Saúde e Bem-estar

Covid-19: só 5% das crianças receberam as três doses

Apenas 5% das crianças pequenas completaram as três doses contra a covid-19, enquanto a doença continua provocando internações e mortes infantis.

- a foto msotra criança sendo vacinada contra Covid-19
- fonte: Magnific

A covid-19 continua provocando casos graves e mortes entre crianças brasileiras. Apesar da disponibilidade de vacinas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas 5% das crianças pequenas completaram o esquema de três doses contra a doença, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

O cenário preocupa porque, em 2026, a covid-19 já provocou mais de 1,1 mil internações de crianças menores de 14 anos por quadros respiratórios graves. Entre as 25 mortes registradas nessa faixa etária, 15 ocorreram em menores de 2 anos.

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Para o diretor do PNI, Eder Gatti, a desinformação e a hesitação vacinal ajudam a explicar a baixa cobertura. Segundo ele, o país mantém estoques e contratos para garantir o abastecimento dos imunizantes.

Por que a vacina contra covid é importante para as crianças?

A vacinação reduz o risco de complicações graves da covid-19 e ajuda a prevenir hospitalizações e mortes. Embora muitas crianças apresentem sintomas leves, outras podem desenvolver problemas respiratórios graves e complicações inflamatórias.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), que analisou dados de 24 cidades brasileiras, apontou que a vacinação reduziu em 97% os casos graves entre crianças.

Além disso, a infecção pode provocar a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). Essa complicação desencadeia uma reação inflamatória que pode atingir vários órgãos.

Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 2.115 casos dessa síndrome em crianças e adolescentes, com 142 mortes.

Os dados reforçam a importância de manter a vacinação infantil em dia, especialmente nos primeiros anos de vida.

Desinformação alimenta a hesitação vacinal

A baixa procura pela vacina preocupa as autoridades de saúde. Eder Gatti atribui parte desse cenário às informações falsas disseminadas durante a pandemia e à desconfiança em relação aos imunizantes.

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2023, identificou diferentes motivos para a não vacinação entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos.

Entre os responsáveis que não vacinaram os filhos, quase 40% citaram medo de reações adversas ou da injeção. Outros 22% consideravam a vacina desnecessária, enquanto 18% disseram não confiar no imunizante.

Entretanto, as evidências científicas sustentam a segurança e a eficácia das vacinas autorizadas. Segundo Gatti, os imunizantes passaram por testes clínicos e continuam sob acompanhamento após a aprovação.

Quais reações a vacina contra covid pode provocar?

Como acontece com outras vacinas, o imunizante contra a covid pode causar reações temporárias. Entre as manifestações mais comuns estão dor no local da aplicação e febre.

Segundo os dados apresentados pelo diretor do PNI, o Brasil aplicou mais de 6 milhões de doses em crianças durante a pandemia. Nesse período, 92% das reações notificadas foram leves e esperadas, sem registro de mortes atribuídas à vacinação infantil nesse conjunto de aplicações.

Além disso, o Ministério da Saúde destaca que complicações como miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco, ocorrem com maior frequência após a infecção pelo coronavírus do que após a vacinação.

O acompanhamento contínuo permite investigar suspeitas de eventos adversos e avaliar a segurança dos imunizantes.

Quando a criança deve tomar a vacina contra covid?

Desde 2024, o calendário básico de vacinação infantil recomenda doses aos 6, 7 e 9 meses de idade. Crianças que ainda não completaram o esquema podem receber as doses indicadas conforme a idade e o histórico vacinal.

Para verificar a situação da criança, os responsáveis devem procurar uma unidade básica de saúde (UBS) e apresentar a caderneta de vacinação. A equipe poderá conferir as doses anteriores e orientar sobre a necessidade de atualização.

A vacinação infantil integra as estratégias de prevenção do SUS. Por isso, buscar informações em fontes oficiais e conversar com profissionais de saúde ajuda as famílias a tomar decisões baseadas em evidências, e não em boatos.

Ampliar a cobertura vacinal continua sendo um desafio para o Brasil. Proteger as crianças depende tanto da disponibilidade dos imunizantes quanto da confiança da população na vacinação.

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