Novo medicamento para câncer de mama avançado é aprovado no Brasil
Anvisa aprovou o Etcamah para adultos com câncer de mama avançado, mutação ESR1 e características específicas do tumor.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Etcamah (camizestranto) como novo medicamento para câncer de mama para um grupo específico de adultos com câncer de mama avançado.
A decisão saiu em 21 de setembro de 2026 e amplia as opções de tratamento disponíveis no país. O medicamento trata tumores localmente avançados ou metastáticos que apresentam determinadas características moleculares.
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O tratamento chama atenção por permitir uma mudança de estratégia quando exames identificam uma mutação relacionada à resistência hormonal. Isso pode ocorrer antes de exames de imagem mostrarem que a doença avançou.
Quem pode usar o novo medicamento?
O Etcamah trata adultos com câncer de mama que apresentam receptor de estrogênio positivo (ER+) e HER2 negativo.
A indicação também exige a presença de uma mutação no gene ESR1. Ela deve surgir durante o tratamento inicial com terapia hormonal associada a um inibidor de CDK4/6.
Outro critério envolve o tempo de tratamento. A paciente precisa ter recebido essa combinação por pelo menos seis meses.
Além disso, a doença não pode apresentar sinais de progressão clínica ou radiológica no momento da identificação da mutação.
Isso significa que a aprovação não se aplica a todos os casos de câncer de mama avançado. A indicação depende das características do tumor e da avaliação da equipe responsável pelo tratamento.
Por que a mutação ESR1 é importante?
O gene ESR1 está relacionado ao receptor de estrogênio, uma estrutura que pode estimular o crescimento de determinados tumores mamários.
Durante o tratamento hormonal, algumas células tumorais podem desenvolver alterações nesse gene. Como consequência, o câncer pode se tornar menos sensível às terapias utilizadas anteriormente.
A detecção da mutação pode ocorrer por meio da análise do DNA tumoral circulante no sangue. Esse material contém fragmentos liberados pelas células tumorais na circulação.
No estudo que fundamentou a estratégia, os pesquisadores acompanharam a presença da mutação durante o tratamento. A identificação permitiu modificar a terapia antes da progressão observada nos exames de imagem.
Como o Etcamah age contra o câncer?
O camizestranto pertence a uma classe chamada degradadores seletivos do receptor de estrogênio, conhecida pela sigla SERD.
O medicamento bloqueia o receptor de estrogênio e também promove sua degradação dentro das células tumorais. Dessa forma, reduz a ação de um estímulo que pode favorecer o crescimento do câncer.
A Anvisa classificou o Etcamah como uma terapia direcionada para pacientes que apresentam a mutação ESR1 nesse contexto específico.
O paciente toma o medicamento por via oral e, na indicação aprovada, combina o tratamento com um inibidor de CDK4/6. A escolha do esquema depende da avaliação médica.
O que o estudo mostrou sobre o tratamento?
A aprovação brasileira considera dados do estudo internacional de fase 3 SERENA-6. Na pesquisa, a estratégia com camizestranto reduziu em 56% o risco de progressão da doença ou morte em comparação com a manutenção do tratamento hormonal utilizado anteriormente.
O resultado representa uma diferença relativa de risco entre os grupos estudados. Esse resultado não significa que o tratamento curou 56% das pacientes.
A pesquisa avaliou justamente uma estratégia de troca do tratamento após a identificação da mutação ESR1, mas antes da progressão clínica ou radiológica.
O novo remédio substitui outros tratamentos?
Não. O Etcamah não é um tratamento indicado para todos os tipos ou estágios do câncer de mama.
A escolha depende de fatores como características biológicas do tumor, tratamentos anteriores, presença de mutações e extensão da doença. Por isso, a aprovação representa uma nova alternativa para um grupo definido de pacientes. A indicação deve considerar, assim, os exames e o histórico individual.
O câncer de mama reúne diferentes subtipos. Entre eles, os tumores positivos para receptores hormonais e negativos para HER2 formam um grupo com características próprias.
De acordo com a Anvisa, o Brasil registrou uma estimativa de 73.610 novos casos de câncer de mama entre 2023 e 2025. O número corresponde a 30,1% dos casos de câncer em mulheres.
A nova aprovação reforça uma tendência da oncologia: usar informações genéticas do tumor para identificar mudanças na doença e orientar o tratamento de forma mais específica.
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