A igreja que recebeu Dom Pedro II e se tornou símbolo da história de Itapemirim
Ao longo de mais de três séculos, a Igreja acompanhou a formação da comunidade, as mudanças sociais e políticas e a construção da identidade do município.

A história de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, se confunde com a trajetória da fé católica na região. Ao longo de mais de três séculos, a Igreja acompanhou a formação da comunidade, as mudanças sociais e políticas e a construção da identidade do município.
Um dos principais símbolos dessa trajetória é a Paróquia Nossa Senhora do Amparo, considerada a mais antiga da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Criada oficialmente em março de 1769, a comunidade religiosa completa 257 anos em 2026.
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Os primeiros registros ligados à presença católica na região remontam a 1625, com a chegada de missionários jesuítas aos Montes Castelos, área hoje associada à região do Caxixe, nas proximidades da Fazenda do Centro, em Castelo.
Décadas depois, em 1710, a comunidade administrada pelos jesuítas foi elevada à condição de Igreja Matriz dos Montes Castelos, sob a proteção de Nossa Senhora do Amparo. A devoção passou, desde então, a ocupar espaço central na história religiosa que mais tarde se consolidaria em Itapemirim.
Com as dificuldades enfrentadas na região, entre elas a escassez de alimentos e a insegurança provocada por conflitos com indígenas puris, moradores migraram para o Sítio Itapemirim. Nesse deslocamento, levaram consigo imagens religiosas, a pia batismal, o sino e outros objetos litúrgicos.
Em 1765, um novo templo foi construído no Sítio Itapemirim sob a responsabilidade do Padre Amaro da Silva. A mudança não interrompeu a tradição religiosa. Pelo contrário, manteve viva uma comunidade que carregava consigo sua fé, suas devoções e sua memória.
Quatro anos depois, em março de 1769, a comunidade foi oficialmente constituída como Paróquia Nossa Senhora do Amparo por ato de Dom Antônio Malheiros Reimão, então bispo diocesano do Rio de Janeiro.
A criação da paróquia marcou a consolidação de uma estrutura permanente de organização da vida religiosa local, com celebração dos sacramentos, acompanhamento pastoral e transmissão da fé entre diferentes gerações.
Construção da atual matriz

Com o crescimento da população e as dificuldades de acesso às antigas igrejas, novos templos precisaram ser erguidos ao longo dos anos.
Em 1815, o presidente da Província, Francisco Alberto Rubim, determinou a construção de uma nova igreja em uma área mais próxima da povoação. O prédio foi concluído em 1820, mas, com o passar do tempo, sofreu problemas estruturais e se tornou pequeno diante do aumento do número de fiéis.
Em 1846, a Câmara Municipal de Itapemirim decidiu construir uma nova matriz. A pedra fundamental foi lançada em 8 de setembro de 1847, e as obras começaram no ano seguinte sob a direção do Frei Capuchinho Paulo Antônio Casas Novas.
A construção reuniu elementos diretamente ligados à história econômica do município. Pedras utilizadas como lastro dos navios que chegavam ao porto da Barra para comercializar açúcar foram aproveitadas na obra.
Como o cimento ainda não era utilizado, a argamassa era feita com cal, óleo de baleia ou de cação e pó de conchas torradas.
A atual Matriz de Nossa Senhora do Amparo foi inaugurada em 15 de setembro de 1855. Os festejos duraram três dias e mobilizaram mais de duas mil pessoas, entre moradores, autoridades religiosas e fazendeiros.
Durante a celebração, as imagens de Nossa Senhora do Amparo e São Benedito, além dos paramentos litúrgicos, foram levadas até o novo templo.
Igreja recebeu Dom Pedro II
A matriz também integra capítulos da história política do Brasil. Em 7 de fevereiro de 1860, o imperador Dom Pedro II foi recebido no templo durante uma visita a Itapemirim.
Na época, a igreja serviu como local de acolhida ao monarca porque o prédio da Câmara Municipal ainda não estava concluído.
O episódio reforça a importância que a matriz exercia não apenas como espaço religioso, mas também como ponto de referência da vida pública e social da cidade.
Curiosidades preservadas ao longo dos séculos
A igreja mantém ainda várias marcas de sua trajetória histórica. Uma grande cruz de ferro instalada na fachada foi destruída por um raio em 22 de dezembro de 1877. Depois, ela foi substituída por uma cruz menor, feita de madeira.
Outra curiosidade está na placa existente acima da porta central, que traz a data de 1853. O registro não indica o ano de inauguração da igreja, mas representa uma homenagem a Frei Paulo de Casas Novas, responsável pela condução das obras e transferido naquele ano para Sergipe.
O interior do templo também guarda vestígios de uma prática comum no passado: o sepultamento de pessoas de famílias mais abastadas dentro das igrejas.
Em 1949, durante a substituição do antigo assoalho, foram encontrados restos mortais que confirmavam a realização desses sepultamentos.
257 anos de história
Em 2026, a Paróquia Nossa Senhora do Amparo completa 257 anos desde sua criação oficial. A atual matriz, por sua vez, chega aos 171 anos de inauguração.
Ao longo desse período, o templo acompanhou diferentes gerações de moradores. Batizados, casamentos, celebrações religiosas, despedidas e momentos importantes da vida da comunidade fazem parte da história construída dentro de suas paredes.
Mais do que um patrimônio arquitetônico, a matriz permanece como símbolo religioso e cultural de Itapemirim.
Como paróquia mais antiga da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, Nossa Senhora do Amparo ocupa um lugar de destaque na memória da Igreja Católica no Sul capixaba.
Sua trajetória atravessa séculos e acompanha a própria formação do município. Da presença dos primeiros missionários à construção da atual matriz, a história da paróquia permanece ligada à fé, à cultura e à identidade do povo de Itapemirim.
Com informações da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim.
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