bruxismo em crianças?

As pesquisas atuais indicam que o bruxismo tem forte relação com o funcionamento do sistema nervoso. Em muitos casos, ansiedade, estresse e alterações do sono estimulam o apertamento ou o ranger involuntário dos dentes.

De acordo com uma metanálise publicada em 2024, a prevalência global do bruxismo do sono em crianças chega a aproximadamente 31%. No Brasil, estudos também apontam índices elevados, especialmente entre adolescentes submetidos à pressão escolar e emocional.

Cinco fatores que favorecem o bruxismo

1. Ansiedade e estresse emocional

O aumento das cobranças escolares, dos desafios sociais e das preocupações do dia a dia elevou os níveis de ansiedade entre crianças e adolescentes.

Esse estado de tensão pode se manifestar durante o sono ou mesmo enquanto a criança permanece acordada, levando ao apertamento involuntário dos dentes.

2. Uso de telas antes de dormir

Celulares, tablets e computadores prejudicam a produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono.

Além disso, redes sociais, jogos e vídeos mantêm o cérebro em estado de alerta. Como consequência, o organismo encontra mais dificuldade para relaxar, favorecendo episódios de bruxismo.

Um estudo realizado com adolescentes identificou aumento simultâneo da ansiedade, do uso noturno de redes sociais e do bruxismo durante o período de isolamento da pandemia.

3. Excesso de informações e medo de ficar desconectado

O chamado FOMO, sigla em inglês para “medo de ficar de fora”, tornou-se comum entre adolescentes.

A necessidade constante de acompanhar notificações, mensagens e publicações aumenta a tensão emocional e dificulta o descanso adequado. O excesso de informações também mantém o cérebro em permanente estado de vigilância.

4. Sedentarismo e rotina desorganizada

A prática regular de atividade física ajuda a controlar a ansiedade, melhora o humor e favorece um sono reparador.

Quando a criança passa muitas horas sentada e reduz o tempo de movimento, o organismo perde um importante mecanismo natural para aliviar o estresse.

5. Hábitos familiares

As crianças aprendem observando os adultos. Quando pais e responsáveis utilizam dispositivos eletrônicos durante todo o tempo, os filhos tendem a repetir esse comportamento.

Por isso, estabelecer limites para o uso das telas beneficia toda a família e contribui para hábitos mais saudáveis.

Como identificar os sinais do bruxismo?

Nem sempre o ranger dos dentes produz barulho suficiente para chamar a atenção da família. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem durante o dia.

Os principais sintomas incluem:

  • dor na mandíbula ao acordar;
  • dores de cabeça frequentes;
  • desgaste ou sensibilidade dos dentes;
  • dificuldade para abrir a boca;
  • dor no pescoço;
  • zumbido nos ouvidos;
  • fadiga dos músculos da mastigação.

Em algumas crianças, o bruxismo também pode estar associado à apneia do sono, condição que provoca interrupções temporárias da respiração durante a noite.

Como tratar o bruxismo infantil?

O tratamento depende da causa. Por isso, o diagnóstico deve envolver diferentes profissionais, como cirurgião-dentista, pediatra, psicólogo e, quando necessário, especialistas em sono.

Além do acompanhamento clínico, especialistas recomendam reduzir o uso de telas entre 60 e 90 minutos antes de dormir, incentivar atividades físicas, criar horários regulares para o sono e fortalecer momentos de convivência familiar.

Quanto mais cedo a família identifica os sinais, maiores são as chances de controlar o problema e evitar danos permanentes aos dentes e à qualidade de vida da criança.

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