Saúde e Bem-estar

Choque anafilático: entenda os sintomas e por que a reação é perigosa

Casos conhecidos chamam atenção para a anafilaxia, reação alérgica grave que pode comprometer a respiração e a circulação.

Morre Janaína Barbosa
Foto: Redes Sociais

Uma reação alérgica pode começar com coceira, vermelhidão ou inchaço e evoluir rapidamente para uma emergência médica. Em situações graves, o organismo apresenta uma resposta intensa a determinada substância, comprometendo a respiração e a circulação sanguínea.

O choque anafilático voltou ao debate após a morte da jornalista e ex-apresentadora Janaína Barbosa, aos 48 anos. Segundo informações divulgadas por uma amiga, ela teria apresentado uma reação alérgica grave após trocar uma medicação. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o medicamento envolvido.

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O caso chama atenção para os riscos da anafilaxia, uma reação que pode ocorrer após o contato com medicamentos, alimentos ou picadas de insetos. Outros episódios conhecidos, como o da cantora Clara Nunes, também mostram a gravidade dessa condição.

Reconhecer os primeiros sinais e procurar socorro rapidamente pode fazer diferença no atendimento.

O que é choque anafilático e por que ele oferece riscos?

O choque anafilático representa uma manifestação grave da anafilaxia, uma reação alérgica intensa que envolve diferentes sistemas do organismo.

Durante esse processo, o sistema imunológico reage exageradamente a uma substância. Como consequência, libera mediadores químicos que provocam alterações na circulação e nas vias respiratórias.

Entre os principais efeitos estão a queda acentuada da pressão arterial e o inchaço de estruturas que participam da respiração.

Quando a reação compromete a circulação sanguínea, os órgãos podem deixar de receber oxigênio suficiente. Além disso, o estreitamento das vias respiratórias dificulta a passagem do ar.

Sem atendimento imediato, o quadro pode provocar perda de consciência e parada cardíaca.

É importante diferenciar os termos: anafilaxia é a reação alérgica grave, enquanto choque anafilático ocorre quando essa reação compromete significativamente a circulação.

Quais medicamentos e substâncias podem provocar anafilaxia?

Diferentes substâncias podem desencadear uma reação alérgica grave. Entre os principais agentes estão:

  • Medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios;
  • Anestésicos utilizados em procedimentos médicos;
  • Alimentos, como amendoim e outros ingredientes alergênicos;
  • Picadas de insetos.

Entretanto, o contato com essas substâncias não provoca anafilaxia em todas as pessoas. A reação depende da sensibilidade individual.

Outro ponto importante é que uma pessoa pode desenvolver alergia mesmo depois de utilizar determinado medicamento anteriormente sem apresentar problemas.

Por isso, quem suspeita de uma reação alérgica a algum remédio precisa comunicar o episódio à equipe responsável pelo atendimento.

Quais são os sintomas do choque anafilático?

Os sintomas podem aparecer poucos minutos ou algumas horas depois do contato com a substância desencadeadora.

A intensidade varia, e nem todas as pessoas apresentam os mesmos sinais.

Entre as manifestações mais comuns estão:

  • Pele: coceira, vermelhidão e placas elevadas.
  • Rosto e garganta: inchaço nos lábios, na língua e na garganta.
  • Respiração: falta de ar, chiado no peito e tosse.
  • Circulação: queda da pressão, coração acelerado e tontura.
  • Sistema digestivo: náuseas, vômitos e dor abdominal.
  • Consciência: confusão mental e desmaio.

Um detalhe importante: a ausência de manchas ou coceira não descarta anafilaxia.

A Organização Mundial de Alergia alerta que uma reação grave também pode ocorrer sem manifestações na pele, especialmente quando envolve dificuldades respiratórias ou alterações circulatórias.

Portanto, falta de ar, inchaço na garganta ou desmaio após contato com um possível agente alergênico exigem atendimento de emergência.

O que fazer diante de uma reação alérgica grave?

A anafilaxia exige atendimento imediato. O principal tratamento consiste na aplicação de adrenalina por via intramuscular, preferencialmente na parte externa da coxa.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia destaca a importância desse medicamento diante da suspeita de anafilaxia.

Antialérgicos e corticoides não substituem a adrenalina no tratamento inicial da reação grave.

Diante de sinais suspeitos, algumas medidas são fundamentais:

  1. Ligue imediatamente para o SAMU, pelo telefone 192.
  2. Se a pessoa tiver um dispositivo de adrenalina prescrito, ajude-a a utilizá-lo conforme as orientações recebidas.
  3. Mantenha a pessoa deitada, preferencialmente com as pernas elevadas, se ela tolerar essa posição.
  4. Se houver dificuldade respiratória intensa, permita que mantenha o tronco elevado.
  5. Não permita que fique em pé ou caminhe.
  6. Se estiver inconsciente, mas respirando, coloque-a de lado.

Mesmo quando os sintomas melhoram, a pessoa precisa de avaliação hospitalar. Isso porque a reação pode retornar depois de uma melhora inicial.

Casos de famosos mostram os riscos da anafilaxia

Episódios envolvendo personalidades conhecidas ajudam a chamar atenção para a gravidade das reações alérgicas.

A cantora Clara Nunes morreu em 1983, aos 40 anos, após uma reação grave associada à anestesia durante uma cirurgia para retirada de varizes.

A artista permaneceu internada por 28 dias e apresentou complicações cardíacas antes de morrer.

Outro caso ocorreu com a bailarina britânica Órla Baxendale, que morreu em 2024, aos 25 anos. Ela apresentou uma reação alérgica fatal após consumir biscoitos que continham amendoim, ingrediente ao qual tinha alergia.

A embalagem não informava a presença desse componente, o que levantou discussões sobre a segurança da rotulagem de alimentos.

Já o ator australiano Richard Norton morreu em 2025, aos 75 anos. Um relatório divulgado em outubro de 2026 apontou uma reação alérgica grave após a aplicação de duas substâncias experimentais.

O documento também indicou que ele recebeu uma quantidade superior à prescrita.

Os episódios mostram que a anafilaxia pode ter diferentes desencadeadores. Por isso, conhecer alergias, informar profissionais de saúde e reconhecer os sinais de emergência são medidas importantes para proteger a vida.

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