Turismo

Entre praias e lagoas, Linhares oferece experiências para o ano inteiro

Conhecida como a “cidade das lagoas”, Linhares possui dezenas de espelhos d’água cercados por áreas verdes

Foto: Yuri Barichivich/Setur

A cidadade de Linhares, no Norte do Espírito Santo, reúne alguns dos cenários naturais mais diversos do estado. O município combina praias, lagoas, reservas ambientais, propriedades rurais, cultura e gastronomia.

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Conhecida como a “cidade das lagoas”, Linhares possui dezenas de espelhos d’água cercados por áreas verdes. Esses ambientes oferecem opções para quem procura descanso, esportes, pesca ou contato direto com a natureza.

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A cidade também se destaca pela infraestrutura urbana e pela variedade de roteiros turísticos. Em uma mesma viagem, o visitante pode conhecer praias, trilhas, fazendas, construções históricas e comunidades tradicionais.

Praias entre o Rio Doce e o mar

Foto: Divulgação/Setur

O litoral de Linhares guarda destinos conhecidos pela tranquilidade, pelas paisagens preservadas e pela prática de esportes.

Regência é um dos principais balneários do município. A vila fica próxima ao encontro do Rio Doce com o mar e ganhou reconhecimento pelas ondas procuradas por surfistas.

A comunidade mantém um ambiente rústico e acolhedor. A gastronomia baseada em pescados e as ações de educação ambiental também fazem parte da experiência.

Pontal do Ipiranga aparece entre os destinos mais movimentados do verão no norte capixaba. O balneário conta com praias extensas, quiosques, restaurantes e programação cultural durante a alta temporada.

A região também preserva áreas de restinga e recebe tartarugas marinhas durante o período de desova.

Povoação atrai visitantes pelas ondas fortes e pelas condições para o surfe. Urussuquara, por sua vez, mantém uma paisagem mais rústica e preservada.

Linhares também abriga Barra Seca, única praia de naturismo do Espírito Santo. O local possui ambiente controlado e cercado pela natureza.

Lagoas são protagonistas do turismo

Foto: Divulgação/Setur

As lagoas estão entre os principais cartões-postais de Linhares. Elas aparecem tanto em áreas urbanas quanto em regiões rurais do município.

A Lagoa Juparanã é a mais conhecida. Considerada uma das maiores lagoas brasileiras em volume de água doce, ela oferece praias, áreas para camping, mirantes e espaços para esportes náuticos.

Passeios de barco, pesca esportiva e momentos de contemplação atraem moradores e turistas durante diferentes épocas do ano.

A Ilha do Imperador fica dentro da Lagoa Juparanã. O local recebeu a visita de Dom Pedro II, em 1860, e de Getúlio Vargas, em 1954.

O Mirante Alto da Bela Vista, na região da Praia de Três Pontas, proporciona uma vista panorâmica da lagoa.

Outros atrativos naturais incluem as lagoas Nova, Durão, do Aguiar, do Aviso e do Meio. Cada uma apresenta características próprias e possibilidades de lazer.

A Lagoa Nova se destaca pelas águas cristalinas, pela pesca submersa e pelos esportes náuticos. Já a Lagoa Durão fica próxima à BR-101 Norte e à área de floresta do Rio Doce.

Reservas protegem a Mata Atlântica

Foto: Divulgação/Setur

Linhares abriga importantes áreas de conservação ambiental. Esses espaços ajudam a proteger espécies da fauna e da flora da Mata Atlântica.

A Reserva Natural Vale é uma das maiores áreas preservadas do bioma no Brasil. O local se tornou referência em pesquisa, conservação e educação ambiental.

A Floresta Nacional de Goytacazes também integra o patrimônio ecológico do município. Considerada uma das maiores florestas urbanas do Espírito Santo, a unidade oferece trilhas e atividades de conscientização ambiental.

No litoral, a Unidade Municipal de Conservação de Degredo protege cerca de 2.500 hectares de restinga. A área reúne orquídeas, bromélias e locais usados por tartarugas marinhas para desova.

Trilhas ecológicas, observação de aves e passeios por áreas de floresta ampliam as opções para quem busca turismo de natureza.

Entre os roteiros disponíveis estão a Trilha Anjos da Alagoinha e a Trilha das Tartarugas, que destaca a importância da preservação das espécies marinhas.

Projeto Tamar fortalece a educação ambiental

Foto: Divulgação/Setur

Regência também abriga uma unidade do Projeto Tamar. O trabalho desenvolvido no local busca proteger as tartarugas marinhas e aproximar os visitantes das ações de conservação.

O espaço recebe turistas interessados em conhecer o ciclo de vida dos animais e a importância da preservação do litoral.

A presença do projeto fortalece o turismo sustentável e complementa os roteiros de natureza oferecidos na região da foz do Rio Doce.

Turismo rural valoriza sabores e tradições

Foto: Divulgação/Setur

As áreas rurais de Linhares oferecem experiências ligadas à agricultura, ao artesanato e à culinária caseira.

O Circuito do Cacau e do Verde leva os visitantes a fazendas produtoras de cacau. O roteiro inclui atividades como ordenha, cavalgadas, trilhas, esportes de aventura e hospedagem no campo.

O Circuito do Coco e das Águas combina propriedades rurais, lagoas, pesca, passeios de chalana e cultivos agrícolas.

Já o Circuito Baixo Rio Doce reúne artesanato feito com coco, madeira e fibra de bananeira. A rota também oferece hospedagem, café da roça, refeições típicas e visitas a queijarias.

No distrito de São Rafael, o circuito de agroturismo aproxima os visitantes da produção agrícola local. A região também abriga a Cachoeira De Angeli, localizada a cerca de 67 quilômetros da sede.

O Cantinho da Roça permite visitas a plantações de coco, pimenta-do-reino e goiaba. O espaço trabalha com o sistema “colha e pague” e possui piscinas, quadras, restaurante, camping e alojamento.

Fazendas como Glória, Paraíso, São Luiz e Vila Vital completam as opções de turismo rural. As propriedades oferecem atividades ligadas ao cultivo do cacau, trilhas, passeios a cavalo, hospedagem e gastronomia.

Gastronomia mistura litoral e interior

A culinária de Linhares reflete a diversidade do município. Frutos do mar, peixes frescos, moquecas e torta capixaba aparecem nos cardápios das regiões litorâneas.

Em Regência, Pontal do Ipiranga e outros balneários, os restaurantes especializados em pescados recebem visitantes durante todo o ano.

No interior, propriedades rurais produzem alimentos artesanais, cafés e receitas preparadas com ingredientes locais.

Os circuitos de agroturismo permitem que os turistas conheçam a produção e experimentem pratos ligados à vida no campo.

História começou às margens do Rio Doce

A formação de Linhares está diretamente ligada ao Rio Doce. Antes da chegada dos colonizadores, povos indígenas botocudos ocupavam a região.

Esses grupos resistiram ao avanço da ocupação branca nas margens do rio. Na época, a Mata Atlântica cobria grande parte do território.

A origem do povoado remonta ao início do século XIX. A Coroa Portuguesa reforçou a vigilância no Rio Doce para combater o transporte ilegal de ouro vindo de Minas Gerais.

Por volta de 1800, o povoado de Coutins recebeu um quartel militar. A estrutura tinha a função de proteger a navegação e controlar a região.

Conflitos com os indígenas destruíram o primeiro núcleo. Em 1809, uma nova povoação surgiu no mesmo local.

O povoado passou a se chamar Linhares em homenagem a Dom Rodrigo de Souza Coutinho, o Conde de Linhares, ministro da Coroa Portuguesa.

Antigo povoado preserva marcas na cidade

Foto: Divulgação/Setur

A nova vila foi construída em um platô em formato de meia-lua, às margens do Rio Doce.

Dois quartéis ajudavam na proteção dos moradores. Um deles ficava na área que atualmente corresponde ao bairro Aviso. O outro estava próximo ao local onde hoje funciona o Colégio Estadual.

Em 1819, Francisco Alberto Rubim determinou a elaboração do registro chamado “Vista e Perspectiva do Povoado de Linhares”.

O documento retratou a organização urbana da época. Nesse período, os moradores também construíram a primeira igreja da vila ao redor da atual Praça 22 de Agosto.

A praça ainda preserva características do traçado original do povoado.

Município conquistou autonomia em 1833

Linhares foi elevada à categoria de vila em abril de 1833, por meio de uma Provisão do Paço Imperial.

No dia 22 de agosto daquele ano, a Câmara de Vereadores realizou sua primeira sessão solene. A data marcou o início da organização político-administrativa do município.

Durante o Império, Linhares possuía um território muito maior do que o atual.

A área incluía regiões que mais tarde formaram municípios como Colatina, Baixo Guandu, Pancas, Rio Bananal, São Gabriel da Palha e Sooretama.

Linhares perdeu e recuperou sua autonomia

Foto: Divulgação/Setur

No fim do século XIX, Linhares enfrentou um período de enfraquecimento econômico.

Ao mesmo tempo, Colatina cresceu com a imigração italiana, a expansão do café e a chegada da Estrada de Ferro Vitória-Minas.

Em 1921, Linhares foi incorporada ao município de Colatina. A situação permaneceu por mais de duas décadas.

A recuperação ganhou força na década de 1930, após a abertura da estrada que ligava Linhares a Vitória e, posteriormente, a São Mateus.

As novas conexões facilitaram o comércio, estimularam a ocupação do território e fortaleceram a economia.

Em 31 de dezembro de 1943, o Governo do Estado restabeleceu o município. Linhares recuperou a autonomia política, e o médico Roberto Calmon assumiu como primeiro prefeito nomeado após a reestruturação.

A partir desse período, a cidade ampliou sua importância econômica e se consolidou como referência regional na agricultura, na indústria, no comércio e no turismo.

Patrimônio histórico e cultural

Foto: Divulgação/Setur

A Capela Nossa Senhora da Conceição, conhecida como Igrejinha Velha, integra o patrimônio religioso do município.

Construída em 1888, ela ocupa o mesmo local onde foi erguida a primeira igreja de Linhares, em 1857.

A Casa de Câmara também guarda parte da história local. O edifício de 1849 tem vista para o Rio Doce e abriga um acervo dedicado à memória do município.

O Centro Cultural Nice Avanza promove exposições e atividades culturais. O espaço homenageia a artista primitivista que retratou paisagens, o cacau e a vida no interior capixaba.

A Casa do Artesão valoriza a produção local e oferece espaço para exposição e comercialização das peças.

O Museu Elias Lorenzutti reúne um acervo com mais de 2 mil animais taxidermizados da Mata Atlântica e espécies marinhas. O espaço atua na educação ambiental e na preservação da memória natural.

Comunidades mantêm tradições vivas

Linhares recebeu influências indígenas, portuguesas, africanas e europeias ao longo de sua formação.

Essa diversidade aparece nas festas religiosas, nos eventos populares, na música, no artesanato e na gastronomia.

A Vila do Degredo representa parte dessa herança. A comunidade quilombola mantém tradições, histórias e uma identidade cultural ligada ao território.

O Rio Doce também continua presente na paisagem e na memória do município. O Porto do Rio Doce, no centro da cidade, preserva valor histórico e oferece uma vista para o rio.

A Ponte Getúlio Vargas representa uma importante ligação rodoviária e integra a paisagem urbana local.

Com informações da Secretaria de Estado de Turismo (Setur).

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