Saúde e Bem-estar

Anvisa desmente informação sobre canetas emagrecedoras do Paraguai e cita riscos

Anvisa desmentiu informação que circula sobre canetas de emagrecimento paraguaias Veja o que os testes realmente mostraram e por que especialistas alertam para os riscos.

A foto mostra canetas emagrecimento
Fonte: Magnific

As canetas utilizadas para emagrecimento continuam entre os medicamentos mais procurados pelos brasileiros. Ao mesmo tempo, cresce a circulação de produtos contrabandeados e de informações falsas nas redes sociais. Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclareceu que não existe comprovação de que as canetas trazidas ilegalmente do Paraguai sejam equivalentes aos medicamentos registrados no Brasil.

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O alerta surgiu após a divulgação de mensagens afirmando que análises laboratoriais teriam comprovado que esses produtos funcionam da mesma forma que as versões aprovadas pela Anvisa. Conforme a agência, essa informação é falsa e pode colocar a saúde dos consumidores em risco.

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O que realmente foi analisado?

De acordo com a Anvisa, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp (CIATox) realizou apenas testes para verificar a presença, a concentração e a estrutura molecular da tirzepatida, princípio ativo presente nas amostras avaliadas.

Esse tipo de análise confirma apenas que o princípio ativo estava presente nos frascos. No entanto, isso não significa que o medicamento seja seguro, eficaz ou equivalente aos produtos aprovados no Brasil.

Por que a presença do princípio ativo não basta?

Para que dois medicamentos sejam considerados equivalentes, eles precisam passar por uma série de testes rigorosos. Esses estudos avaliam, por exemplo:

  • como o organismo absorve o medicamento;
  • qual concentração ele atinge na corrente sanguínea;
  • quanto tempo permanece no corpo;
  • se produz o mesmo efeito clínico;
  • se apresenta o mesmo perfil de segurança.

Além disso, especialistas verificam a presença de impurezas, contaminantes, metais pesados, degradação do produto e condições de esterilidade. Sem essas análises, não é possível afirmar que um medicamento oferece os mesmos resultados de outro.

O que é bioequivalência?

Bioequivalência é a comprovação científica de que dois medicamentos agem da mesma maneira no organismo. Para isso, os estudos precisam ocorrer em centros credenciados e seguir, dessa forma, critérios técnicos rigorosos. De acordo com a Anvisa, o CIATox não é um centro de bioequivalência credenciado e não realizou esse tipo de avaliação.

Por que medicamentos contrabandeados representam risco?

Medicamentos vendidos ilegalmente não passam pela fiscalização da Anvisa. Isso significa que não há garantia sobre:

  • qualidade da fabricação;
  • armazenamento adequado;
  • transporte correto;
  • esterilidade;
  • estabilidade do produto;
  • ausência de contaminantes;
  • composição final.

Além disso, a agência informa que não teve acesso aos processos de fabricação nem às metodologias utilizadas pelos fabricantes dos produtos analisados.

O que diz a Anvisa?

Segundo a agência, somente o processo completo de registro de um medicamento pode comprovar sua qualidade, segurança e eficácia.

Esse processo inclui:

  • avaliação da fórmula;
  • inspeção das fábricas;
  • controle de qualidade;
  • estudos clínicos;
  • validação dos métodos analíticos;
  • certificação de Boas Práticas de Fabricação.

Sem todas essas etapas, nenhuma análise isolada consegue garantir que um medicamento ofereça o mesmo desempenho de outro aprovado no país.

Como evitar riscos?

Especialistas orientam que o consumidor:

  • compre medicamentos apenas em estabelecimentos autorizados;
  • desconfie de produtos vendidos sem nota fiscal;
  • evite adquirir medicamentos trazidos ilegalmente de outros países;
  • utilize canetas para emagrecimento somente com prescrição médica;
  • confirme se o produto possui registro na Anvisa.

Esses cuidados ajudam a reduzir o risco de complicações e garantem maior segurança durante o tratamento.

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