Saúde e Bem-estar

Entenda por que o governo interrompeu a vacinação

Governo suspende aplicação da vacina contra dengue do Butantan para investigar reações adversas raras e graves.

A foto mostra Aedes aegypti
Fonte: Freepik

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida tem caráter preventivo e busca aprofundar a investigação de eventos adversos registrados após a aplicação da vacina.

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A decisão ocorreu após a identificação de 42 casos com sintomas mais severos entre os vacinados. Desses pacientes, três precisaram de internação hospitalar. Além disso, dois evoluíram para óbito.

Apesar da suspensão, o governo reforçou que ainda não existe comprovação de relação direta entre os casos graves e a vacina. Por isso, especialistas irão analisar detalhadamente cada ocorrência.

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Investigação vai analisar fatores de risco

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a interrupção temporária permitirá uma avaliação mais aprofundada dos episódios registrados.

A equipe técnica do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan investigará fatores de risco, histórico clínico, doenças preexistentes e possíveis causas alternativas para os casos observados.

Além disso, os especialistas verificarão eventuais falhas de qualidade e possíveis erros durante a imunização.

O governo destacou que a medida segue os protocolos de farmacovigilância adotados em programas de vacinação em todo o mundo.

Casos graves representam percentual muito baixo

Até o final de maio, profissionais de saúde aplicaram pouco mais de 500 mil doses da vacina em todo o país.

Entre os imunizados, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue. Esse número corresponde a aproximadamente 0,7% dos vacinados.

Já os 42 casos classificados com sinais de alerta representam apenas 0,008% do total de pessoas que receberam a vacina.

Os sintomas considerados graves incluíram dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Esses eventos chamaram atenção porque os estudos clínicos não relataram situações semelhantes.

Vacina continua protegendo quem já recebeu a dose

O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão não invalida a eficácia do imunizante. Dessa forma, as pessoas vacinadas continuam protegidas contra a dengue.

Além disso, a interrupção não afeta a vacina Qdenga, produzida pela Takeda e utilizada normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As autoridades orientam os vacinados nos últimos 21 dias a procurarem atendimento médico caso apresentem febre persistente, dores intensas, vômitos, tonturas, sangramentos ou piora do estado geral.

Butantan promete aprofundar análises

Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que apoiará integralmente a investigação e a reavaliação da estratégia vacinal.

A instituição destacou que estudos anteriores demonstraram eficácia global de 79,6% contra a dengue e proteção de 89% contra formas graves da doença.

Enquanto a análise prossegue, o Ministério da Saúde manterá o monitoramento dos casos para garantir a segurança da população e definir os próximos passos da vacinação contra a dengue no Brasil.

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