Saúde e Bem-estar

Sintomas da doença falciforme vão muito além da anemia

Mais que uma anemia, a doença falciforme compromete órgãos, provoca dores severas e exige acompanhamento contínuo.

A foto mostra tratamento de doença falciforme
Fonte: Wilson Dias l Agência Brasil

Muitas pessoas associam a doença falciforme apenas à anemia. No entanto, essa condição genética e hereditária afeta todo o organismo. Além disso, pode provocar dores intensas, lesões em órgãos e diversas complicações ao longo da vida.

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Neste 19 de junho, Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, especialistas reforçam a importância da informação e do diagnóstico precoce. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, até 100 mil brasileiros convivem com a doença.

A hematologista Marimília Pita explica que todos os pacientes apresentam anemia. Porém, o problema vai muito além da redução dos glóbulos vermelhos. A doença compromete a circulação sanguínea e pode atingir coração, pulmões, rins, olhos e outros órgãos.

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Alteração nas hemácias causa danos ao organismo

A doença falciforme modifica o formato das hemácias, células responsáveis pelo transporte de oxigênio. Em vez da forma arredondada e flexível, elas assumem o formato semelhante a uma foice.

Como consequência, essas células se rompem mais rapidamente. Enquanto uma hemácia saudável vive cerca de 120 dias, a hemácia falciforme pode durar apenas algumas semanas. Além disso, sua rigidez dificulta a passagem pelos vasos sanguíneos. Esse bloqueio reduz a chegada de oxigênio aos tecidos e provoca pequenos infartos em diferentes partes do corpo.

Com o passar dos anos, o paciente pode desenvolver problemas cardíacos, pulmonares e renais. Por isso, o acompanhamento médico constante faz toda a diferença.

Teste do pezinho salva vidas

O diagnóstico precoce representa um dos maiores avanços no combate à doença. Há 25 anos, o Teste do Pezinho passou a identificar a condição ainda nos primeiros dias de vida.

Essa detecção antecipada permite iniciar cuidados preventivos rapidamente. Dessa forma, os profissionais conseguem reduzir infecções graves e melhorar a qualidade de vida das crianças.

Embora a maioria dos casos não tenha cura, os tratamentos atuais controlam sintomas e diminuem complicações. Em situações específicas, o transplante de medula óssea pode oferecer uma alternativa curativa.

Crises de dor exigem atenção imediata

Entre os sintomas mais marcantes estão as crises de dor intensa. Elas surgem quando as hemácias alteradas obstruem pequenos vasos sanguíneos.

As dores costumam atingir ossos e articulações. Entretanto, podem surgir em qualquer região do corpo. Em alguns casos, o paciente necessita de internação e uso de medicamentos potentes para aliviar o sofrimento.

Segundo especialistas, muitos pacientes ainda enfrentam dificuldades para receber atendimento adequado durante essas crises.

Informação ajuda a combater o preconceito

A doença falciforme ocorre com maior frequência na população negra. No entanto, ela não se limita a um grupo específico. A condição aparece em diferentes regiões do mundo e pode atingir pessoas de diversas origens.

Além dos desafios físicos, muitos pacientes enfrentam preconceito e desinformação. Por isso, campanhas de conscientização desempenham papel importante na ampliação do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e da inclusão social.

Histórias como a de Agner Eduardo da Silva mostram que a doença não impede projetos de vida. Diagnosticado ainda na infância, ele construiu carreira, formou família e aprendeu a conviver com a condição. Seu exemplo reforça uma mensagem importante: com acompanhamento médico e acesso aos cuidados corretos, é possível viver com mais qualidade e autonomia.

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