Pressão alta atinge 28% das crianças e adolescentes avaliados em escolas
Pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia encontrou pressão na faixa de hipertensão em 28,3% dos estudantes avaliados em 38 escolas.

A pressão alta também preocupa na infância e na adolescência. Muitas vezes, a alteração não provoca sintomas evidentes, o que dificulta sua identificação sem a medição da pressão arterial. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) identificou níveis de pressão na faixa de hipertensão em 28,3% dos estudantes avaliados em escolas brasileiras.
A pesquisa integra o projeto Brasil Coração Saudável e reuniu 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. A equipe realizou as avaliações entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026.
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Além disso, outros 11,6% dos participantes apresentaram pressão acima do normal, classificada como pré-hipertensão. Os resultados reforçam a importância de acompanhar a saúde cardiovascular desde os primeiros anos de vida.
Como identificar a pressão alta em crianças e adolescentes?
A pressão arterial indica a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias. Quando essa pressão permanece elevada, o coração e os vasos sanguíneos enfrentam uma sobrecarga que pode trazer consequências ao longo da vida.
Na infância, a avaliação considera fatores como idade, sexo e altura. Por isso, os profissionais utilizam referências específicas para interpretar os valores, em vez de aplicar diretamente os limites usados em adultos.
No levantamento, a equipe repetiu as medições durante uma única visita às escolas. Entretanto, esse procedimento não confirma sozinho um diagnóstico de hipertensão.
A confirmação clínica exige novas avaliações em outras consultas. Portanto, um resultado alterado durante uma triagem deve motivar o acompanhamento de saúde, sem provocar conclusões precipitadas.
Meninos e adolescentes apresentaram percentuais mais elevados
Os dados da pesquisa mostram diferenças entre os grupos avaliados. Entre os meninos, 29,8% apresentaram pressão na faixa de hipertensão, ante 26,9% das meninas.
A comparação por idade também revelou variações:
- De 7 a 10 anos: 30,2%;
- De 11 a 14 anos: 23,6%;
- De 15 a 18 anos: 34%.
O grupo de 15 a 18 anos apresentou o maior percentual. Ainda assim, os números descrevem os estudantes examinados e não representam automaticamente todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Excesso de peso acompanha maior frequência de pressão alta
O levantamento também encontrou uma associação entre o excesso de peso e a pressão arterial elevada. Entre os participantes de 7 a 18 anos, os percentuais variaram conforme a classificação do peso.
- Peso adequado: 22,6%;
- Sobrepeso: 30,1%;
- Obesidade: 48,4%.
Quase metade dos estudantes com obesidade apresentou pressão na faixa de hipertensão durante a triagem.
No conjunto dos participantes, 33,1% tinham excesso de peso. Desse total, 19,5% apresentavam sobrepeso e 13,6%, obesidade. A equipe utilizou o índice de massa corporal (IMC), considerando idade e sexo.
A gordura abdominal também acompanhou uma frequência maior da alteração. Entre os estudantes cuja cintura ultrapassava metade da altura, 40,6% apresentaram pressão na faixa de hipertensão. Entre aqueles dentro desse parâmetro, o índice ficou em 24,4%.
Outra análise encontrou percentuais de 46,3% entre participantes com circunferência abdominal aumentada e de 26,3% entre aqueles com medidas adequadas para idade e sexo.
Esses resultados mostram uma associação, mas não comprovam que o excesso de peso seja a única causa da pressão elevada.
Como prevenir a pressão alta desde a infância?
A prevenção começa com hábitos saudáveis e acompanhamento regular da saúde. Nesse sentido, famílias e escolas podem incentivar uma alimentação equilibrada, atividades físicas adequadas à idade e uma rotina de sono consistente.
Também vale reduzir o consumo frequente de alimentos ricos em sódio, como produtos ultraprocessados. Além disso, os responsáveis devem acompanhar as consultas pediátricas e verificar se a criança precisa medir a pressão arterial.
O projeto Brasil Coração Saudável combina avaliações de saúde e atividades educativas com a participação de profissionais, educadores e comunidades escolares. A iniciativa pretende ampliar o alcance para novas escolas e regiões do país.
A triagem escolar ajuda a identificar crianças que precisam de avaliação complementar. Por isso, diante de uma medição alterada, a família deve procurar um serviço de saúde para confirmar os resultados e receber orientações individualizadas.
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