Saúde e Bem-estar

Anvisa aprova novas indicações de Ozempic e Wegovy; veja quais

Com a decisão, a substância passa a ser liberada também para a redução do risco de eventos cardiovasculares e para o controle de doença renal crônica.

A foto mostra canetas emagrecedoras
Fonte: Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última segunda-feira, 2, novas indicações para o uso da semaglutida, princípio ativo do Wegovy (indicado para controle de peso) e do Ozempic (usado contra o diabetes do tipo 2). Com a decisão, a substância passa a ser liberada também para a redução do risco de eventos cardiovasculares e para o controle de doença renal crônica.

Segundo a agência, o Wegovy passa a ser opção para a redução de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC) em adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso. Já o Ozempic poderá ser utilizado no tratamento de pessoas com diabetes do tipo 2 associado à doença renal crônica.

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As aprovações ocorrem após a fabricante dos medicamentos, a Novo Nordisk, apresentar estudos que indicaram que o uso da semaglutida, associado à terapia padrão, reduziu de forma relevante a progressão da insuficiência renal e as mortes por eventos cardiovasculares adversos graves. Os dados também mostraram que, quando combinada a uma dieta hipocalórica e ao aumento da atividade física, o composto reduziu significativamente a ocorrência desses eventos.

Risco cardiovascular

Para o cardiologista e diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), Andrei Sposito, ainda não há uma explicação definitiva sobre o mecanismo pelo qual medicamentos como a semaglutida reduzem o risco cardiovascular.

“Temos hipóteses, como o fato de que essas medicações controlarem a obesidade, que é um fator associado a essas condições. Mas não se sabe se é apenas por isso. Também pode haver um efeito direto nos vasos sanguíneos, mas são constatações que ainda precisam de anos para serem comprovadas”, afirma.

Segundo ele, o que já está bem estabelecido é que essa classe de medicamentos – os agonistas de GLP-1 – apresenta melhora nos desfechos cardiovasculares mais graves, conforme demonstrado em estudos clínicos.

Os resultados, segundo a Anvisa, mostraram que o tratamento com semaglutida na dose de 1 mg proporcionou atraso significativo na progressão da insuficiência renal ou na morte por causas cardiovasculares, além de reduzir o risco de eventos cardiovasculares maiores e promover diminuições significativas da hemoglobina glicada e do peso corporal por até 104 semanas.

Quem pode usar o medicamento?

Segundo Sposito, agora a semaglutida pode ser prescrita nas seguintes situações:

  • Wegovy: dose de até 2,4 mg para pacientes com obesidade ou sobrepeso e risco cardiovascular.
  • Ozempic: dose de até 1 mg para pacientes com diabetes tipo 2, doença renal crônica e risco cardiovascular.

O médico ressalta que, para ter acesso aos medicamentos, o paciente deve apresentar risco cardiovascular, como histórico de enfarte prévio, necessidade de revascularização ou doença arterial periférica, associado a obesidade, sobrepeso ou diabetes. “Nesses casos, o uso desse tipo de medicação reduz em cerca de 15% o risco cardiovascular”, diz o médico.

Cabe destacar que pacientes com doença cardiovascular, mas sem obesidade ou diabetes, não têm indicação para o uso da semaglutida. “Não há indicação porque isso nunca foi testado. Existe apenas uma hipótese (de melhora), mas sem comprovação”, diz.

Segundo Sposito, é comum que pessoas com diabetes e obesidade também apresentem doenças cardiovasculares, o que explica o perfil dos pacientes incluídos nos estudos.

Impacto no tratamento cardiovascular

Na avaliação do especialista, o uso da semaglutida no controle do risco cardiovascular representa um avanço, especialmente no Brasil, onde as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 33% de todos os óbitos. “Mas isso não significa que esse medicamento vá resolver todos os problemas. Ainda há muitas pessoas sem diagnóstico ou tratamento adequado para hipertensão e diabetes, por exemplo”, ressalta Sposito.

De acordo com ele, a eficácia desse tipo de medicação só é observada quando os demais fatores de risco estão controlados.

O especialista também alerta para o uso de medicamentos importados sem registro. “É preciso ter cuidado, especialmente com produtos sem aprovação da Anvisa, porque nesses casos não há controle nem garantia sobre o que está sendo consumido”, conclui.

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