Saúde e Bem-estar

Anvisa aprova medicamento para câncer de pulmão avançado

Anvisa aprova o Emrelis para casos específicos de câncer de pulmão avançado e o Poherdy para determinados tumores de mama.

A foto mostra a Anvisa
Foto: Redes Sociais

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para tratar determinados casos de câncer de pulmão avançado. O Emrelis (telisotuzumabe vedotina) atende pacientes adultos que já passaram por tratamentos sistêmicos e apresentam características específicas no tumor.

A aprovação amplia as opções terapêuticas para pessoas com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP), especialmente em situações nas quais existem poucas alternativas após os tratamentos iniciais. No estudo que embasou a decisão, o medicamento apresentou respostas em parte dos pacientes avaliados.

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Para quem o novo medicamento contra câncer de pulmão é indicado?

O Emrelis recebeu aprovação para tratar adultos com câncer de pulmão de células não pequenas do tipo não escamoso, localmente avançado ou metastático. Além disso, os pacientes precisam apresentar uma alteração específica na expressão de proteínas tumorais e ter recebido tratamento sistêmico anteriormente.

A indicação contempla tumores com o gene do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) em estado selvagem, ou seja, sem determinadas mutações nesse gene, e com alta expressão da proteína c-Met.

O termo metastático descreve o câncer que se espalhou do local de origem para outras partes do organismo. Já a doença localmente avançada pode atingir estruturas próximas ao tumor inicial.

Essas características exigem avaliação médica e exames específicos. Portanto, a aprovação não significa que o medicamento seja adequado para todas as pessoas com câncer de pulmão.

Como funciona o Emrelis?

O telisotuzumabe vedotina atua de maneira direcionada contra células tumorais que apresentam alta expressão da proteína c-Met na superfície.

Segundo a Anvisa, o medicamento se liga a essa proteína e permite que o complexo entre na célula. Em seguida, libera a monometilauristatina E, uma substância que interfere no funcionamento celular e provoca a morte da célula tumoral.

Essa estratégia busca direcionar a ação do medicamento às células que apresentam a característica molecular identificada. No entanto, a indicação depende do perfil específico do tumor, e o tratamento exige acompanhamento especializado.

Qual foi o resultado do estudo clínico?

O estudo que fundamentou a aprovação avaliou pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas que já haviam recebido tratamento.

Na população total analisada, o medicamento alcançou uma taxa de resposta objetiva de 29,2%. Isso significa que essa proporção de participantes apresentou redução mensurável do tumor conforme os critérios utilizados no estudo.

Entre os pacientes com alta expressão da proteína c-Met, a taxa chegou a 34,5%. Segundo a agência reguladora, os pesquisadores também observaram respostas duradouras.

Esses números, porém, não significam que todos os pacientes terão o mesmo benefício. A resposta depende de fatores individuais, das características do tumor e da evolução clínica de cada pessoa.

Por que essa aprovação é relevante?

O câncer de pulmão está entre as principais causas de morte por câncer no mundo. De acordo com os dados apresentados pela Anvisa, o tipo de células não pequenas representa aproximadamente 85% dos casos, e cerca de 70% desse grupo corresponde ao subtipo não escamoso.

Além disso, pacientes com doença avançada podem enfrentar opções terapêuticas limitadas após a quimioterapia e a imunoterapia. Nesse cenário, medicamentos direcionados a características moleculares específicas podem ampliar as possibilidades de tratamento.

Ainda assim, a escolha da terapia depende da avaliação individualizada por uma equipe especializada. A aprovação sanitária também não significa, por si só, disponibilidade imediata no SUS ou cobertura automática pelos planos de saúde.

Anvisa também aprova medicamento para câncer de mama

A agência reguladora aprovou ainda o registro do Poherdy (pertuzumabe), indicado para determinados casos de câncer de mama HER2-positivo, tanto metastático quanto em estágio inicial.

Na doença metastática ou localmente recorrente inoperável, o tratamento combina pertuzumabe com trastuzumabe e docetaxel. A indicação contempla pacientes que não receberam tratamento anterior com medicamentos anti-HER2 ou quimioterapia para essa condição.

Nos casos iniciais com alto risco de recorrência, o pertuzumabe pode integrar o tratamento combinado com trastuzumabe e quimioterapia.

A estratégia neoadjuvante ocorre antes da cirurgia, enquanto a adjuvante acontece depois do procedimento. Ambas buscam melhorar os resultados do tratamento, conforme as características clínicas de cada paciente.

As duas aprovações ampliam as opções terapêuticas para grupos específicos de pessoas com câncer. Para saber se algum desses medicamentos se aplica a cada caso, o paciente deve conversar com o oncologista e esclarecer os benefícios esperados, os riscos e as alternativas disponíveis.

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