Ter um gato pode fortalecer vínculos afetivos e aliviar o estresse
Estudo publicado na revista iScience identificou associação entre a interação de gatos e tutores e níveis mais altos de ocitocina nas duas espécies.

A convivência com um gato pode trazer benefícios que vão além da companhia diária. O contato carinhoso entre felinos e tutores pode aumentar os níveis de ocitocina, conhecida como hormônio do amor, em ambas as espécies. A substância participa da formação de vínculos afetivos e ajuda a explicar por que a relação com um animal pode proporcionar bem-estar.
Um estudo publicado em 13 de outubro de 2026 na revista científica iScience, com participação da Universidade de Kyoto, no Japão, investigou essa conexão hormonal. Os resultados indicam que a interação entre gatos e humanos pode favorecer respostas biológicas associadas ao vínculo entre eles.
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A pesquisa também levanta uma possibilidade importante: a convivência com gatos pode contribuir para uma rotina emocionalmente mais positiva. No entanto, os cientistas ainda precisam investigar os mecanismos envolvidos nessa relação.
Como a interação com gatos pode beneficiar a saúde emocional?
Os pesquisadores analisaram 19 tutores e 29 gatos. Para investigar a relação hormonal, compararam medições de ocitocina obtidas a partir de amostras de urina. A análise considerou três amostras por indivíduo, além de questionários sobre os sentimentos dos tutores nas semanas anteriores.
Os resultados apontaram uma associação entre a interação mais próxima e níveis mais elevados de ocitocina. Entre os tutores com maior concentração do hormônio, também apareceram relatos de menos sintomas de depressão, raiva, confusão e ansiedade.
Outro achado chamou a atenção: níveis mais altos de ocitocina nos gatos foram associados a níveis mais baixos de cortisol nos tutores. O cortisol participa da resposta do organismo ao estresse.
Apesar desses resultados, o estudo não comprova que ter um gato previne transtornos mentais ou reduz diretamente o estresse. Os dados indicam associações, mas ainda não esclarecem a causa dessa relação.
Quais são os benefícios de ter um gato?
A presença de um gato pode tornar a rotina mais acolhedora e favorecer momentos de descanso, interação e afeto. Embora os benefícios variem de pessoa para pessoa, a convivência com um animal pode oferecer diferentes formas de apoio emocional.
Entre os possíveis benefícios, destacam-se:
- Companhia no dia a dia: a presença do animal pode ajudar a diminuir a sensação de solidão.
- Vínculo afetivo: cuidar de um gato e interagir com ele pode fortalecer a conexão emocional.
- Momentos de relaxamento: acariciar o animal e observar seus comportamentos pode proporcionar pausas tranquilas na rotina.
- Apoio ao bem-estar emocional: a convivência pode trazer conforto e favorecer sentimentos positivos.
- Rotina e responsabilidade: alimentação, higiene e cuidados diários ajudam a organizar atividades e compromissos.
Esses efeitos não são iguais para todos. Além disso, ter um gato exige tempo, recursos financeiros, atenção à saúde do animal e compromisso com seu bem-estar.
O que ainda falta descobrir sobre gatos e ocitocina?
A pesquisa é relevante porque investigou os níveis de ocitocina tanto nos humanos quanto nos gatos, em vez de analisar apenas uma das espécies. Essa abordagem permite observar a relação afetiva a partir dos dois lados da convivência.
Uma das hipóteses é que o carinho mútuo, como acariciar o gato, contribua para elevar os níveis do hormônio em ambos. Entretanto, os cientistas ainda não determinaram como essa relação acontece nem se outros fatores influenciam os resultados.
Portanto, a descoberta amplia o conhecimento sobre os vínculos entre humanos e animais. Ao mesmo tempo, reforça a importância de interpretar os resultados com cautela, sem transformar uma associação científica em promessa de benefício à saúde.
Para quem gosta de gatos, a convivência pode representar muito mais do que ter um animal em casa: pode significar compartilhar momentos de afeto, companhia e tranquilidade. A ciência começa a investigar como essa relação se manifesta também no organismo.
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