Doenças inflamatórias intestinais crescem cinco vezes no Brasil
Estudo aponta aumento de cinco vezes nos casos de doenças inflamatórias intestinais no Brasil entre 2012 e 2025.

Casos de doença de Crohn e retocolite ulcerativa aumentaram entre 2012 e 2025; estudo aponta avanço contínuo
Dor abdominal, diarreia persistente e alterações no funcionamento do intestino podem indicar diferentes problemas de saúde. Entre eles estão as doenças inflamatórias intestinais (DII), um grupo de enfermidades crônicas que inclui a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.
Leia também – Obesidade mais que triplica no Brasil em 30 anos, aponta estudo
No Brasil, essas condições ganharam espaço nos últimos anos. Um estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia aponta que a incidência das DII aumentou cinco vezes entre 2012 e 2025.
O que são doenças inflamatórias intestinais?
As DII provocam uma inflamação crônica no intestino e envolvem alterações no funcionamento do sistema imunológico. Entre as principais formas estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.
Essas doenças apresentam causas multifatoriais. Portanto, diferentes fatores podem participar do seu desenvolvimento, como predisposição genética e condições ambientais.
De acordo com o pesquisador Abel Quaresma, da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, estudos também apontam relações com mudanças nos hábitos alimentares e outros fatores ambientais.
Por isso, os pesquisadores ainda não identificaram uma causa única para o crescimento das DII.
Casos aumentam no Brasil
O levantamento analisou registros do Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme os dados, a quantidade de pessoas com DII passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes.
O período analisado corresponde aos anos de 2012 a 2025. Além disso, o número de novos diagnósticos anuais também subiu.
A taxa passou de 9,35 para 12,34 novos casos por 100 mil habitantes no período.
Pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras participaram do estudo. Entre elas estão USP, Unicamp, PUC-PR, Unoesc e Universidade de Calgary, no Canadá.
Por que os casos podem estar aumentando?
Os pesquisadores apontam diferentes fatores para explicar esse crescimento. Entre eles aparecem mudanças ambientais e transformações nos hábitos alimentares.
A alimentação também passou por mudanças importantes nas últimas décadas. Nesse cenário, o consumo de alimentos ultraprocessados chama atenção.
Esses produtos podem conter conservantes, corantes, espessantes e outros aditivos. No entanto, os pesquisadores ainda investigam como esses componentes podem participar do desenvolvimento das DII.
Assim, o aumento dos casos não permite atribuir a doença a um único alimento ou comportamento.
O que pode acontecer nos próximos anos?
O estudo também apresenta uma projeção para o futuro. Os pesquisadores estimam que a incidência de novos casos poderá alcançar 22,7 por 100 mil habitantes em 2035.
Nesse cenário, a quantidade de pessoas com DII chegaria a 264 casos por 100 mil habitantes.
A projeção representa um aumento de 67% em relação ao índice registrado em 2025. Porém, trata-se de uma estimativa e não de um número confirmado.
O crescimento também preocupa pelo impacto do acompanhamento prolongado. Muitos pacientes recebem o diagnóstico ainda jovens e precisam controlar a doença durante décadas.
Tratamento controla a inflamação
As doenças inflamatórias intestinais não têm cura. Ainda assim, o tratamento pode controlar a inflamação e reduzir os sintomas.
O acompanhamento médico ajuda a definir a estratégia adequada para cada paciente. Como essas enfermidades apresentam comportamento crônico, o cuidado precisa continuar mesmo durante períodos de melhora.
O tratamento também representa um desafio para o sistema de saúde. Segundo o estudo, alguns medicamentos podem gerar custos de até R$ 500 mil por ano por paciente.
Por isso, reconhecer o crescimento das DII ajuda a ampliar a atenção aos sintomas e ao diagnóstico precoce.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiVocê no aquinoticias.com
Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726