Saúde e Bem-estar

Teste genético pode ajudar pacientes com câncer de mama a evitar quimioterapia

Pesquisa com 4.429 participantes aponta que teste genético pode identificar pacientes com câncer de mama que apresentam pouco benefício adicional com quimioterapia.

A foto alude ao câncer de mama
Fonte: Magnific

A quimioterapia representa uma etapa importante no tratamento de muitos casos de câncer de mama. Entretanto, nem todas as pacientes apresentam o mesmo benefício com esse recurso. Um teste genético pode ajudar a identificar quem realmente precisa desse tratamento e evitar efeitos colaterais desnecessários.

Uma pesquisa coordenada pela University College London, no Reino Unido, investigou o uso do teste genômico Prosigna para orientar decisões terapêuticas. O estudo acompanhou 4.429 pessoas com câncer de mama hormônio-sensível em seis países.

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Os resultados indicaram que 68% dos participantes apresentaram baixo risco genético de recorrência. Nesse grupo, a quimioterapia praticamente não alterou os resultados observados após cinco anos.

Como o teste genético ajuda a decidir sobre a quimioterapia?

O Prosigna é um exame genômico que analisa a atividade de genes relacionados ao crescimento do câncer de mama. A partir dessa avaliação, o teste calcula o risco de recorrência da doença.

Na prática, o resultado ajuda a identificar características biológicas do tumor. Dessa maneira, a equipe de saúde consegue avaliar melhor a necessidade de tratamentos adicionais.

A pesquisa envolveu mulheres e homens com 40 anos ou mais, diagnosticados com câncer de mama hormônio-sensível. Os participantes haviam passado por cirurgia e apresentavam diferentes condições de risco.

Grande parte também apresentava comprometimento dos linfonodos axilares. Essas estruturas fazem parte do sistema linfático e ajudam o organismo a combater infecções.

Quando células cancerígenas alcançam esses linfonodos, o risco de recorrência pode aumentar. Por isso, a quimioterapia costuma integrar o tratamento de muitos desses pacientes.

Como funciona o exame Prosigna?

O teste utiliza amostras de tecido tumoral para analisar a atividade genética do câncer. Geralmente, os laboratórios examinam fragmentos retirados durante a cirurgia.

Entretanto, o método também permite analisar pequenas amostras obtidas por biópsia com agulha. Isso amplia as possibilidades de utilização do exame.

No estudo, os pesquisadores utilizaram uma pontuação para orientar as decisões terapêuticas. Pacientes com resultado acima de 60 receberam quimioterapia e terapia hormonal.

Já aqueles com pontuação igual ou inferior a 60 seguiram apenas com terapia hormonal. Ambos os grupos também receberam radioterapia e outros cuidados indicados.

O que os resultados da pesquisa revelaram?

Entre os 4.429 participantes, 68% apresentaram pontuação baixa no teste genético. Nesse grupo, os pesquisadores observaram resultados muito semelhantes com ou sem quimioterapia.

Após cinco anos, 94,8% dos participantes que receberam quimioterapia e terapia hormonal permaneciam vivos e sem recorrência.

Entre aqueles que receberam apenas terapia hormonal, esse índice chegou a 93,6%.

A diferença de 1,2 ponto percentual indica que a quimioterapia acrescentou pouco benefício nesse grupo. A análise estatística também apontou que, no máximo, 2% dos pacientes com baixa pontuação poderiam obter algum benefício adicional.

Assim, os resultados reforçam o potencial do teste para evitar tratamentos que oferecem pouco ganho clínico em determinados casos.

Quem pode se beneficiar do teste genético?

O estudo concentrou-se em pessoas com câncer de mama hormônio-sensível, uma característica comum desse tipo de tumor.

Nesses casos, as células cancerígenas apresentam receptores que respondem aos hormônios, especialmente ao estrogênio. Por isso, a terapia hormonal ajuda a bloquear esses estímulos ou reduzir sua ação.

Entretanto, o resultado do Prosigna não determina sozinho o tratamento. A equipe de saúde precisa considerar outros fatores, como características do tumor, idade, condições clínicas e comprometimento dos linfonodos.

Além disso, o estudo não significa que todas as pacientes possam dispensar a quimioterapia. Pessoas com maior risco genético podem continuar precisando desse tratamento.

Por que evitar quimioterapia desnecessária importa?

A quimioterapia combate células cancerígenas, mas também pode afetar células saudáveis. Por isso, provoca efeitos adversos como náuseas, queda de cabelo, fadiga e alterações nas células sanguíneas.

Em algumas situações, também pode causar complicações mais graves e comprometer a qualidade de vida.

Nesse contexto, os testes genômicos representam um avanço na personalização do tratamento oncológico. Eles ajudam a aproximar as decisões terapêuticas das características individuais de cada tumor.

O estudo da University College London reforça essa possibilidade. Entretanto, a decisão de realizar o exame ou modificar o tratamento deve ocorrer sempre com acompanhamento da equipe de oncologia.

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