Saúde e Bem-estar

Brasil reduz transmissão da hepatite B de mãe para bebê

O Brasil atingiu a meta internacional de redução da transmissão da hepatite B de mãe para filho e aguarda certificação da Opas.

A foto alude à conquista brasileira de combate à hepatite em recém-nascidos
Fonte: Magnific

O Brasil alcançou um dos principais objetivos da saúde pública no combate à hepatite B. O país atingiu a meta internacional para eliminar a transmissão da hepatite B de mãe para filho, ou seja, a transmissão do vírus da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou logo após o nascimento. Agora, o Ministério da Saúde aguarda a certificação da “Organização Pan-Americana da Saúde” (Opas), que reconhece oficialmente esse resultado.

A conquista reforça a importância do pré-natal, da vacinação nas primeiras horas de vida e do diagnóstico precoce. Essas medidas reduzem drasticamente o risco de o recém-nascido desenvolver uma infecção que pode causar complicações graves ao longo da vida.

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Como o Brasil conseguiu reduzir a transmissão da hepatite B?

O Ministério da Saúde informou que, nos últimos dois anos, menos de 0,1% das crianças com até cinco anos apresentaram infecção ativa pelo vírus da hepatite B (HBV). Em 2025, a taxa ficou em apenas 0,0111%, muito abaixo do limite estabelecido pelos organismos internacionais.

O resultado ocorreu graças à combinação de estratégias que começam ainda durante a gravidez. Entre elas estão a realização de exames no pré-natal, o acompanhamento das gestantes, o tratamento antiviral quando necessário e a vacinação do bebê logo após o nascimento.

Outro fator decisivo foi a ampla cobertura da assistência às gestantes. Entre 2024 e 2025, mais de 98% das mulheres realizaram acompanhamento pré-natal, índice superior à meta internacional de 95%.

Por que a vacinação do recém-nascido é tão importante?

A vacina contra a hepatite B oferece a primeira proteção contra o vírus. O Ministério da Saúde recomenda a aplicação preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida.

Quando a mãe tem hepatite B, o bebê também pode receber imunoglobulina contra o vírus. Esse medicamento contém anticorpos prontos que ajudam a impedir a infecção até que a vacina produza proteção completa.

Os resultados mostram alta adesão à estratégia. A cobertura vacinal dos recém-nascidos chegou a 97% em 2024 e alcançou 100% em 2025.

O que é a transmissão vertical?

A transmissão vertical acontece quando uma mãe transmite uma infecção ao filho durante a gestação, no parto ou logo após o nascimento.

Sem prevenção, o vírus da hepatite B pode infectar o bebê e permanecer no organismo por muitos anos. A infecção crônica aumenta o risco de cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado na vida adulta.

Por isso, o diagnóstico precoce durante o pré-natal e a proteção do recém-nascido representam medidas fundamentais para interromper esse ciclo.

Quais cuidados as gestantes devem adotar?

Toda gestante deve realizar o pré-natal desde o início da gravidez e seguir o calendário de exames recomendado pela equipe de saúde.

Entre as principais orientações estão:

  • fazer os testes para hepatite B durante o pré-natal;
  • comparecer a todas as consultas;
  • seguir corretamente o tratamento, quando indicado;
  • informar a maternidade sobre o diagnóstico, caso tenha hepatite B;
  • garantir que o bebê receba a vacina nas primeiras 12 horas de vida.

Essas medidas protegem a criança e reduzem quase totalmente o risco de transmissão.

O desafio agora envolve outras infecções

O Brasil já recebeu, em 2025, a certificação internacional pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública. Agora, além da hepatite B, o país pretende alcançar o mesmo reconhecimento para sífilis, doença de Chagas e HTLV até 2030.

A nova conquista mostra que a prevenção, a vacinação e o acesso ao pré-natal continuam entre as estratégias mais eficazes para proteger mães e bebês e reduzir doenças evitáveis.

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