Saúde e Bem-estar

Gastrite autoimune: sintomas que merecem atenção após os 50

A gastrite autoimune pode comprometer a absorção de ferro e vitamina B12, causar anemia e sintomas neurológicos e exigir acompanhamento contínuo.

- a foto mostra mulher com gastrite
- fonte: Magnific

Cansaço persistente, formigamento nas mãos e nos pés ou ardência na língua podem indicar deficiências nutricionais. Em alguns casos, esses sinais estão relacionados à gastrite autoimune, uma doença crônica que compromete o funcionamento do estômago.

A condição ocorre quando o sistema imunológico ataca células responsáveis pela produção de ácido gástrico e de uma substância necessária à absorção da vitamina B12. Com o avanço da doença, o organismo pode apresentar deficiência de ferro e vitamina B12, aumentando o risco de anemia e complicações neurológicas.

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A gastrite autoimune afeta principalmente mulheres acima dos 50 anos e pode evoluir sem sintomas evidentes. Por isso, reconhecer os sinais e investigar alterações persistentes ajuda a identificar o problema e iniciar o acompanhamento adequado.

O que é gastrite autoimune e quais são os sintomas?

A gastrite autoimune é uma inflamação crônica na qual as defesas do organismo atacam as células parietais do estômago. Essas estruturas produzem o ácido gástrico, que participa da digestão, e o fator intrínseco, necessário para a absorção da vitamina B12.

Quando a doença compromete essas células, o organismo perde parte da capacidade de absorver nutrientes importantes. No entanto, os sintomas variam e podem demorar a aparecer.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Dor abdominal e desconforto digestivo;
  • Cansaço frequente e fraqueza;
  • Ardência ou inflamação na língua, chamada glossite;
  • Formigamento ou dormência nas extremidades;
  • Dificuldades de memória;
  • Alterações de humor ou comportamento.

A ausência desses sintomas não descarta a doença. Além disso, manifestações semelhantes podem ocorrer em outras condições, o que torna a avaliação clínica importante.

Por que a gastrite autoimune pode causar anemia?

A relação entre gastrite autoimune e anemia envolve principalmente dois nutrientes: ferro e vitamina B12.

Deficiência de ferro

O ácido gástrico ajuda o organismo a aproveitar o ferro presente nos alimentos. Quando a produção desse ácido diminui, a absorção do mineral pode ficar prejudicada.

Com o tempo, a deficiência de ferro pode provocar anemia, cansaço, fraqueza e dificuldade para realizar atividades cotidianas.

Falta de vitamina B12

A destruição das células parietais também reduz a produção do fator intrínseco. Sem essa substância, o organismo encontra dificuldade para absorver a vitamina B12.

A deficiência pode provocar anemia perniciosa, um tipo de anemia associado à falta dessa vitamina. Além disso, a carência prolongada de B12 pode comprometer o sistema nervoso e causar formigamento, alterações de sensibilidade e problemas de memória.

Por isso, sintomas neurológicos persistentes exigem investigação, mesmo quando não há queixas digestivas importantes.

Quem tem maior risco de desenvolver gastrite autoimune?

A doença aparece com maior frequência em mulheres a partir dos 50 anos. Além disso, pode ocorrer em pessoas que apresentam outras doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto, diabetes tipo 1 e vitiligo.

Nessas condições, o sistema imunológico ataca estruturas do próprio organismo. A presença de uma doença autoimune não confirma gastrite autoimune, mas pode justificar uma investigação quando surgem sintomas compatíveis ou deficiências nutricionais sem causa esclarecida.

Como diagnosticar e tratar a gastrite autoimune?

O diagnóstico combina a avaliação clínica com exames específicos. A endoscopia digestiva alta permite examinar o estômago e coletar pequenas amostras de tecido para análise, procedimento conhecido como biópsia.

Os exames de sangue também ajudam a investigar a doença. Entre eles estão a pesquisa de anticorpos contra as células parietais e contra o fator intrínseco, além da dosagem de ferro e vitamina B12.

O tratamento busca corrigir as deficiências nutricionais. Como a absorção gastrointestinal pode estar comprometida, o profissional de saúde define a melhor forma de reposição conforme cada caso.

O acompanhamento também merece atenção porque a gastrite autoimune aumenta o risco de determinados tumores gástricos, incluindo câncer de estômago e tumores neuroendócrinos gástricos. Por isso, a equipe de saúde pode recomendar vigilância endoscópica individualizada.

Durante a investigação, também é importante verificar a presença da bactéria Helicobacter pylori (H. pylori). Essa infecção pode contribuir para problemas gástricos e aumentar o risco de câncer. Quando os exames confirmam a bactéria, o tratamento adequado ajuda a eliminá-la.

Cansaço sem explicação, deficiência de ferro ou vitamina B12 e sintomas neurológicos persistentes merecem avaliação profissional. Embora a gastrite autoimune seja crônica, o diagnóstico e o acompanhamento permitem corrigir deficiências, monitorar complicações e orientar os cuidados necessários.

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Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.