Plástico na gravidez é ligado a sinais de autismo e TDAH
Estudo australiano encontrou associação entre exposição pré-natal ao DEHP, alterações na regulação de genes e características de autismo e TDAH na infância.

Durante a gravidez, o bebê recebe nutrientes e oxigênio, mas também pode entrar em contato com substâncias presentes no ambiente. Um novo estudo investigou uma delas: o DEHP, um composto usado para deixar alguns plásticos mais flexíveis.
Pesquisadores australianos encontraram uma associação entre maior exposição ao DEHP durante a gestação, alterações na regulação de genes e mais características relacionadas ao autismo e ao TDAH nos primeiros anos de vida.
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O estudo analisou 847 crianças acompanhadas desde a gestação. Os resultados foram publicados em 11 de setembro na revista científica Med, da Cell Press.
O DEHP na gravidez pode aumentar o risco de autismo e TDAH?
Ainda não é possível afirmar isso. A pesquisa encontrou uma associação, mas não provou que o DEHP provoque autismo ou TDAH.
Essas condições envolvem uma combinação complexa de fatores genéticos e ambientais. Portanto, a exposição a uma única substância não determina o desenvolvimento de uma criança.
O trabalho, porém, acrescenta uma possível explicação biológica para associações observadas em pesquisas anteriores.
Como o estudo relacionou o plástico ao desenvolvimento infantil?
Os cientistas usaram dados do Barwon Infant Study, uma pesquisa australiana que acompanha crianças desde a gestação.
Para estimar a exposição ao DEHP, a equipe analisou metabólitos da substância na urina das mães durante o terceiro trimestre. Depois, examinou o sangue do cordão umbilical.
Os pesquisadores identificaram alterações na metilação do DNA. Esse mecanismo controla a atividade de determinados genes sem modificar a sequência do DNA.
A análise encontrou uma rede de 531 genes relacionada à exposição ao DEHP. Essa rede apresentou ligação com processos envolvidos no desenvolvimento do sistema nervoso.
As crianças passaram por avaliações aos 2 e 4 anos. Os pesquisadores observaram maior presença de características relacionadas ao autismo e ao TDAH entre aquelas que tiveram maior exposição pré-natal.
A equipe também comparou os resultados com bancos independentes de sangue e tecido cerebral. Essas análises reforçaram parte das alterações encontradas.
Onde o DEHP pode estar presente?
O DEHP pertence ao grupo dos ftalatos, substâncias utilizadas na fabricação de alguns plásticos. Ele aparece principalmente em materiais feitos com PVC flexível.
Dependendo da composição, produtos como pisos de vinil, tubos flexíveis e alguns materiais médicos podem conter ftalatos.
A presença da substância varia conforme o produto e o processo de fabricação. Por isso, não é correto considerar todo plástico uma fonte de DEHP.
O que muda para quem está grávida?
O estudo não indica que gestantes devam entrar em pânico ou tentar eliminar todo contato com produtos plásticos.
A principal mensagem envolve prevenção e redução de exposições desnecessárias. Gestantes podem conversar com a equipe de pré-natal sobre dúvidas relacionadas a produtos químicos presentes no ambiente.
Também vale acompanhar orientações das autoridades de saúde e evitar conclusões baseadas apenas em um estudo.
O próprio trabalho reforça a necessidade de novas pesquisas para confirmar os mecanismos observados e entender melhor seus efeitos no desenvolvimento infantil.
Por que a descoberta importa?
O resultado ajuda pesquisadores a entender como fatores ambientais podem interagir com processos biológicos durante uma fase especialmente importante do desenvolvimento.
O estudo também reforça uma linha de pesquisa que investiga como substâncias químicas presentes no cotidiano podem influenciar o desenvolvimento cerebral.
Ainda assim, o resultado representa uma peça do quebra-cabeça. Ele não permite prever quais crianças terão autismo ou TDAH nem atribuir essas condições à exposição ao DEHP.
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