Saúde e Bem-estar

"Comer gente" faz mal à saúde? Veja o que diz descoberta da Ciência

A foto remete à cena de canibalismo na época da colonização
Fonte: Redes Sociais

Com tantos filmes, séries e livros distópicos, o canibalismo voltou à cena. Se você está se preparando para o fim dos tempos, saiba que, além de tudo, o canibalismo faz mal à saúde e, muito além das questões culturais, históricas e éticas, o ato é indigesto.

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Pesquisas realizadas por duas universidades (Charles e Wroclaw), de Praga-República Tcheca, revelaram que a ciência venceu costume consideado bárbaro. Vale lembrar que o canibalismo faz mal à saúde e representa um importante risco para a saúde humana. A prática consiste no consumo da carne ou de partes do corpo de um indivíduo da mesma espécie.

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Canibalismo ou Antropofagismo?

Só para esclarecer, canibalismo e antropofagia não são exatamente sinônimos. O canibalismo é um conceito mais amplo e descreve o ato de um indivíduo consumir outro da mesma espécie, podendo ocorrer tanto entre seres humanos quanto entre animais. Já a antropofagia refere-se exclusivamente ao consumo de carne humana por outro ser humano, geralmente em contextos históricos, culturais, religiosos ou simbólicos. Assim, enquanto a antropofagia é uma forma de canibalismo, nem todo canibalismo pode ser considerado antropofagia.

A prática canibal (termo mais adequado para tratar dos riscos à saúde relacionados ao consumo de carne humana e de suas consequências biológicas) ocorreu em contextos variados, como rituais religiosos, cerimônias funerárias, guerras, situações extremas de fome. Mais recentemente, em casos isolados, relacionados a crimes ou transtornos mentais graves.

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Embora desperte curiosidade, o canibalismo é extremamente raro na atualidade. Os poucos casos recentes geralmente envolvem transtornos psiquiátricos graves, homicídios ou situações extremas de sobrevivência. Um dos casos mais conhecidos aconteceu em 1972, após a queda de um avião na Cordilheira dos Andes. Isolados na neve por mais de dois meses e sem acesso a alimentos, os sobreviventes recorreram ao consumo dos mortos para conseguir permanecer vivos. Em situações semelhantes, como naufrágios ou grandes desastres naturais, registros históricos também descrevem o chamado “canibalismo de sobrevivência”, considerado diferente da prática ritual ou criminosa.

Mesmo em situações excepcionais, consumir carne humana representa um risco biológico muito maior do que ingerir carne de outras espécies. O maior perigo não está no valor nutricional, mas na facilidade de transmissão de agentes infecciosos entre organismos humanos.

Consumo de carne humana facilita a transmissão de doenças

O organismo humano compartilha praticamente a mesma estrutura biológica entre indivíduos. Por isso, vírus, bactérias, parasitas e outros agentes infecciosos encontram menos obstáculos para sobreviver. Assim, eles se multiplicam quando passam diretamente de um corpo humano para outro.

Esse mecanismo aumenta significativamente a possibilidade de transmissão de doenças, principalmente quando a prática ocorre de forma repetida dentro de uma mesma comunidade. Quanto maior a frequência do canibalismo, maior o risco de circulação de agentes capazes de provocar surtos e comprometer a sobrevivência da população.

Príons e não religião e cultura salvaram civilização?

Entre os principais riscos estão os príons, proteínas com estrutura anormal que provocam doenças degenerativas graves no cérebro. Diferentemente de vírus e bactérias, essas proteínas resistem ao cozimento e a muitos processos de esterilização. Isso impede a eliminação completa do risco durante o preparo da carne.

Uma das doenças mais conhecidas causadas por príons é o “kuru”, identificado entre integrantes do povo “Fore”, na Papua-Nova Guiné. Durante décadas, familiares consumiam partes do corpo de parentes falecidos em cerimônias funerárias como forma de respeito e despedida. Posteriormente, verificou-se que essa prática favorecia a transmissão da doença, gerando perda de coordenação motora, tremores, alterações neurológicas progressivas e, por fim, levava à morte.

Um tabu que pode ter protegido a humanidade

Os resultados do estudo reforçam a hipótese de que a rejeição ao canibalismo não surgiu apenas por razões morais ou culturais. Ao longo da evolução humana, evitar o canibalismo pode ter reduzido a propagação de doenças e aumentado as chances de sobrevivência das comunidades.

Hoje, o canibalismo praticamente não faz parte das sociedades modernas e permanece restrito a episódios extremamente raros. A pesquisa ajuda a compreender como determinados comportamentos humanos influenciaram a evolução da saúde coletiva. Além disso, reforça que o consumo de carne humana representa um risco biológico real, independentemente das circunstâncias em que ocorra.

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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.