Pesquisa acende alerta sobre tabagismo na população LGBTI+
Estudo mostra maior prevalência de tabagismo entre pessoas LGBTI+ e reforça a necessidade de ações específicas no SUS.

Um estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) acendeu um alerta para a saúde pública brasileira. A pesquisa revelou que pessoas homossexuais e bissexuais fumam significativamente mais do que pessoas heterossexuais. Por isso, especialistas defendem que as políticas de combate ao tabagismo também considerem as necessidades específicas da população LGBTI+.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiOs dados vieram da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. Segundo o levantamento, 22,4% das pessoas homossexuais e bissexuais consumiam produtos derivados do tabaco. Entre os heterossexuais, esse percentual ficou em 12,7%. Além disso, o uso de cigarros eletrônicos apresentou uma diferença ainda maior. Nesse grupo, a prevalência foi quase seis vezes superior.
Leia também – Anvisa manda recolher cosméticos e saneantes irregulares; veja quais estão proibidos
Tabagismo aumenta o risco de doenças graves
O cigarro continua entre os principais fatores de risco para doenças crônicas. Ele favorece o desenvolvimento de câncer, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios. Dessa forma, quanto maior o consumo, maiores também se tornam os impactos na saúde e na qualidade de vida.
Especialistas do Inca afirmam que o Brasil já possui políticas eficientes para reduzir o tabagismo. No entanto, defendem a integração dessas estratégias com ações voltadas especificamente para a população LGBTI+. Assim, os serviços de saúde poderão oferecer atendimento mais adequado e ampliar as oportunidades para abandonar o cigarro.
Preconceito favorece o início do hábito
Os pesquisadores identificaram que fatores sociais ajudam a explicar esse cenário. A discriminação, a violência e a LGBTIfobia aumentam o sofrimento emocional, especialmente durante a adolescência.
Como consequência, cresce o risco de ansiedade e depressão. Muitas pessoas recorrem ao cigarro, ao álcool e a outras drogas como tentativa de aliviar esse sofrimento. Além disso, cerca de 90% dos fumantes iniciam o consumo antes dos 19 anos, justamente uma fase marcada por intensas transformações emocionais.
Indústria investe em estratégias para atrair jovens
Outro ponto preocupa os especialistas. A indústria do tabaco direciona campanhas para públicos específicos, incluindo pessoas LGBTI+. Entre as estratégias aparecem o patrocínio de eventos e a divulgação de produtos aromatizados.
Esses dispositivos costumam transmitir uma falsa sensação de menor risco. Entretanto, pesquisadores alertam que essa percepção não corresponde à realidade. Os cigarros eletrônicos e os produtos com sabores continuam oferecendo riscos importantes para a saúde.
SUS amplia informações para fortalecer o cuidado
O Ministério da Saúde também trabalha para melhorar o atendimento. Desde 2024, os profissionais do Sistema Único de Saúde passaram a registrar, mediante autorização do paciente, informações sobre orientação sexual e identidade de gênero nos cadastros da Atenção Primária.
Com dados mais completos, o SUS poderá identificar necessidades específicas da população LGBTI+, planejar ações preventivas e fortalecer programas de controle do tabagismo em todo o país.
Você no aquinoticias.com
Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726