Saúde e Bem-estar

Fiocruz dá passo histórico rumo a nova vacina contra a malária

Pesquisa da Fiocruz abre caminho para uma vacina mais eficaz e ampla contra a malária.

A foto mostra vacina contra malária
Fonte: Redes Sociais

Uma descoberta de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) pode representar um marco na luta contra a malária, uma doença infecciosa causada por um parasito do gênero Plasmodium, que é transmitido para humanos pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Anopheles (mosquito-prego). Esses mosquitos são mais abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer. Todavia, são encontrados picando durante todo o período noturno. Portanto, não é uma doença contagiosa, ou seja, uma pessoa doente não é capaz de transmitir malária diretamente a outra pessoa.

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A malária também é conhecida como impaludismo, paludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, além de nomes populares como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre.

Cientistas brasileiros identificaram um conjunto inédito de proteínas do parasita causador da doença que poderá contribuir para o desenvolvimento de uma vacina mais completa, capaz de proteger contra diferentes espécies do microrganismo e atuar em várias fases da infecção.

O estudo, publicado na revista científica “Nature”, traz uma nova perspectiva para o combate a uma das doenças infecciosas que mais causam mortes no mundo. Embora ainda sejam necessários novos testes antes da produção de um imunizante, os resultados representam um avanço importante para a ciência.

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Descoberta amplia as possibilidades de proteção

Ao contrário da maioria das vacinas atualmente disponíveis, que estimulam principalmente a produção de anticorpos, os pesquisadores concentraram a investigação em outro mecanismo de defesa do organismo.

A equipe estudou a atuação dos linfócitos T CD8+, células do sistema imunológico responsáveis por reconhecer e destruir células infectadas pelo parasita Plasmodium, causador da malária.

Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, esse foi o principal diferencial da pesquisa.

“Há mais de 50 anos se busca desenvolver uma vacina contra a malária e, só recentemente, tivemos aprovados imunizantes com eficácia limitada, voltados principalmente para o P. falciparum e para crianças. Um dos principais desafios sempre foi encontrar bons alvos vacinais”, explica Caroline Junqueira.

Cientistas identificaram centenas de proteínas do parasita

Durante a pesquisa, os cientistas identificaram 453 pequenos fragmentos de proteínas, conhecidos como peptídeos, originados de 166 proteínas diferentes do parasita.

Grande parte desses fragmentos pertence a proteínas essenciais para a sobrevivência do microrganismo e está presente em praticamente todas as fases do seu ciclo de vida. De acordo com Caroline Junqueira, essa característica aumenta significativamente o potencial de uma futura vacina.

“Essas proteínas são necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita e altamente conservadas entre diferentes espécies. Isso as torna alvos muito interessantes para uma vacina universal.”

Resultados mostraram resposta do sistema imunológico

Após identificar esses alvos, os pesquisadores avaliaram se eles realmente despertavam uma reação do organismo. Os testes envolveram:

  • pacientes infectados naturalmente;
  • pessoas submetidas à infecção experimental;
  • camundongos;
  • primatas.

Os resultados mostraram que o sistema imunológico reconheceu os antígenos em cinco espécies diferentes do parasita, incluindo Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum, responsáveis pela maioria dos casos da doença. Além disso, alguns desses alvos reduziram a quantidade de parasitas nos modelos experimentais.

“Não é só reconhecimento: vimos indícios de proteção, o que é fundamental para o desenvolvimento de uma vacina”, destaca Caroline Junqueira.

Nova estratégia pode superar limitações das vacinas atuais

Atualmente, as vacinas disponíveis apresentam eficácia parcial e oferecem proteção principalmente contra o Plasmodium falciparum, além de atuar apenas em fases específicas da infecção. Segundo a pesquisadora, a nova abordagem poderá ampliar essa proteção.

“Hoje, as vacinas não cobrem completamente todas as fases da infecção. Nosso trabalho mostra que esses antígenos estão presentes em vários momentos, o que atende a uma demanda importante da Organização Mundial da Saúde”, afirma Caroline Junqueira.

Ainda serão necessários novos estudos

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que o desenvolvimento de uma vacina exige diversas etapas antes de chegar à população.

Os novos alvos identificados ainda precisarão passar por estudos adicionais, validações laboratoriais e testes clínicos para confirmar sua eficácia e segurança.

Mesmo assim, a descoberta fortalece a participação da ciência brasileira na busca por soluções contra uma doença que ainda representa um grave problema de saúde pública em diversas regiões do mundo. Se os próximos estudos confirmarem esse potencial, uma vacina mais abrangente poderá ampliar a proteção contra diferentes formas da malária e contribuir para reduzir milhares de casos e mortes registrados todos os anos.

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