Saúde e Bem-estar

Novo remédio para enxaqueca é aprovado pela Anvisa

O Aquipta recebeu registro da Anvisa para prevenir enxaqueca em adultos com pelo menos quatro episódios mensais.

A foto mostra pessoa com enxaqueca
Fonte: Magnific

Quem convive com crises frequentes de enxaqueca ganhou uma nova opção de tratamento no Brasil. A Anvisa aprovou o registro do Aquipta (atogepanto) nesta terça-feira (8).

O medicamento atua na prevenção das crises em adultos que apresentam pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês. A aprovação, porém, não significa que o produto já esteja disponível nas farmácias.

Leia também – Setembro Verde: por que falar sobre doação de órgãos?

O novo tratamento age sobre uma via relacionada à dor da enxaqueca. Estudos clínicos também mostraram redução na quantidade de dias com crises.

A agência autorizou apresentações de 10 mg e 60 mg. O preço e a data de chegada ao mercado brasileiro ainda não foram definidos.

Para que serve o Aquipta?

O Aquipta serve para prevenir crises de enxaqueca em adultos. A enxaqueca provoca episódios recorrentes de dor de cabeça. Muitas vezes, também causa náusea, vômito e sensibilidade à luz e aos sons.

Para algumas pessoas, as crises interferem no trabalho, nos estudos, no sono e nas atividades cotidianas. Por isso, médicos podem indicar tratamentos preventivos quando as crises acontecem com frequência ou provocam grande impacto na rotina.

O atogepanto representa uma alternativa oral dentro de uma classe de medicamentos desenvolvida especificamente para atuar em mecanismos relacionados à enxaqueca.

Como o atogepanto age contra a enxaqueca?

O medicamento bloqueia o receptor do CGRP, uma molécula envolvida na transmissão da dor. Durante uma crise, o sistema nervoso libera substâncias que participam da comunicação da dor. O CGRP está entre elas.

O atogepanto impede que essa molécula ative seu receptor. Dessa forma, o medicamento interfere em uma das vias envolvidas no desenvolvimento das crises. Esse grupo de medicamentos recebe o nome de gepants. A principal diferença está na forma de uso. O atogepanto é administrado por via oral, enquanto alguns tratamentos que atuam sobre o CGRP utilizam aplicações injetáveis.

O novo remédio realmente reduz as crises?

Os estudos clínicos apontaram redução dos dias de enxaqueca em comparação com o placebo. No estudo ADVANCE, pesquisadores acompanharam 910 adultos com quatro a 14 dias de enxaqueca por mês.

Após 12 semanas, o grupo que recebeu 60 mg apresentou redução média de 4,2 dias de enxaqueca por mês. No grupo placebo, a redução chegou a 2,5 dias. Além disso, 60,8% dos participantes que receberam 60 mg reduziram pelo menos pela metade os dias de enxaqueca. Entre aqueles que receberam placebo, esse resultado ocorreu em 29% dos participantes.

Esses resultados mostram benefício em relação ao placebo. Porém, o estudo não permite afirmar que o atogepanto seja melhor que todos os outros tratamentos preventivos.

Quais efeitos adversos podem aparecer?

Os estudos apontaram principalmente constipação e náusea entre os efeitos adversos. No estudo de fase 3, a constipação apareceu em cerca de 7% dos participantes que receberam atogepanto. A náusea ocorreu em aproximadamente 5% deles. A reação pode variar entre as pessoas. Por isso, o tratamento precisa considerar as características de cada paciente.

O uso de medicamentos para prevenção da enxaqueca também exige acompanhamento profissional. A pessoa não deve iniciar ou alterar o tratamento por conta própria.

Quando o Aquipta chegará às farmácias?

A aprovação da Anvisa abre caminho para a comercialização do medicamento no Brasil. Entretanto, ainda existem etapas antes da chegada às farmácias.

O produto precisa passar pela análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, responsável pela definição do preço máximo.

Até o momento, não existe uma previsão confirmada para o início das vendas no país. Portanto, a aprovação sanitária não significa disponibilidade imediata para os pacientes.

O Aquipta já estará disponível pelo SUS?

Não. O registro da Anvisa permite a comercialização do medicamento, mas não determina sua oferta pelo Sistema Único de Saúde.

A incorporação ao SUS exige uma avaliação específica. Esse processo considera as evidências científicas, os benefícios clínicos e os custos da tecnologia. Assim, ainda não é possível afirmar se o Aquipta será oferecido pela rede pública.

Para quem convive com crises frequentes, a principal mudança agora é a existência de uma nova alternativa preventiva aprovada no país. A novidade amplia as possibilidades de tratamento, mas não significa que o medicamento seja indicado para todas as pessoas com enxaqueca. A escolha depende da frequência das crises, do histórico de tratamentos, de outras condições de saúde e da avaliação individual.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aqui

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726